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A maioria dos trabalhadores não teme perder o emprego nos próximos meses

Mais da metade dos trabalhadores brasileiros não enxerga risco de perder o emprego ou da principal fonte de renda nos próximos seis meses, segundo revela a Sondagem do Mercado de Trabalho, realizada pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV). A pesquisa aponta que 42,3% dos entrevistados consideram improvável ficar sem trabalho, enquanto 11,5% classificam como muito improvável.

Por outro lado, 13,8% avaliaram como provável a chance de perder o emprego, e apenas 2,8% consideram muito provável. Um percentual de 29,7% não soube opinar sobre a situação.

CENÁRIO DE MERCADO DE TRABALHO MAIS SEGURO

O responsável pela sondagem, Rodolpho Tobler, destacou que o baixo índice de trabalhadores que se sentem em risco reflete o momento de aquecimento do mercado. “Com a taxa de desocupação em níveis mínimos em termos históricos, é natural que os trabalhadores se sintam mais seguros na sua ocupação ou em uma realocação caso seja necessário. Esse dinamismo observado nos últimos anos tende a ser favorável para os trabalhadores”, afirmou.

No entanto, Tobler alertou que a expectativa de desaceleração da economia brasileira e do mercado de trabalho pode alterar esse cenário em breve: “É esperado que essa variável não continue nesse patamar baixo por muito tempo”, disse.

NÍVEIS DE DESEMPREGO E RENDA

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que a taxa de desemprego do segundo trimestre ficou em 5,8%, menor nível da série histórica iniciada em 2012. O levantamento também apontou rendimento médio recorde de R$ 3.477 e 39 milhões de empregados com carteira assinada. Os números do trimestre móvel encerrado em julho serão divulgados na próxima terça-feira (16).

A desaceleração prevista por Tobler está ligada aos efeitos da taxa de juros elevada, instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Atualmente, a Selic está em 15% ao ano, maior patamar desde julho de 2006. Essa política contracionista encarece empréstimos, desestimula investimentos e, consequentemente, pode reduzir o ritmo de geração de emprego e renda.

SEGURANÇA SEGUNDO FAIXA DE RENDA

A sondagem também revelou que a percepção de segurança no emprego aumenta com a faixa salarial. Entre trabalhadores que recebem até um salário mínimo, 32,6% consideram improvável ou muito improvável perder o emprego; entre um e três salários mínimos, 41,3%; e acima de três salários mínimos, 62,4%.

OUTROS ASPECTOS DO MERCADO DE TRABALHO

A pesquisa, realizada com uma amostra de 2 mil pessoas, abordou ainda satisfação no trabalho e percepção de proteção social. Sobre satisfação, 59,7% se disseram satisfeitos e 15,3% muito satisfeitos. Apenas 8% declararam insatisfação, enquanto 17% se mantiveram neutros.

Quanto à proteção social, 33,5% afirmaram se sentir muito desprotegidos, 37,7% parcialmente desprotegidos e 28,7% se consideraram protegidos. A sondagem está em sua terceira edição mensal, o que impede comparações com períodos mais longos, como o ano anterior.


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Raul Frutuoso

Raul Lorenzo Frutuoso é um profissional da comunicação com cinco anos de experiência em jornalismo e marketing digital. Já atuou como redator e editor de vídeo no portal ND+. Também integrou a equipe de assessoria de imprensa do Colégio Catarinense, contribuindo com a gestão de mídias sociais, campanhas institucionais e produções audiovisuais.

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