Briga entre Ana Campagnolo e Carlos Bolsonaro aprofunda crise no PL

A briga interna no PL em torno da candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado em Santa Catarina ganhou mais um capítulo no início desta semana, desta vez protagonizado pelo vereador carioca e pela deputada estadual Ana Campagnolo. Os dois discutiram publicamente ao longo do final de semana por meio de publicações em suas redes sociais, e a troca rendeu ofensas contra Campagnolo. Ela foi taxada de mentirosa pelo “02” por afirmar que a candidatura dele ao senado causaria a saída de Carol De Toni do PL.
O pivô da crise, que serviu para escancarar ainda mais o caos da tentativa de formação da chapa de Jorginho Mello para o ano que vem, foi a distribuição das duas vagas para o Senado. Campagnolo respondia ao comentário de um seguidor, que questionava o futuro político de Carol De Toni no partido e se a vinda de Carlos traria problemas para sua candidatura como senadora.
Uma das principais apostas do PL na corrida pelo Senado em 2026, Carol De Toni viu seu futuro político virar de cabeça para baixo com o anúncio de Carlos Bolsonaro. Campagnolo explicou algo que já parecia óbvio para quem acompanha o desenrolar da situação: a vinda do “02” para Santa Catarina arriscava expulsar De Toni do partido. Isso porque, das duas vagas ao Senado na chapa de Jorginho, apenas uma está reservada para o PL. A segunda, segundo o próprio governador, será destinada para a coligação a ser articulada com o Progressistas, do senador Esperidião Amin.
Segundo a própria Campagnolo, não há alternativa para De Toni no PL: a saída seria deixar a legenda para manter sua candidatura. O vereador carioca, no entanto, não aceitou a leitura da deputada e retrucou publicamente na última sexta-feira, 31, por meio de uma publicação no X, antigo Twitter. “Não sejam mentirosos! Absolutamente nada do que essa menina está falando é verdade. Quanta baixaria! Lamentável!”.
A briga se estendeu ao longo do fim de semana, e parece ter chegado ao fim na última segunda-feira, quando a deputada estadual se manifestou em suas redes para explicar a situação. Ela afirmou ter conversado com o governador e com Carol a respeito do futuro da chapa do PL, e confirmou os próximos passos de sua colega de sigla: “O governador deixou claro que não há mais espaço para Carol senadora no PL e ela afirmou já ter iniciado tratativas com outros partidos”.
“O Governador Jorginho afirma e confirma que há meses anunciou que não lançará chapa pura. Uma das duas vagas do partido será para a coligação”, explicou ela em um post no início da noite desta segunda-feira, 3. “A vaga estava preparada para o Senador Amin e a coligação com a federação PP-União, que soma mais de 60 prefeitos e 600 vereadores. Se o partido perder essa construção, a reeleição do Governador também será afetada”.
Campagnolo não recuou diante das investidas de Carlos, e afirmou apenas que exerceu sua “prerrogativa de liderança local discordando de uma estratégia que não é a melhor para o meu estado”. Ela reforçou ainda o que já vinha afirmando desde o anúncio da candidatura do filho de Bolsonaro: a chegada de Carlos desestabiliza o projeto da direita em Santa Catarina. A deputada classifica a candidatura do “02” como uma tentativa, por parte de Bolsonaro, de salvar a prole de ‘perseguições políticas’: “o presidente acredita que, com mandato no Senado, seus filhos serão menos vulneráveis ao STF”.
No fim das contas, o choque entre Carlos Bolsonaro e a realidade política em Santa Catarina apenas enfraqueceu o PL. Com a discussão pública, a popularidade do vereador carioca sofreu queda entre os eleitores da direita catarinense, e vozes nos bastidores afirmam que o Governo do Estado trabalha para salvar a sua imagem. Já é possível ver efeitos dessa movimentação, com uma série de reportagens a respeito dele sendo publicadas por veículos de imprensa alinhados com o governo desde ontem.
Já Carol De Toni, deixada de lado por seus aliados, deve tomar uma decisão a respeito de sua filiação ao Novo nas próximas semanas, após o nascimento de sua segunda filha. Sua saída é uma perda considerável para o PL. Ao deixar o partido, ela tem o potencial de levar consigo mais de 500 aliados, entre prefeitos e vereadores catarinenses.





