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O sul é o meu país? – Artigo por Jéferson Silveira Dantas

O ideário da extrema-direitização no sul do Brasil vem colhendo frutos iníquos, sintomas transparentes de uma sociedade adoecida, parva e perversa, que podem ser traduzidos em feminicídios sistemáticos, barbárie contra animais por jovens delinquentes da burguesia local de Florianópolis, ou por sujeitos que trafegam em seus carros espaçosos – como se estivessem em Miami – com uma suástica no vidro traseiro. Além disso, conquistas históricas como as cotas étnico-raciais para ingresso nas universidades públicas, foram derrubadas pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina e sancionada pelo governador, mistagogo do ultraconservadorismo barriga-verde!

O movimento ‘O Sul é o meu país’ que surgiu no início da década de 1990, apresenta como retórica argumentativa de que os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul são sub-representados em Brasília, dadas as disparidades sociais, econômicas e culturais em relação ao restante do país. Em outras palavras, para esse movimento, o PIB regional dos três entes federativos não teriam as ‘justas’ contrapartidas, que necessitam ser divididas/socializadas com outros entes federativos. Talvez fosse desnecessário dizer que os/as separatistas se consideram europeus e os/as únicos/as que trabalham no Brasil, ou seja, um perigoso caldo xenofóbico que permanece até os dias de hoje, numa conjuntura nacional e internacional de avanços neofascistas, que estão gerando autocracias, o desrespeito aos direitos internacionais e soberanias nacionais e um processo de ultraviolência contra a classe trabalhadora numa escala sem precedentes!

Na área do Direito, segundo estudos de Cristiane Menezes e Matheus Paz Martins da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) no Rio Grande do Sul, uma teoria robusta sobre interculturalidade deveria discutir as diferenças, as desigualdades e suas (des)conexões históricas, levando-se em consideração um território vasto e plural como é o caso do Brasil, caso contrário, culturas bairristas simplificadoras geram intolerâncias e discursos de ódio, algo extremamente banalizado nas redes sociais. Ainda segundo Menezes e Paz Martins a pseudo ‘liberdade de expressão’ nas redes sociais além de deflagrarem discursos de ódio, promovem atos reiterados de violação dos direitos humanos. A desregulamentação das redes sociais e a leniência deliberada das big techs têm permitido sem qualquer restrição as anomias, impunidades, segregacionismos e psicopatias.

Qualquer coisa que se possa dizer nos tempos atuais sobre a dessensibilização humana, destruição ambiental, adultos adolescentizados sem limites etc., parecem não ter eco! Há um gosto amargo nesse tempo histórico de derrotismos e de poucas perspectivas alentadoras, já que a alienação religiosa em conluio com governos autoritários vêm arrebanhando cada vez mais uma massa humana incapaz de discernir questões elementares sobre história, política, cultura e civilidade. E o que é mais trágico: os que cometem crimes são recompensados por uma viagem à Disney!


Jéferson Silveira Dantas, Bacharel Licenciado em História, Historiador (Registro Profissional 0000151/SC), Mestre e Doutor em Educação pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Professor Associado I no Departamento de Estudos Especializados em Educação do Centro de Ciências da Educação da UFSC (EED/CED/UFSC). Membro e pesquisador do Grupo de Estudos sobre Política Educacional e Trabalho (GEPETO), vinculado ao Centro de Ciências da Educação da UFSC. Professor Tutor do Programa de Educação Tutorial (PET) do Curso de Graduação em Pedagogia (2022-2025).


 
 

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