Empreendedores catarinenses têm renda 38% acima da média nacional
Santa Catarina reúne cerca de 1,3 milhão de empreendedores, o equivalente a 4,3% de todos os empreendedores do Brasil, segundo levantamento do Observatório de Negócios do Sebrae/SC com base na PNAD Contínua do IBGE (3º trimestre de 2025). O dado chama atenção pelo perfil mais formalizado, pela renda superior à média nacional e pela concentração no setor de serviços.
O recorte ajuda a explicar por que o ambiente de negócios catarinense é considerado mais estruturado e dinâmico neste momento, em um cenário nacional de desafios econômicos. Para quem empreende ou pretende abrir um negócio no estado, os números indicam oportunidades, mas também apontam gargalos que ainda precisam ser enfrentados.
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EMPREENDEDORES CATARINENSES IMPULSIONAM O SETOR DE SERVIÇOS
O estudo mostra que 42,1% dos empreendedores catarinenses atuam no setor de serviços, o que representa quatro em cada dez negócios no estado. Na sequência aparecem o comércio, com 17,6%, e a agropecuária, com 14,7%. A predominância dos serviços reforça o peso das atividades urbanas e do consumo interno na economia catarinense.
Esse perfil setorial influencia diretamente a geração de renda e a dinâmica do mercado de trabalho local, especialmente em cidades médias e grandes, onde serviços como alimentação, saúde, educação e tecnologia concentram boa parte das oportunidades.
RENDA MÉDIA SUPERA EM 38% A DO BRASIL
Entre os principais destaques do levantamento está o rendimento médio mensal. Empreendedores que atuam por conta própria em Santa Catarina recebem, em média, R$ 4.194, valor 38% acima da média nacional. Já entre os empregadores, a renda média chega a R$ 9.672.
A dedicação à atividade também é maior: a jornada semanal média é de 41,5 horas, cerca de três horas acima do padrão brasileiro. O dado indica maior intensidade de trabalho e envolvimento direto com o negócio, fator que ajuda a explicar o desempenho econômico superior.

PERFIL DEMOGRÁFICO REVELA AVANÇOS E DESAFIOS
Os empreendedores catarinenses são majoritariamente homens (63,4%), enquanto as mulheres representam 36,6% do total — participação ainda assim 2,3 pontos percentuais acima da média nacional. A faixa etária predominante está entre 40 e 59 anos, concentrando 44,9% dos empreendedores.
Em relação à escolaridade, 39,7% têm ensino médio completo e 32,9% possuem ensino superior. O levantamento também aponta que a maioria é responsável pelo domicílio, reforçando o papel do empreendedor como principal sustentação financeira da família.
Por outro lado, os dados evidenciam a baixa diversidade racial no empreendedorismo estadual: 83,8% se declaram brancos, 13% pardos e apenas 2,5% pretos. O cenário expõe a necessidade de políticas e programas que ampliem o acesso de pessoas negras ao ambiente de negócios em Santa Catarina.

FORMALIZAÇÃO É MAIOR, MAS INFORMALIDADE AINDA PREOCUPA
Santa Catarina apresenta uma taxa de informalidade 15 pontos percentuais menor que a média brasileira e registra 6,4 pontos percentuais a mais de empreendedores com ensino superior em relação ao país. Ainda assim, o índice de informalidade segue elevado, atingindo 50,4% dos empreendedores no estado.
O dado mostra que, apesar dos avanços em qualificação e estrutura, metade dos negócios ainda opera fora da formalidade, o que limita acesso a crédito, proteção social e políticas públicas de apoio.
LEVANTAMENTO APONTA CAMINHOS PARA POLÍTICAS DE APOIO
De forma geral, o estudo caracteriza o empreendedor catarinense como homem branco, entre 40 e 59 anos, com escolaridade média ou superior, atuação no setor de serviços, trabalho por conta própria e rendimento médio mensal de R$ 4.194.
Para o gerente de Gestão Estratégica do Sebrae/SC, Roberto Füllgraf, o cenário combina pontos fortes e desafios. “Os dados confirmam que Santa Catarina possui um ambiente favorável aos negócios, com empreendedores mais qualificados, formalizados e com maior capacidade de geração de renda. O Sebrae atua para fortalecer esse ecossistema de forma cada vez mais inclusiva, promovendo políticas e ações contínuas de apoio ao pequeno negócio para todos”, destaca Roberto.
O QUE ESPERAR A PARTIR DESSES DADOS
Os números do Perfil do Empreendedor Catarinense devem servir de base para novas políticas públicas, programas de capacitação e iniciativas voltadas à inclusão e à formalização. Para quem já empreende, o levantamento funciona como um retrato atualizado do mercado. Para quem pretende iniciar um negócio, os dados ajudam a entender onde estão as oportunidades e quais desafios ainda precisam ser superados em Santa Catarina.

Com informações da Agência Sebrae





