Fim da escala 6×1 é defendido por deputada catarinense como alívio para dupla jornada feminina
Ana Paula Lima leva ao Congresso Nacional debate sobre os impactos da escala 6x1 sobre as mulheres trabalhadoras
A deputada federal Ana Paula Lima voltou a defender publicamente o fim da escala 6×1 como prioridade na agenda trabalhista do Congresso Nacional. Em vídeo divulgado nas redes sociais, a parlamentar rebate críticas à proposta e afirma que a mudança pode reduzir danos à saúde mental de milhões de trabalhadores, com efeitos diretos na vida das mulheres.
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A manifestação ocorre em um momento de crescimento dos afastamentos por transtornos psicológicos no Brasil e de intensificação do debate sobre jornadas exaustivas. Para a deputada, manter seis dias consecutivos de trabalho com apenas um de descanso amplia desigualdades e compromete a qualidade de vida da população economicamente ativa.
Conteúdos
FIM DA ESCALA 6X1 E A SAÚDE MENTAL DOS TRABALHADORES
No vídeo, Ana Paula questiona os argumentos contrários à proposta e afirma que a mudança não provocaria crise econômica nem desemprego. “Você ainda acha que acabar com a escala 6×1 vai quebrar o Brasil?”, pergunta.
Em seguida, sustenta que o problema central está no desgaste humano. “Não vai quebrar o Brasil. O que vai quebrar é a saúde de quem trabalha seis dias seguidos e só tem um para descansar, cuidar da família, resolver a vida”, declara.
Segundo a parlamentar, os impactos para as empresas seriam limitados, enquanto os ganhos sociais seriam amplos. “O que muda de verdade é a vida de milhões de trabalhadores e trabalhadoras. Mais descanso. Mais dignidade. Mais qualidade de vida.”
DADOS DE AFASTAMENTOS REFORÇAM O DEBATE
A defesa da proposta se apoia em números recentes sobre saúde mental no país. Em 2025, o Brasil registrou mais de 546 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais e comportamentais, com ansiedade, depressão e burnout entre as principais causas de licença médica.
Para a deputada, jornadas prolongadas e sem intervalos adequados estão diretamente ligadas ao avanço desses indicadores. Ela argumenta que discutir a escala 6×1 exige olhar para a realidade social e para os custos humanos do atual modelo de organização do trabalho.
MULHERES SÃO AS MAIS AFETADAS PELA JORNADA 6X1
Ana Paula Lima destaca que o impacto da escala 6×1 é ainda mais intenso sobre as mulheres. Elas representam cerca de 44% da força de trabalho formal, mas dedicam quase o dobro do tempo aos afazeres domésticos e ao cuidado de familiares em comparação aos homens.
Na prática, muitas enfrentam dupla jornada. “Para muitas mulheres, o único dia de descanso é o dia de cuidar da casa. Isso não é descanso, é sobrecarga”, afirma.
A deputada associa a revisão da jornada a políticas de promoção da igualdade de gênero e de proteção à saúde mental, apontando que a estrutura atual aprofunda desigualdades já existentes no mercado de trabalho.
PRESSÃO SOCIAL PARA AVANÇO DA PAUTA NO CONGRESSO
No vídeo, a parlamentar também convoca a sociedade a participar do debate e pressionar o Legislativo. “A pergunta é simples: você é contra ou a favor de quem trabalha?”, diz, ao defender que a discussão seja baseada em dados e não apenas em projeções econômicas.
A atuação da deputada no tema se soma a outras iniciativas ligadas aos direitos trabalhistas e à construção de um modelo de desenvolvimento que priorize condições dignas de trabalho. A pauta do fim da escala 6×1 segue em debate no Congresso e tende a ganhar novos capítulos conforme o tema da saúde mental avança no centro das políticas públicas.





