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Seminário “Novembro é Todo Dia”, em São José, destaca ações contínuas contra o racismo

O Seminário “Novembro é Todo Dia” teve sua segunda edição iniciada nesta terça-feira (18) no Teatro Hermelinda Izabel Merize, no Centro Multiuso de São José, onde profissionais da rede municipal de ensino se reuniram para dois dias de debates, vivências e práticas pedagógicas voltadas à promoção das relações étnico-raciais na educação.

ABERTURA MARCADA POR EXPRESSÕES CULTURAIS

A programação foi inaugurada com apresentações culturais produzidas por equipes e estudantes do CEM Solemar e do CEM Altino Flores, destacando referências estéticas e musicais da cultura negra, reforçando a proposta do evento de valorizar identidades e fortalecer o protagonismo das comunidades escolares. O encontro, promovido pela Secretaria Municipal de Educação por meio do setor de Educação para as Relações Étnico-Raciais (ERER), reuniu mais de 1,8 mil profissionais.

PALESTRAS E REFLEXÕES SOBRE O CURRÍCULO ANTIRRACISTA

A manhã contou com a palestra “Epistemologias que transformam: Educação Antirracista no Cotidiano Escolar”, conduzida pela professora Carol Carvalho. As reflexões envolveram a necessidade de revisão de currículos, materiais didáticos, linguagem e práticas pedagógicas que valorizem identidades negras e indígenas. O conteúdo dialogou com experiências que já vêm sendo aplicadas nas unidades escolares.

VIVÊNCIAS PEDAGÓGICAS DAS UNIDADES DE ENSINO

Ao longo do dia, diversas unidades apresentaram projetos que integram a temática étnico-racial ao cotidiano escolar. Entre elas, o CEI São Luiz exibiu a experiência “Tecendo saberes e cores conhecendo a Arte”, destacando como a arte tem servido de ferramenta para abordar ancestralidade, pertencimento e diversidade com as crianças.

O CEI Profª Araci Olívia da Silva demonstrou práticas voltadas ao reconhecimento das culturas afro-brasileiras e africanas, ressaltando a necessidade de trabalhar o tema ao longo de todo o ano letivo. O Citesj abordou ações de formação continuada, enquanto o CEI San Marino apresentou o projeto “Do Zumbido ao Ubuntu: Aprendendo com as Abelhas e a África”, que relaciona natureza, convivência coletiva e valores culturais africanos.

O CEM Vilson Kleinubing participou com o projeto “Nossa Identidade – Projeto Antirracismo”, evidenciando trabalhos realizados com estudantes de diferentes idades. Também ocorreram apresentações do CEI Ana Sperandio, que marcou presença nos períodos matutino e vespertino com intervenções culturais voltadas ao fortalecimento da consciência étnico-racial.

A TARDE REÚNE NOVAS PRÁTICAS E DEBATES

No período vespertino, o CEI Júlia Francisca levou ao público o projeto “Aprendendo com a Zuri – Conto Africano Ubuntu”, aproximando crianças das narrativas africanas e da filosofia que reafirma o sentido coletivo da existência. Já o CEI Antônio Joaquim (Lisboa) abordou percepções infantis sobre diversidade cultural, enquanto o CEI Antônio de Quadros destacou práticas de reconhecimento das identidades negras.

A participação do professor Rodrigo Mioto reforçou, nos dois turnos, a necessidade de formação constante para o trato de questões sensíveis relacionadas à diversidade étnico-racial. As atividades também incluíram apresentação musical em Libras realizada pelo CEM Amélia Ludwig, ressaltando a interseção entre diversidade e inclusão.

Outros projetos ganharam destaque, como “Literatura e formação ERER”, do CEI Vida Nova, e “Fios, Infâncias e as Crianças”, apresentado pelo CEI Eloí Nietsche, mostrando como o cuidado estético e simbólico com os cabelos se torna instrumento pedagógico de acolhimento, autoestima e afirmação cultural.

ERER COMO EIXO ARTICULADOR DA REDE

O setor ERER tem atuado como articulador das iniciativas, estimulando que cada escola incorpore a diversidade ao planejamento pedagógico e às práticas cotidianas. A coordenadora do setor, Rosa Maria da Silveira de Jesus, avaliou o evento como amplificador das experiências da rede e afirmou: “As unidades de ensino de São José trabalham a temática étnico-racial durante todo o ano letivo, não apenas em uma data. Quando dizemos que ‘Novembro é todo dia’, estamos afirmando que a educação antirracista precisa ser contínua, intencional e presente em todas as práticas da escola.”

Segundo a secretária municipal de Educação, Cláudia Macário, o propósito do seminário dialoga com ações que já se refletem no cotidiano escolar. Ela destacou: “A educação tem um papel central na construção da sociedade que queremos. Quando apoiamos projetos como o ‘Novembro é Todo Dia’, garantimos que o debate sobre a cultura afrodescendente, a identidade e o combate ao racismo não fique restrito a uma data simbólica.”

CONTINUIDADE DA PROGRAMAÇÃO

O 2º Seminário “Novembro é Todo Dia” terá continuidade nesta quarta-feira (19), com uma programação que inclui novas apresentações, palestras, conversas formativas e socialização de práticas pedagógicas. O primeiro dia encerrou-se com a participação dos Grupos de Trabalho Multiplicadores, responsáveis por sistematizar as experiências para replicação nas unidades de ensino, reforçando o sentimento de pertencimento e o compromisso coletivo com a construção de uma cidade antirracista.

A programação completa da quarta-feira inclui atividades nos períodos matutino e vespertino, como apresentações culturais, palestras, debates e ações formativas de diferentes unidades escolares da rede municipal.

Com informações da Prefeitura de São José

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Raul Frutuoso

Raul Lorenzo Frutuoso é um profissional da comunicação com cinco anos de experiência em jornalismo e marketing digital. Já atuou como redator e editor de vídeo no portal ND+. Também integrou a equipe de assessoria de imprensa do Colégio Catarinense, contribuindo com a gestão de mídias sociais, campanhas institucionais e produções audiovisuais.

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