Pequenos negócios ampliam a força das exportações catarinenses
As exportações catarinenses alcançaram um desempenho histórico em 2025, sustentadas principalmente pela atuação das micro e pequenas empresas (MPE), mesmo diante de um ambiente internacional instável e de medidas protecionistas impostas por grandes economias. O avanço consolidou Santa Catarina como um dos estados mais resilientes do país no comércio exterior, com crescimento acima da média nacional e forte impacto positivo sobre o emprego e o empreendedorismo.
Conteúdos
- EXPORTAÇÕES CATARINENSES GANHAM IMPULSO COM MICRO E PEQUENAS EMPRESAS
- PEQUENOS NEGÓCIOS LIDERAM GERAÇÃO DE EMPREGOS EM SANTA CATARINA
- AMBIENTE ECONÔMICO FAVORÁVEL ESTIMULA EMPREENDEDORISMO
- DIVERSIFICAÇÃO DE MERCADOS REDUZ IMPACTO DO PROTECIONISMO
- EXPERIÊNCIAS REGIONAIS MOSTRAM RESULTADOS CONCRETOS
- INVESTIMENTOS FORTALECEM COMPETITIVIDADE DAS MPE
- PLANEJAMENTO DE LONGO PRAZO SUSTENTA NOVO CICLO DE CRESCIMENTO
- CORREDORES LOGÍSTICOS INTEGRAM SANTA CATARINA AO MERCADO GLOBAL
- INFRAESTRUTURA AMPLIA CAPACIDADE EXPORTADORA DO ESTADO
EXPORTAÇÕES CATARINENSES GANHAM IMPULSO COM MICRO E PEQUENAS EMPRESAS
De acordo com o Boletim InfoEconomia SC, referente ao terceiro trimestre de 2025, as exportações realizadas por MPE catarinenses cresceram mais de 5% no período. O resultado indica uma estratégia consistente de inserção internacional, baseada na diversificação de mercados e na ampliação da competitividade, mesmo em um cenário marcado por incertezas geopolíticas e barreiras tarifárias.
O desempenho vai além dos números. Ele evidencia a maturidade do ecossistema empreendedor catarinense, que conseguiu transformar desafios externos em oportunidades, reduzindo a dependência de mercados tradicionais e explorando novos destinos comerciais.
PEQUENOS NEGÓCIOS LIDERAM GERAÇÃO DE EMPREGOS EM SANTA CATARINA
O protagonismo das micro e pequenas empresas também se refletiu de forma expressiva no mercado de trabalho. No acumulado de 2025, o segmento foi responsável pela criação de 64,5 mil novos postos de trabalho, o equivalente a 67,9% de todas as vagas abertas no estado. O dado reforça o papel estrutural dos pequenos negócios como base da economia catarinense.
Esse dinamismo contribuiu para que Santa Catarina registrasse crescimento de 5,5% na atividade econômica, superando com folga a média brasileira, além de manter a menor taxa de desemprego do país, estimada em 2,3%.
AMBIENTE ECONÔMICO FAVORÁVEL ESTIMULA EMPREENDEDORISMO
O contexto positivo também impulsionou a abertura de novos negócios. O saldo de empresas de pequeno porte chegou a 108,5 mil novas formalizações ao longo do ano, movimento puxado principalmente pelos microempreendedores individuais (MEIs). O indicador aponta confiança no ambiente econômico e na capacidade de expansão do mercado interno e externo.
“O Brasil é gigante, tem riqueza, povo empreendedor e vocação global. O Sebrae vem trabalhando para qualificar, capacitar e apoiar os pequenos negócios nesta jornada da exportação. Essa parceria que temos com a ApexBrasil para preparar os empreendedores para o mercado externo é fundamental”, afirma Décio Lima.
DIVERSIFICAÇÃO DE MERCADOS REDUZ IMPACTO DO PROTECIONISMO
O crescimento das exportações catarinenses ocorre em um contexto internacional desafiador. As vendas para os Estados Unidos recuaram cerca de 14,1% em 2025, impactadas por novas tarifas que atingiram setores estratégicos, como motores, madeira e móveis. A resposta das empresas do estado foi rápida e baseada na ampliação de destinos comerciais.
As pequenas empresas lideraram esse movimento de diversificação. As exportações para o Chile cresceram quase 40%, com destaque para produtos manufaturados e bens industriais. Mercados como Filipinas, Paraguai e Arábia Saudita passaram a registrar volumes recordes, sobretudo de proteína animal e itens da indústria de transformação. A retomada da economia argentina também favoreceu a demanda por componentes industriais produzidos em Santa Catarina.
EXPERIÊNCIAS REGIONAIS MOSTRAM RESULTADOS CONCRETOS
O avanço se reflete em diferentes regiões do estado. O empreendedor Leandro Lemos, da empresa Banana Brasil, comemora a ampliação das operações internacionais. “Temos o prazer de anunciar nesta semana o primeiro container para o Panamá e Costa Rica, que embarca hoje (15). E graças a missão que realizamos, por isso meu muito obrigado à equipe do Sebrae e Apex pela oportunidade”, afirmou.
No total, a estratégia adotada garantiu um crescimento de 5,1% nas exportações estaduais, protegendo a economia local de choques externos e reforçando a competitividade dos pequenos negócios.
INVESTIMENTOS FORTALECEM COMPETITIVIDADE DAS MPE
Além de ampliar mercados, as micro e pequenas empresas catarinenses investiram de forma significativa em 2025. Cerca de metade das MPE realizou aportes em infraestrutura, aquisição de equipamentos e ações de marketing, com foco na ampliação da capacidade produtiva e na melhoria do posicionamento internacional.
Na inauguração da nova sede da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), o presidente do Sebrae, Décio Lima, destacou o papel de Santa Catarina como referência nacional. “A competição no mercado global pode motivar melhorias na qualidade dos nossos produtos e serviços, aumento da eficiência e redução de custos das exportações”, destacou.
PLANEJAMENTO DE LONGO PRAZO SUSTENTA NOVO CICLO DE CRESCIMENTO
Os resultados de 2025 são interpretados como base para um novo ciclo de desenvolvimento. A avaliação do Sebrae Nacional é de que o desempenho catarinense está diretamente associado a um ambiente econômico mais previsível e à retomada do planejamento de longo prazo pelo governo federal.
Nesse contexto, Santa Catarina passou a ocupar posição estratégica nos planos do Ministério do Planejamento e Orçamento, especialmente em projetos voltados à logística e à ampliação do comércio internacional.
CORREDORES LOGÍSTICOS INTEGRAM SANTA CATARINA AO MERCADO GLOBAL
Um dos principais eixos dessa estratégia é o programa Rotas de Integração Sul-Americana, que organiza corredores logísticos continentais integrando rodovias, ferrovias, portos e fronteiras. Duas dessas rotas passam por Santa Catarina.
A Rota Bioceânica de Capricórnio conecta o Centro-Oeste e o Sul do Brasil ao Paraguai, Argentina e Chile, posicionando o estado como elo estratégico entre os oceanos Atlântico e Pacífico. Já a Rota Bioceânica do Sul fortalece a integração com Argentina, Uruguai e Chile, ampliando alternativas logísticas para a indústria e o agronegócio catarinense.
INFRAESTRUTURA AMPLIA CAPACIDADE EXPORTADORA DO ESTADO
Paralelamente, avançam investimentos federais em infraestrutura viária e logística em Santa Catarina. Projetos como a duplicação da BR-470 e da BR-280, além de melhorias na BR-163 e na BR-282, fazem parte do Novo PAC e buscam reduzir gargalos históricos de acesso aos portos e polos produtivos.
A agenda ferroviária também ganha destaque, com iniciativas como a Ferrovia dos Portos, no Norte do estado, e a conexão do Oeste catarinense à malha nacional. A integração entre rodovias, ferrovias e portos consolida Santa Catarina como um dos principais hubs logísticos do Sul do Brasil e amplia o potencial das exportações catarinenses nos próximos anos.





