PL e MDB buscam unidade em SC, mas dissidências internas seguem visíveis
Todos os ventos da política catarinense apontam para uma disputa pelo governo do estado em 2026 marcada por uma aliança entre o PL e o MDB. O alinhamento entre o partido do atual governador e a sigla dona da segunda maior bancada da Alesc foi cimentada pela promessa de uma vaga para candidato a vice na chapa encabeçada por Jorginho Mello.
Mas se a aliança com vistas ao Executivo Estadual está firmada, ela ainda tem contornos difusos — isso porque os emedebistas ainda não definiram quem será o colega de chapa de Jorginho no ano que vem. As tratativas entre os dois partidos parecem girar em torno de figuras do Norte do estado, como Carlos Chiodini, atual secretário da Agricultura. No evento promovido pelo partido em comemoração aos seus 60 anos de história no último final de semana — e que contou com a participação do governador — Chiodini teve papel de destaque.
Há ainda quem mencione o nome da senadora Ivete da Silveira, que não pretende disputar a vaga ao senado no ano que vem, ou do deputado estadual Fernando Krelling nos bastidores — embora ele não tenha manifestado publicamente o seu interesse na vaga. Publicamente, ele afirma se preocupar mais com sua reeleição.
Uma parte do MDB, no entanto, ainda não vê com bons olhos a articulação com o PL. Com cinco governadores no currículo — Pedro Ivo Campos, Casildo Maldaner, Paulo Afonso Vieira, Luiz Henrique da Silveira e Eduardo Pinho Moreira — a sigla tem peso considerável no estado. Para algumas das personalidades do partido, abrir mão de uma candidatura própria seria então um desrespeito à sua história.
Vozes internas da sigla também viram com maus olhos o destaque dado ao governador na convenção do MDB do último sábado, 25, principalmente na coletiva de imprensa que aconteceu durante o evento. Segundo articuladores, o protagonismo deveria ter sido do presidente nacional do partido, Baleia Rossi, que acabou ficando em segundo plano.
Para outras figuras relevantes do MDB, entretanto, o motivo das críticas é a figura com quem a aliança está sendo firmada. Representantes da região da Serra preferem um acordo com aquele que promete ser o principal oponente de Jorginho no ano que vem: João Rodrigues (PSD). Em agosto, um dos principais nomes do partido em Lages, o pré-candidato a deputado estadual Elizeu Mattos, recebeu o atual prefeito de Chapecó em sua casa. Na ocasião, eles foram acompanhados por outras figuras do PSD, como o presidente estadual da sigla, Eron Giordani, e o ex-governador Raimundo Colombo.
Elizeu disputou a prefeitura de Lages no ano passado, mas foi derrotado por Carmen Zanotto (Cidadania) — que contou com o apoio de Jorginho Mello no pleito. Em suas redes, o emedebista elogiou João Rodrigues. “Um dos melhores prefeitos do Brasil”, afirmou.
João Rodrigues, por sua vez, se pronunciou a respeito da aliança entre PL e MDB em uma entrevista a uma emissora de rádio chapecoense ontem. Ele rejeitou uma possível articulação com os emedebistas, citando um alinhamento do partido — e de Chiodini, em específico — com o governo federal. “O seu presidente em SC, o Chiodini, estava aliado ao Lula. Até ontem, estava votando com Lula, e agora ele veio a ser secretário (de Estado). Como fica a coerência?”, questionou ele.
Uma parceria cultivada aos poucos
A aliança entre PL e MDB foi construída ao longo de todo o mandato de Jorginho Mello, mas se acelerou logo após as últimas eleições municipais. No início do ano, o MDB ganhou três novas cadeiras no governo, além da vaga já ocupada por Jerry Comper, secretário da Infraestrutura.
Com as negociações, o deputado estadual Emerson Stein passou a chefiar a Secretaria de Meio Ambiente, e o deputado federal Carlos Chiodini, a pasta de Agricultura. O MDB foi responsável ainda por nomear o novo presidente da Fesporte, Jeferson Ramos Batista, uma indicação do deputado estadual Fernando Krelling.
Segundo o próprio governador, essa foi uma união firmada com vistas às eleições de 2026, e serviu também para fortalecer o apoio do partido ao governo na Assembleia Legislativa.
O alinhamento das duas siglas parece manter-se forte por enquanto. Resta ver se o racha nas fileiras emedebistas se aprofundará, ou se irá afogar-se nas vontades do que parece ser a maioria do partido. A definição de um candidato a vice, no entanto, deve demorar mais alguns meses, enquanto se traçam os rumos do ano eleitoral.





