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Carol De Toni anuncia saída do PL após interferência da direção nacional do partido

A crise interna no PL catarinense em torno das vagas ao Senado na chapa de Jorginho Mello, que todos davam como encerrada, voltou à tona ontem, 4, com o anúncio de que a deputada federal Caroline De Toni irá deixar o partido. O capítulo derradeiro desta novela foi uma conversa entre a parlamentar e o presidente nacional da sigla, Valdemar da Costa Neto. Na ocasião, ele afirmou não haver espaço para a candidatura de Carol ao Senado no projeto do PL catarinense, pois ela prejudicaria o acordo nacional firmado entre o partido e a Federação União Progressista — que tem Esperidião Amin como seu candidato à Câmara Alta. 

Segundo informações do Metrópoles, Valdemar havia oferecido a De Toni duas saídas: buscar a reeleição e aceitar a liderança do partido na Câmara em 2027 ou ser a vice de Jorginho, rompendo o acordo que o governador firmou com Adriano Silva na semana passada. A parlamentar foi irredutível. De reunião marcada com Jorginho e Valdemar na noite de ontem, antes mesmo de se encontrar com os dois, ela anunciou à imprensa que deixaria o partido.

A decisão de Carol não vem de hoje — quando a mesma crise estourou no final do ano passado, ela já havia ensaiado uma saída do partido. No entanto, por conta do estado avançado de sua gravidez, e do período puerpério, adiou a decisão para o início de 2026. Neste meio tempo, a poeira acabou por baixar, e com a dobradinha PL/Novo na majoritária, tudo parecia levar a crer que a situação estava resolvida, e que Jorginho montaria uma chapa pura para o Senado, com ela e Carlos Bolsonaro como seus candidatos. 

Esse arranjo, no entanto, colocaria Amin de escanteio — prejudicando toda a articulação entre o PL e a Federação União Progressista feita a nível nacional. 

O acordo 

O PL de Valdemar tem trabalhado para tornar viável a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência. Parte dessa construção é um acordo elaborado com a direção nacional da União Progressista, que hoje é o maior agrupamento partidário do Brasil, e conta com um considerável fundo eleitoral e tempo de televisão — ativos que trariam peso considerável para o projeto liberal. Esse acordo, no entanto, tem uma condição que afeta o cenário catarinense: que Esperidião Amin seja colocado como candidato a senador na chapa de Jorginho. 

Tudo indicava que essa condição seria desrespeitada por Jorginho Mello, que goza de certa autonomia para decidir os rumos do PL no estado. Entretanto, em uma entrevista à Jovem Pan realizada nesta semana, Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, cobrou de Valdemar o cumprimento dessa cláusula do acordo. O presidente do PL, então, teve que agir para evitar pôr a aliança nacional a perder.

Segundas intenções

Carol deu entrevista à Rádio Studio FM, de Jaraguá do Sul, na manhã de hoje, e revelou outro detalhe do acordo entre as duas legendas: ela não poderia ser candidata ao Senado, por exigência do PP, para não prejudicar a candidatura de Esperidião Amin. 

“Algo que o PP pediu foi a vaga do Amin. E não foi só pedir a vaga dele, mas condicionar o acordo a que eu não fosse candidata ao Senado, justamente para não atrapalhar a viabilidade eleitoral do Amin. Ou seja, o Amin queria a garantia de que eu não fosse candidata”, contou Carol. Ela explicou ainda que, segundo o entendimento do PP, mesmo que ela saísse do PL para se lançar candidata, o acordo não seria considerado cumprido. O plano então, seria mantê-la na sigla, e escanteá-la com outras promessas. A conversa de “chapa pura” nunca fora mais que isso: uma conversa. 

A deputada federal hoje lidera as intenções de voto para o Senado em Santa Catarina. A última pesquisa divulgada pela Neokemp, em dezembro, mostra ela na liderança, com 28,6% das intenções de voto, seguida por Carlos Bolsonaro, que soma 25%. Amin figura em terceiro lugar, com 16,3%. Os dados não mentem, e o PP reconhece: com Carol e Carlos na disputa, Amin perde sua cadeira no Senado. Como o sobrenome torna Carlos intocável, a única saída para Amin é derrubar Carol. 

A saída de Carol de Toni do PL

Para Carol, permanecer no PL se tornou insustentável. Aceitar a proposta de Valdemar e buscar a reeleição significa deixar para 2034 seus planos para o Senado, uma vez que em 2030, apenas uma vaga para a Câmara Alta estará em disputa, e tudo indica que Jorginho Mello será o candidato da vez. Com as pesquisas mostrando um cenário tão favorável a ela na corrida pelo Senado em 2026, a saída lógica é buscar uma outra sigla que possa abrigar sua candidatura. 

Seu destino mais provável é o Novo, com quem ela já vinha conversando desde o final do ano passado. No entanto, há uma complicação nesse arranjo, pois o partido está construindo chapa com Jorginho, no fim das contas. Ainda que a legislação permita que uma sigla lance candidato independente ao Senado, mesmo que já faça parte de uma coligação, uma eventual candidatura de Carol pela legenda poderia levar o PP a entender que o acordo com o PL não estaria sendo cumprido.

Há quem diga que a articulação com Adriano Silva foi uma jogada ensaiada por Jorginho para conter a saída de Carol do PL. Fato é que convites de outros partidos não faltam. MDB, Avante, Podemos e PRD são alguns que já entraram em contato com a parlamentar.

Convite do PSD

Enquanto o PL catarinense resolvia seus problemas internos em Brasília, em Florianópolis a executiva estadual do PSD se reuniu para discutir seu projeto político em Santa Catarina. Do encontro vieram alguns encaminhamentos: a definição da candidatura de João Rodrigues ao governo, alinhada à pré-candidatura de Ratinho Júnior à presidência, e o convite formal a Carol de Toni para que se filie ao partido. 

Essa proposta veio ainda com um bônus: Carol seria a única candidata da chapa de João Rodrigues ao Senado. Dessa maneira, poderia seguir com sua dobradinha com Carlos Bolsonaro, e evitaria se queimar com o clã. O problema é que, nesse arranjo, ela teria que abandonar Jorginho e fazer campanha pelo prefeito de Chapecó. Em declarações anteriores, ela já afirmou que apoiará a reeleição do governador mesmo fora do PL. A articulação com o PSD, portanto, tem percalços. 

O futuro

Apesar de ter já feito o anúncio, Carol ainda tem tempo para negociar com outras legendas e considerar todos os prós e contras de cada possibilidade. A janela partidária se encerra no dia 4 de abril — até lá, saberemos com mais certeza como se organizará não apenas ela, mas também o PL catarinense, o União Progressista e o PSD de João Rodrigues. 

É preciso reconhecer que Carol De Toni tem peso considerável na política catarinense hoje e para Jorginho Mello, deixá-la de fora de seu projeto eleitoral com certeza é uma decisão difícil. No fim, ele precisou escolher entre um ativo estadual e um acordo firmado nacionalmente — e claro, os pesos são diferentes. O que não muda é o cenário da corrida para o Senado em Santa Catarina: Amin e o PP pensaram que poderiam neutralizar a pré-candidata nos bastidores, mas no fim ainda precisarão enfrentá-la nas urnas. Ela só estará concorrendo sob um número diferente. 

 

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Mateus Spiess

Jornalista graduado pela UFSC, tem experiência como repórter e assessor de comunicação em órgãos públicos, projetos culturais e empresas. Seus trabalhos são voltados para a cobertura de pautas ambientais, políticas e culturais em SC.

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