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Mais de 1 milhão de trabalhadores em SC já são impactados pela IA

Um estudo inédito da Secretaria de Estado do Planejamento (Seplan) revela que 27,6% das ocupações em Santa Catarina já estão expostas à inteligência artificial generativa (IA), o equivalente a 1,24 milhão de trabalhadores. A análise integra o Boletim Trimestral de Indicadores do Trabalho e faz um retrato detalhado de como a tecnologia começa a mudar o mercado de trabalho catarinense.

O levantamento ganha relevância em um momento de forte aquecimento econômico. Santa Catarina criou mais de 59 mil empregos formais no primeiro trimestre de 2026 e mantém a menor taxa de desemprego do país, operando em um cenário próximo ao pleno emprego. Na prática, isso significa um mercado dinâmico, com alta demanda por mão de obra e crescente necessidade de qualificação.

Nesse contexto, a inteligência artificial aparece menos como ameaça e mais como vetor de produtividade. Entre os trabalhadores expostos, 62,6% estão em níveis moderados, em ocupações nas quais a tecnologia tende a complementar tarefas, otimizar processos e ampliar a eficiência, sem substituição direta. “O perfil do mercado catarinense ajuda a explicar esse comportamento. O estado reúne uma força de trabalho diversificada e qualificada, além de infraestrutura digital consolidada — 96,5% dos domicílios têm acesso à internet. Esses fatores criam um ambiente favorável à rápida adoção de tecnologias emergentes”, alega o Secretário de Planejamento, Arão Josino.

Ao mesmo tempo, a maior parte das ocupações ainda permanece pouco impactada pela IA. Cerca de 71,6% dos trabalhadores estão em funções com nenhuma ou baixa exposição, como atividades da construção civil, agricultura e serviços domésticos, que exigem habilidades físicas ou sensoriais menos suscetíveis à automação.

Por outro lado, 10,3% dos ocupados já estão em níveis mais elevados de exposição à IA, com maior potencial de transformação das atividades. Nesses casos, concentram-se profissões ligadas ao setor de serviços e atividades administrativas, como recepcionistas, contadores, analistas financeiros e operadores de telemarketing.

O estudo também mostra uma mudança no padrão histórico das transformações tecnológicas: a IA generativa afeta mais intensamente trabalhadores com maior escolaridade e renda. Profissionais com ensino superior estão mais expostos, enquanto aqueles com menor renda aparecem entre os menos impactados.

Diante desse cenário, o desafio passa a ser a adaptação. Para isso, o Governo do Estado oferece cursos gratuitos de inteligência artificial por meio do programa SCTEC, voltados à qualificação na área de Inteligência Artificial. A iniciativa, totalmente gratuita, reúne trilhas de aprendizagem e ações de empregabilidade voltadas a preparar os catarinenses para as novas exigências do mercado de trabalho.

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Raul Frutuoso

Raul Lorenzo Frutuoso é um profissional da comunicação com cinco anos de experiência em jornalismo e marketing digital. Já atuou como redator e editor de vídeo no portal ND+. Também integrou a equipe de assessoria de imprensa do Colégio Catarinense, contribuindo com a gestão de mídias sociais, campanhas institucionais e produções audiovisuais.

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