Com a presença de cinco mulheres, chapa de Merísio em SC aposta na representatividade feminina para 2026

A apresentação da chapa da Frente Democrática para as eleições de 2026, encabeçada por Gelson Merísio (PSB), revelou um diferencial competitivo em relação aos adversários: o protagonismo feminino. Enquanto as demais candidaturas postas no cenário catarinense são majoritariamente masculinas, o time de Merísio chega com cinco mulheres entre as oito vagas da majoritária — considerando governo, vice e suplências ao Senado.
Essa característica da chapa foi abordada pelo próprio Merísio durante a coletiva de imprensa do Campo Democrático. Segundo ele, a escolha de composição da chapa não é eleitoral, mas uma tentativa de resgate da imagem do Estado — que, segundo ele, encontra-se extremamente desgastada. Com uma construção que ele classifica como plural, o pré-candidato ao governo destacou que busca com seu projeto demonstrar a “fotografia real de Santa Catarina”, combatendo rótulos negativos de violência que têm sido associados ao estado nos últimos anos.
O protagonismo feminino em sua chapa começa pela escolha de sua pré-candidata a vice-governadora: a ex-deputada Ângela Albino (PDT). Figura histórica na esquerda catarinense, ela foi vereadora por Florianópolis e ocupou uma cadeira na Assembleia Legislativa entre 2011 e 2015. Ângela teve também uma passagem pela Câmara Federal, de 2015 a 2017, quando assumiu a suplência do então deputado César Souza (PSD).

Para ela, a composição feminina da Frente de Centro-Esquerda é motivo de orgulho. Durante seu discurso, ela destacou que a presença feminina na construção não é pela aparência, mas pelo peso político que as integrantes do projeto carregam. “Nossa chapa empodera as mulheres não apenas em fotos ou números, mas na construção de um projeto; não viemos para fazer uma foto bonita, viemos fazer política grande”, afirmou ela.
Ângela também trouxe para o debate a urgência de políticas públicas específicas para as mulheres no Estado. Ela apontou que Santa Catarina vive um cenário de “desigualdade salarial brutal”, e destacou os índices elevados de violência de gênero e de feminicídios registrados em território catarinense. Segundo ela, o projeto da Frente Democrática assume o compromisso de apresentar soluções concretas para esses problemas estruturais. Além de sua candidatura, ela e a ex-senadora Ideli Salvatti terão papel de destaque na coordenação do plano de governo.
Conheça as mulheres que compõem a frente de esquerda em SC
Além de Ângela Albino, a chapa da centro-esquerda catarinense conta com quatro mulheres a ocupar as suplências das vagas para o Senado. Ao lado de Décio Lima (PT), o primeiro pré-candidato à Câmara Alta no projeto de Merísio, estão Elaine Cristina Huber (PDT) e Fernanda Klitzke.

Elaine é farmacêutica e servidora pública, e esposa do ex-senador Dário Berger (PDT). Já Fernanda Klitzke é advogada especialista em Direito Tributário, e empresária de Jaraguá do Sul, município onde já exerceu também o cargo de Controladora-Geral.
Já ao lado de Afrânio Boppré (PSOL) está a militante histórica do PT Luci Choinacki, que volta de sua aposentadoria para participar da construção da chapa. Luci é conhecida por sua atuação na luta pela terra e pelos pequenos agricultores, e estava até então afastada da política. A segunda suplência da vaga de Afrânio fica com Aparecida da Silva (PT), que construiu sua trajetória política como militante do movimento negro e foi secretária municipal de Assistência Social em Laguna.






