SC preparada para o amanhã: o papel da educação superior em um estado em crescimento – por Mauricio Pereira Gomes

O ensino superior se consolida como um dos principais motores de desenvolvimento em Santa Catarina, especialmente diante de um cenário econômico aquecido e em constante transformação. Segundo o IBGE, em dados divulgados em 2025, o estado registra taxa de desemprego em torno de 3,5%, uma das menores do país, o que intensifica a demanda por profissionais qualificados, especialmente nas áreas de tecnologia, indústria e serviços.
De acordo com o SEMESP, no Mapa do Ensino Superior de 2024, os cursos da área de Tecnologia da Informação já somam mais de 1,5 milhão de matrículas no Brasil, com crescimento consistente nos últimos anos. Graduações como Ciência de Dados e Inteligência Artificial estão entre as que mais expandem, acompanhando uma tendência global.
Ao mesmo tempo, habilidades socioemocionais ganham protagonismo. O relatório do Fórum Econômico Mundial, divulgado em 2023, aponta competências como pensamento crítico, comunicação e resolução de problemas entre as mais exigidas até 2027. Isso evidencia que a formação universitária precisa ir além do conteúdo técnico.
Em Santa Catarina, esse cenário se conecta ao fortalecimento do ecossistema de inovação. Dados da FIESC, divulgados em 2024 por meio do Observatório da Indústria, mostram que a economia criativa e tecnológica já emprega mais de 180 mil trabalhadores formais, com crescimento superior a 30% desde 2020. O levantamento também aponta a expansão de empresas ligadas à inovação. Segundo o estudo, houve um crescimento aproximado de 25% no número de CNPJs voltados à economia criativa e tecnológica, com destaque para tecnologia da informação, design, audiovisual e serviços digitais. Não por acaso, esses setores ampliam a participação na geração de valor e renda no estado.
Contudo, o desafio central passa por ampliar o acesso e garantir qualidade. Dados da PNAD Contínua de 2024 mostram que a taxa de escolarização no ensino superior no Brasil gira em torno de 25% entre jovens de 18 a 24 anos, um índice ainda distante do observado em países desenvolvidos. Esse cenário evidencia uma lacuna de acesso e ponto crítico para o desenvolvimento do país. É nesse contexto que o ensino superior assume papel estratégico ao formar cidadãos para pensar criticamente, se adaptar e gerar soluções.
Referências: IBGE (2025); PNAD Contínua (2024); INEP – Censo da Educação Superior (2023); SEMESP – Mapa do Ensino Superior (2024); Fórum Econômico Mundial (2023); FIESC (2024).
Mauricio Pereira Gomes é professor e reitor do UNICESUSC





