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Saída da Convenção do Clima é gol contra para os EUA, afirma secretário-executivo da UNFCCC

A saída dos Estados Unidos (EUA) de dezenas de organismos multilaterais, incluindo a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, conhecida como Convenção do Clima, e o Fundo Verde do Clima, tende a gerar efeitos globais relevantes e consequências ainda mais severas para a própria sociedade norte-americana. A avaliação é do secretário-executivo da UNFCCC, Simon Stiell, ao comentar a decisão anunciada pelo governo de Donald Trump.

Segundo Stiell, a retirada também abrange o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, o IPCC, órgão científico da ONU responsável pela produção de relatórios que orientam políticas públicas relacionadas ao aquecimento global. Na análise do dirigente, a decisão representa um retrocesso estratégico de grandes proporções para os próprios Estados Unidos.

CONVENÇÃO DO CLIMA E O PAPEL HISTÓRICO DOS EUA

Os Estados Unidos tiveram participação decisiva na criação da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas e do Acordo de Paris, instrumentos centrais da governança climática internacional. Para Simon Stiell, ambos sempre estiveram alinhados aos interesses nacionais norte-americanos, ao promover estabilidade econômica, inovação tecnológica e segurança climática.

“Os Estados Unidos foram fundamentais na criação da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas e do Acordo de Paris, pois ambos são inteiramente do interesse nacional. Enquanto todas as outras nações avançam juntas, esse novo retrocesso em relação à liderança global, à cooperação climática e à ciência só pode prejudicar a economia, os empregos e o padrão de vida dos EUA, à medida que incêndios florestais, enchentes, mega tempestades e secas pioram rapidamente. É um gol contra colossal que deixará os Estados Unidos menos seguros e menos prósperos”, afirmou, em nota.

O anúncio oficial indica que os EUA deixaram, ao todo, 66 organizações internacionais, conforme comunicado divulgado nesta quarta-feira (7).

IMPACTOS ECONÔMICOS E SOCIAIS DA SAÍDA DA CONVENÇÃO DO CLIMA

A UNFCCC é o organismo da Organização das Nações Unidas responsável pela realização anual da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP. A edição mais recente, a COP30, ocorreu em novembro do ano passado, em Belém.

Na avaliação de Simon Stiell, a decisão norte-americana deve resultar, na prática, em aumento de custos para famílias e empresas dos Estados Unidos, especialmente nos setores de energia, alimentos, transporte e seguros. O dirigente relaciona esse cenário ao avanço das energias renováveis, que se tornam progressivamente mais baratas que os combustíveis fósseis, e ao agravamento de eventos climáticos extremos que afetam safras, infraestrutura e atividades econômicas.

Além disso, Stiell alerta para os efeitos da volatilidade dos preços de petróleo, carvão e gás, que tendem a intensificar conflitos, instabilidade regional e processos de migração forçada.

REAÇÃO DO INSTITUTO TALANOA E O CENÁRIO MULTILATERAL

Para o Instituto Talanoa, organização não governamental brasileira dedicada ao debate climático, a decisão dos EUA de abandonar o IPCC e a Convenção do Clima da ONU inaugura um novo momento de tensão política em meio à crise climática global.

“É um recuo que enfraquece a credibilidade americana, mas não determina sozinho o rumo da governança climática global. Se outros países seguirem Trump ou se os demais não assumirem a responsabilidade de liderar, este será um momento de baixa, com custos reais em coordenação, ambição e financiamento. Se novas lideranças se apresentarem, o sistema pode atravessar esse período sem colapso. A diferença estará na reação coletiva e ela precisa ser rápida”, observou.

De acordo com Natalie Unterstell, presidente do Instituto Talanoa, o regime multilateral segue operando, mas a expectativa é de queda imediata no financiamento climático internacional, o que pode comprometer projetos em países em desenvolvimento.

ENERGIA, FUNDO VERDE DO CLIMA E A POSIÇÃO DO GOVERNO TRUMP

Ao justificar a saída do Fundo Verde do Clima, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, classificou a instituição como uma organização radical. Em nota oficial, citou o presidente Donald Trump ao afirmar que o país não continuará financiando iniciativas consideradas incompatíveis com as prioridades do governo.

“Nossa nação não financiará mais organizações radicais como o GCF, cujos objetivos contrariam o fato de que energia acessível e confiável é fundamental para o crescimento econômico e a redução da pobreza”, afirmou.

Segundo Bessent, os Estados Unidos mantêm o compromisso com o avanço de fontes de energia acessíveis e confiáveis. No entanto, como o Fundo Verde do Clima foi criado para complementar os objetivos da UNFCCC, a permanência no mecanismo foi considerada incompatível com as metas estabelecidas pela atual administração norte-americana.

Com informação da Agência Brasil

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Raul Frutuoso

Raul Lorenzo Frutuoso é um profissional da comunicação com cinco anos de experiência em jornalismo e marketing digital. Já atuou como redator e editor de vídeo no portal ND+. Também integrou a equipe de assessoria de imprensa do Colégio Catarinense, contribuindo com a gestão de mídias sociais, campanhas institucionais e produções audiovisuais.

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