Comitê Integra encerra ciclo de seminários em SC com alerta sobre riscos e prevenção nas escolas
O Comitê Integra concluiu, nesta semana, o ciclo de seminários sobre segurança escolar em Santa Catarina, com um alerta direto: situações de violência podem acontecer e exigem preparo imediato. O último encontro, realizado em São Bento do Sul, foi marcado por uma simulação impactante que expôs vulnerabilidades e reforçou a necessidade de ação coordenada.
A iniciativa percorreu diferentes regiões do estado com foco na capacitação de profissionais da educação, segurança e demais integrantes da rede de proteção.
Conteúdos
- SIMULAÇÃO REALISTA EXPÕE FALHAS E TESTA REAÇÃO
- COMITÊ INTEGRA MOBILIZA ESTADO PARA PREVENÇÃO
- PLANO MULTIRRISCOS GANHA DESTAQUE ENTRE AS AÇÕES
- PROTOCOLOS DE AÇÃO SÃO DIFUNDIDOS ENTRE PROFISSIONAIS
- ESCOLAS ADOTAM MEDIDAS E RELATAM AVANÇOS
- COMITÊ INTEGRA SEGUE COM NOVAS AÇÕES NO ESTADO
- PRÊMIO PAZ NAS ESCOLAS INCENTIVA PARTICIPAÇÃO DE ESTUDANTES
SIMULAÇÃO REALISTA EXPÕE FALHAS E TESTA REAÇÃO
O encerramento foi marcado por uma encenação que simulou a invasão de uma escola. Durante o exercício, um homem mascarado avançou com uma arma branca, provocando pânico, correria e desorganização.
A atividade, apesar de fictícia, reproduziu com fidelidade situações possíveis, colocando os participantes diante de decisões rápidas e críticas.
A proposta foi demonstrar, na prática, como a falta de preparo pode agravar riscos e como protocolos bem definidos podem salvar vidas.
COMITÊ INTEGRA MOBILIZA ESTADO PARA PREVENÇÃO
O ciclo de encontros integra as ações do Comitê Integrado para Cidadania e Paz nas Escolas (Integra), coordenado pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc).
A diretora adjunta de Comunicação da Alesc, Patrícia Amorim, destacou o caráter coletivo da iniciativa.
“A Alesc, em parceria com outras 20 instituições, tem ido às regiões de Santa Catarina para capacitar educadores e profissionais da segurança, levando subsídios sobre como agir em situações de combate ao bullying e à violência escolar. O Comitê Integra nasce de uma dor, de um período muito impactante para os catarinenses após as tragédias de Saudades e Blumenau. E a resposta precisava ser coletiva.”
Segundo ela, o objetivo é estruturar respostas integradas e permanentes.
“O que queremos é levar uma solução completa para um problema que não pode ser resolvido de forma pontual. Além da segurança, buscamos fomentar uma cultura de paz.”
A gestora também ressaltou o impacto emocional das ações.
“Como mãe, saber que existe um comitê pensando na segurança dos nossos filhos traz alívio. Não é uma ação pontual. É contínua. São estratégias pensadas para evitar que a violência aconteça.”
“Não podemos ser indiferentes ao ouvir o relato de um pai que afirma que o silêncio ecoa em uma casa após uma tragédia. Isso marca. Não é só estatística. É humano. É real.”
PLANO MULTIRRISCOS GANHA DESTAQUE ENTRE AS AÇÕES
Entre as ferramentas apresentadas, o Plano de Contingência Multirriscos (PlanCon Edu-MR/SC) foi apontado como uma das principais estratégias.
A gerente de Educação e Pesquisa da Defesa Civil, Regina Panceri, destacou o alcance do projeto.
“Estamos falando de mais de 6 mil escolas e cerca de 2 milhões de estudantes. É um impacto enorme. E, mais do que proteger, estamos formando uma geração que saberá como agir diante de situações de risco.”
De acordo com ela, o plano busca transformar comportamento e cultura.
“Estamos implantando a educação para redução de riscos e desastres. Isso transforma comportamento e torna o estado mais preparado.”
A iniciativa prevê a criação de comitês em diferentes níveis e a elaboração de planos específicos para cada escola, envolvendo forças de segurança, saúde, educação e órgãos de controle.
PROTOCOLOS DE AÇÃO SÃO DIFUNDIDOS ENTRE PROFISSIONAIS
Durante os seminários, também foram apresentados protocolos de resposta a situações extremas.
O coordenador de Polícia Comunitária, major PM Leonardo Baccin, destacou a necessidade de mudança cultural.
“O brasileiro ainda não tem o hábito de se preparar para situações críticas. E é isso que estamos tentando mudar.”
Entre as orientações, está o protocolo “fugir, esconder, lutar”, considerado essencial em cenários de ataque.
“Trabalhamos com o protocolo ‘fugir, esconder, lutar’. São atitudes simples, mas que fazem diferença em situações extremas.”
ESCOLAS ADOTAM MEDIDAS E RELATAM AVANÇOS
Na rede de ensino, mudanças estruturais já estão em curso. O supervisor regional de Educação, Arnaldo Medeiros, apontou avanços após episódios recentes de violência.
“Hoje nossas escolas estão mais preparadas. Professores passaram por capacitação e sabem como agir diante de situações fora do normal.”
“Instalamos botões de pânico, reforçamos o controle de acesso, ampliamos a presença de segurança. Foi uma resposta necessária.”
Segundo ele, os estudantes também percebem os efeitos.
“Eles se sentem mais seguros. E isso impacta diretamente no ambiente escolar.”
A diretora Danielli Godeaki Grien reforçou as transformações no cotidiano escolar.
“Hoje temos reconhecimento facial, cercas mais altas, controle rigoroso de entrada. Tudo foi repensado.”
Apesar disso, ela alerta para a necessidade de vigilância constante.
“A sensação de segurança aumentou, mas sabemos que o risco nunca é zero. Por isso, seguimos atentos, ajustando e melhorando. A participação coletiva é essencial. Famílias, professores, gestão e poder público precisam caminhar juntos. Toda ação que soma ajuda a tornar o ambiente mais seguro.”
COMITÊ INTEGRA SEGUE COM NOVAS AÇÕES NO ESTADO
A deputada Paulinha (Podemos), coordenadora do Comitê Integra, reforçou a importância da mobilização contínua.
“Quando a violência atinge a escola, que deveria ser o espaço mais protegido da sociedade, é sinal de que algo muito sério está acontecendo. E nós precisamos agir.”
Mesmo com o encerramento do ciclo de seminários, as ações seguem em andamento.
PRÊMIO PAZ NAS ESCOLAS INCENTIVA PARTICIPAÇÃO DE ESTUDANTES
Como continuidade das iniciativas, foi lançado o projeto “Paz nas Escolas”, voltado à participação estudantil no enfrentamento à violência.
Alunos do ensino fundamental e médio, das redes pública e privada, podem enviar vídeos com propostas, reflexões e iniciativas relacionadas ao combate ao bullying e à promoção da cultura de paz.
As inscrições são gratuitas e seguem abertas até 29 de maio, pelo e-mail [email protected].
Os trabalhos selecionados serão premiados e divulgados nos canais institucionais da Alesc.
Patrícia Amorim destacou a importância de ouvir quem vivencia o ambiente escolar diariamente.
“Um edital aberto pela Alesc convida estudantes de todo o estado a produzirem vídeos sobre combate ao bullying, respeito e cultura de paz. Mais do que capacitar, queremos ouvir quem está na base: estudantes e professores.”





