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Expectativa de vida no Brasil chega ao aos 76 anos, atingindo recorde nacional

A expectativa de vida, indicador essencial para compreender a longevidade da população brasileira, atingiu 76,6 anos em 2024, o maior patamar já registrado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) desde o início da série histórica, em 1940. Os dados integram a nova edição da Tábua de Mortalidade e mostram um avanço contínuo após os impactos da pandemia, período em que o índice havia recuado de forma expressiva.

TRAJETÓRIA HISTÓRICA DO INDICADOR

O cálculo da expectativa de vida ao nascer revela quantos anos, em média, um indivíduo viveria caso fossem mantidos os padrões atuais de mortalidade. Em comparação com 1940, quando o brasileiro tinha apenas 45,5 anos de vida estimada, o aumento acumulado chega a 31,1 anos, um salto que evidencia transformações estruturais no país ao longo de oito décadas.

Segundo o levantamento do IBGE, a evolução recente também reforça essa tendência, com números que revelam oscilações pontuais provocadas pela covid-19. Após alcançar 76,2 anos em 2019, o indicador caiu para 72,8 anos em 2021, retornando à trajetória de crescimento nos anos seguintes.

EFEITOS DA PANDEMIA NA EXPECTATIVA DE VIDA

A série histórica compilada pelo IBGE demonstra que a pandemia representou o único período de forte retrocesso desde que as medições começaram. A redução observada em 2020 e principalmente em 2021 está diretamente associada ao aumento abrupto das taxas de mortalidade naquele período.

A retomada ocorreu a partir de 2022, com avanço consistente: 75,4 anos em 2022; 76,4 em 2023; e 76,6 anos em 2024.

COMPARAÇÃO INTERNACIONAL

No cenário global, os maiores índices de longevidade estão concentrados em regiões específicas. Mônaco (86,5 anos), San Marino (85,8), Hong Kong (85,6), Japão (84,9) e Coreia do Sul (84,4) figuram entre os locais com maior expectativa de vida do planeta.

DIFERENÇAS ENTRE HOMENS E MULHERES

O levantamento mostra que as mulheres seguem vivendo, em média, mais que os homens no Brasil. Em 2024, elas alcançaram expectativa de 79,9 anos, enquanto a deles ficou em 73,3 anos, diferença de 6,6 anos.

O IBGE explica que esse distanciamento tem relação direta com transformações sociais ocorridas ao longo do século XX, incluindo o processo de urbanização e a intensificação das mortes por causas externas. “A partir dos anos 1980, as mortes associadas às causas externas ou não naturais (homicídios, suicídios, acidentes de trânsito etc.) passaram a elevar as taxas de mortalidade da população, particularmente dos adultos jovens do sexo masculino”, cita o IBGE.

O estudo também analisa a sobremortalidade masculina, que compara as taxas entre os sexos. Em 2024, um homem de 20 anos tinha 4,1 vezes mais chance de não atingir os 25 anos do que uma mulher da mesma idade.

EXPECTATIVA DE VIDA EM DIFERENTES IDADES

Além do índice ao nascer, a Tábua de Mortalidade detalha quantos anos de vida a população tende a ter ao atingir determinadas idades. Em 2024, uma pessoa que alcança os 60 anos vive, em média, mais 22,6 anos. Para os homens, o indicador é de 20,8 anos; para as mulheres, 24,2 anos.

Entre os idosos de 80 anos, a projeção também revela avanços significativos: mulheres vivem, em média, mais 9,5 anos; homens, 8,3. Em 1940, os valores eram de 4,5 e 4 anos, respectivamente.

MORTALIDADE INFANTIL E AVANÇOS SOCIAIS

A mortalidade infantil, indicador que mede o número de mortes de crianças com menos de um ano, registrou 12,3 óbitos por mil nascidos vivos em 2024 — ligeira melhora em relação a 2023 (12,5). Ainda assim, a taxa supera a de 2000, quando estava em 11,4.

Em perspectiva histórica, o avanço é significativo. Em 1940, 146,6 a cada mil crianças morriam antes de completar um ano de vida.

O IBGE atribui a melhora contínua a diversos fatores: campanhas de vacinação, ampliação do acesso ao pré-natal, promoção do aleitamento materno, atuação de agentes comunitários de saúde, políticas de nutrição e melhoria nas condições de saneamento básico. Segundo o instituto, “também contribuíram para a diminuição desse fatídico indicador os aumentos da renda, da escolaridade e do número de domicílios com acesso a serviços de saneamento adequado”.

IMPACTOS NA PREVIDÊNCIA SOCIAL

Os dados da Tábua de Mortalidade também servem de referência para cálculos previdenciários. O governo utiliza as informações para ajustar o fator previdenciário, mecanismo que influencia diretamente o valor das aposentadorias pagas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Com informações da Agência Brasil

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Raul Frutuoso

Raul Lorenzo Frutuoso é um profissional da comunicação com cinco anos de experiência em jornalismo e marketing digital. Já atuou como redator e editor de vídeo no portal ND+. Também integrou a equipe de assessoria de imprensa do Colégio Catarinense, contribuindo com a gestão de mídias sociais, campanhas institucionais e produções audiovisuais.

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