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A divisão da direita em Santa Catarina pode abrir espaço para Gelson Merisio

A recente declaração do senador Flávio Bolsonaro, afirmando que o governador Jorginho Mello seria “o único candidato da direita” em Santa Catarina, ampliou ainda mais a tensão política entre o grupo ligado ao PL e o projeto liderado por João Rodrigues. A fala provocou reação imediata nos bastidores e deixou evidente que a disputa pelo eleitorado conservador catarinense está longe de um consenso.

O cenário revela uma fragmentação inédita dentro do campo da direita catarinense. De um lado, Jorginho Mello tenta consolidar a máquina estadual e o apoio do bolsonarismo oficial. Do outro, João Rodrigues aposta em sua forte popularidade no Oeste catarinense e na imagem de um conservador mais independente. Essa disputa tende a consumir energia política, dividir lideranças regionais e pulverizar votos de um eleitorado historicamente concentrado em um único projeto político.

É justamente nesse ambiente de divisão que o nome de Gelson Merisio pode ganhar força. Experiente, articulado e conhecedor profundo da política catarinense, Merisio pode surgir como alternativa para setores que rejeitam o confronto interno da direita tradicional ou que buscam uma candidatura mais equilibrada e menos marcada pela polarização ideológica.

A matemática eleitoral favorece esse tipo de movimento. Em uma eleição disputada e fragmentada, não é necessário liderar com ampla vantagem para chegar ao segundo turno. Basta manter um eleitorado consolidado e crescer sobre os desgastes dos adversários. Se Jorginho e João Rodrigues permanecerem em rota de colisão até o período eleitoral, ambos podem sofrer desgaste mútuo, abrindo espaço para um terceiro nome avançar silenciosamente.

Outro fator importante é que a disputa entre PL e PSD tende a radicalizar discursos e provocar divisões locais entre prefeitos, deputados e lideranças regionais. Muitos aliados poderão evitar escolher lados logo no início da campanha, criando um espaço estratégico para Merisio construir pontes e dialogar com setores mais amplos da sociedade catarinense.

Além disso, parte do eleitorado catarinense demonstra sinais de cansaço com disputas personalistas e conflitos internos dentro do mesmo campo ideológico. Nesse contexto, Merisio pode tentar ocupar o papel de candidato da estabilidade, da experiência e do diálogo político, especialmente se conseguir construir uma coligação competitiva e ampliar presença nas regiões metropolitanas e no interior.

A declaração de Flávio Bolsonaro, que tinha como objetivo fortalecer Jorginho Mello, pode acabar produzindo um efeito colateral inesperado: aprofundar a divisão da direita em Santa Catarina. E, como a história política brasileira já demonstrou diversas vezes, quando grupos majoritários entram em confronto direto, quase sempre surge espaço para uma terceira via competitiva.

Nesse cenário Gelson Merisio se afirma como o principal adversário de Jorginho Melo na disputa e transformar-se em um dos principais beneficiados pela guerra política que dividiu a direita em Santa Catarina. E no segundo turno teremos uma nova eleição.

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Flávio Souza

Flávio Souza é administrador, consultor comercial e consultor político com trajetória marcada pela atuação pública, comunitária e institucional em Santa Catarina.

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