O Agente Secreto chegou aos cinemas na última quinta-feira (6), marcando o retorno em grande escala do cinema brasileiro às telas. O novo longa do pernambucano Kleber Mendonça Filho estreiou em mais de 730 cinemas e 1.400 salas, distribuídas em 370 cidades do Brasil, em lançamento simultâneo com Alemanha e Portugal.
Reconhecido pela crítica internacional, o filme já passou por mais de 50 festivais e recebeu 20 prêmios, entre eles Melhor Direção e Melhor Ator (Wagner Moura) no Festival de Cannes. A produção representa o Brasil na disputa pelo Oscar 2026, na categoria Melhor Filme Internacional.
Conteúdos
UM RETRATO DO BRASIL DOS ANOS 1970
Ambientado em 1977, o longa propõe um mergulho profundo na alma de um país em plena ditadura militar. A narrativa se constrói em meio à tensão política e social, explorando dilemas de moral, poder e medo.
A direção de arte e a trilha sonora reforçam o realismo da década, com elementos sonoros marcantes — como o ruído do orelhão e o ronco dos fuscas — que recriam o ambiente da época.
Em entrevista à Agência Brasil, Kleber Mendonça Filho destacou o papel central da música na construção da atmosfera do filme.
“‘Paêbirú’, de Zé Ramalho e Lula Côrtes, é uma obra-prima da psicodelia brasileira. Eu já escrevi o roteiro com duas músicas desse disco – ‘Harpa dos Áries’ e ‘Trilha de Sumé’. Elas são muito impactantes, quase como se o próprio vinil respirasse dentro do filme.”
O diretor revelou ainda que planeja lançar um vinil duplo com a trilha sonora e um livro com o roteiro completo, ambos pela Editora Record, sob o selo Amacor.
RECONHECIMENTO E EXPECTATIVAS INTERNACIONAIS
Mendonça, que tem vivido uma agenda intensa de viagens e compromissos, celebrou o reconhecimento internacional.
“É um período muito intenso de viagens e trabalho. No meio de tudo isso tenho recebido o reconhecimento de diretores que me inspiraram a fazer cinema, como Spike Lee. Mas o que acho mais importante é poder exibir ‘O Agente Secreto’ para todo o Brasil e, além disso, para todo o mundo.”
O filme será exibido em mais de 90 países, incluindo China, México, Índia e Coreia do Sul, consolidando um dos maiores lançamentos internacionais de uma produção brasileira.
WAGNER MOURA BRILHA NO PAPEL PRINCIPAL
No papel de Marcelo, um professor de tecnologia que tenta reconstruir a vida no Recife, Wagner Moura entrega uma atuação aclamada pela crítica. O desempenho, premiado em Cannes, o coloca entre os cotados ao Oscar de Melhor Ator 2026.
“Quando li o roteiro, senti uma conexão imediata com o texto que eu mesmo vinha escrevendo para o teatro. O Agente Secreto fala de moral, verdade, poder e medo — tudo o que também me move na cena”, afirmou Moura durante a Mostra de Cinema de São Paulo.
Paralelamente, o ator está em cartaz com o espetáculo “Um julgamento: Depois do Inimigo do Povo”, inspirado na obra de Henrik Ibsen e criado em parceria com Christiane Jatahy.
DESTAQUE FEMININO E REPRESENTATIVIDADE
A atriz Tânia Maria emociona como Dona Sebastiana, uma mulher que acolhe refugiados em seus apartamentos no Recife. O papel, de grande sensibilidade, tem sido amplamente elogiado por críticos internacionais. Publicações como Variety e The Hollywood Reporter incluíram seu nome entre as possíveis indicadas ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante 2026.
Já Alice Carvalho, integrante do elenco, destacou a importância da diversidade e representatividade nas produções nacionais.
“O público brasileiro desvela outros sentidos do filme. A gente sente o impacto de ver os nossos sotaques, rostos e histórias nas telas. Isso é o Brasil que existe e que quer se ver representado.”
UM MARCO PARA O CINEMA BRASILEIRO
Com O Agente Secreto, Kleber Mendonça Filho reafirma sua posição entre os nomes mais relevantes do cinema contemporâneo. A produção combina reflexão histórica, potência estética e trilha sonora icônica, consolidando-se como um dos lançamentos brasileiros mais importantes dos últimos anos.
O filme chega aos cinemas com a missão de reconectar o público nacional com o cinema produzido no país — e de reafirmar, para o mundo, a força criativa do Brasil nas telas.





