Ministério da Saúde destina R$ 2,8 milhões para a Hemorrede de Santa Catarina
O anúncio do investimento de R$ 2,8 milhões na Hemorrede de Santa Catarina marcou o avanço do país na modernização de equipamentos destinados ao processamento e à conservação de plasma humano, considerado estratégico para a produção nacional de hemoderivados. O Ministério da Saúde confirmou que Santa Catarina será contemplada com 14 novos aparelhos de alta tecnologia, distribuídos para unidades em Blumenau, Chapecó, Florianópolis, Joinville e Lages.
Conteúdos
MODERNIZAÇÃO PARA IMPULSIONAR O APROVEITAMENTO DO PLASMA
A entrega de 604 equipamentos ao sistema público nacional faz parte da estratégia federal para ampliar a capacidade de produção de medicamentos derivados do plasma, reduzindo a dependência externa. Segundo o Ministério da Saúde, essa modernização permitirá um incremento inicial de 30% no aproveitamento do plasma em todo o país, resultando em economia anual de aproximadamente R$ 260 milhões com a diminuição das importações.
Durante o anúncio, o ministro da Saúde destacou que, no passado, o Brasil não produzia os fatores derivados do plasma e dependia integralmente da importação. Ele afirmou: “Durante muito tempo, o Brasil não produzia os fatores que derivam do plasma e tínhamos que importar o tempo todo, gerando insegurança para quem tem doenças que dependem dos hemoderivados. Cada vez mais, as imunoglobulinas são utilizadas não só para doenças infecciosas, mas para outros tipos de doenças também — as imunoglobulinas hiperimunes. É um passo muito importante no cuidado à saúde para salvar a vida de tantas pessoas”.
R$ 2,8 MILHÕES NA HEMORREDE DE SANTA CATARINA E EXPANSÃO NACIONAL
O investimento integra o programa Agora Tem Especialistas e conta com recursos do Novo PAC Saúde, totalizando R$ 116 milhões destinados à ampliação e ao fortalecimento dos serviços de hemoterapia em 22 estados. A expectativa é que todos os 604 novos aparelhos sejam instalados até o primeiro trimestre de 2026.
Entre os equipamentos adquiridos estão blast-freezers e ultrafreezers — tecnologias inéditas no sistema público — que permitirão congelamento ultrarrápido e armazenamento em temperaturas extremamente baixas. A medida é considerada essencial para preservar a integridade das proteínas do plasma, garantindo qualidade industrial ao material destinado à Hemobrás, que poderá atingir processamento anual de até 500 mil litros.
EXPANSÃO DA PRODUÇÃO E FORTALECIMENTO DA AUTOSSUFICIÊNCIA
As ações de modernização vêm sendo implementadas ao longo dos últimos três anos e já apresentam resultados expressivos. Entre 2022 e 2025, a quantidade disponibilizada de plasma para a Hemobrás aumentou 288%, passando de 62,4 mil litros para 242,1 mil litros.
O ministro enfatizou a relevância da Hemobrás como maior fábrica de hemoderivados da América Latina e reforçou a importância da conservação adequada do plasma. Ele explicou: “Para você ter cada vez mais desenvolvimento de novas tecnologias para a imunoglobulina, nós construímos a Hemobrás, que passou a ter soberania nacional. E um dos passos importantes para o funcionamento da Hemobrás — para a gente aumentar a nossa soberania — é guardar bem esse plasma. Esse plasma precisa ser bem acondicionado, de forma rápida, congelado em condições adequadas após o processamento industrial”.
DOAÇÃO DE SANGUE E NECESSIDADE DE MATÉRIA-PRIMA
A ampliação da capacidade de armazenamento ocorre durante a semana nacional do doador de sangue. Em 2024, o Brasil registrou mais de 3,3 milhões de bolsas coletadas, representando 1,6% da população. Apesar disso, apenas 13% do plasma coletado é usado em transfusões; os demais 87% poderiam ser destinados à produção de hemoderivados, reforçando a importância de equipamentos adequados para conservação.
A demanda global por imunoglobulinas vem crescendo, elevando custos e pressionando o mercado internacional. A pandemia de covid-19 evidenciou essas fragilidades, com dificuldade de aquisição de imunoglobulina para tratamento de diversas doenças, o que reforça o caráter estratégico da produção nacional.
TECNOLOGIA 100% BRASILEIRA E REFERÊNCIA INTERNACIONAL
A Hemorrede pública brasileira é reconhecida internacionalmente por adotar integralmente o exame NAT, tecnologia molecular que identifica vírus antes mesmo da formação de anticorpos, oferecendo um dos maiores padrões de segurança transfusional do mundo. O ministro ressaltou ainda que a Fiocruz receberá investimento para uma nova fábrica em Santa Cruz, com aporte previsto de R$ 5 bilhões e potencial para elevar em 1% o PIB do Rio de Janeiro.
A Rede NAT, totalmente implementada desde 2011, analisa cerca de 3,5 milhões de amostras por ano. Entre seus destaques está o NAT Plus, kit desenvolvido por Bio-Manguinhos/Fiocruz, reconhecido como a primeira tecnologia capaz de detectar malária em testes de triagem de sangue. Além disso, o sistema possibilita detecção precoce de HIV, hepatite B e hepatite C.
Com informações da Secretaria de Comunicação Social





