quarta-feira, 21 outubro , 2026

Economia do mar movimenta 240 mil trabalhadores em Santa Catarina

por Duda Amaral
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fazenda marinha de cultivo de ostras e moluscos

Santa Catarina quer transformar a força de suas atividades ligadas ao mar em uma estratégia de desenvolvimento econômico sustentável. Para avançar nesse objetivo, o governo estadual promove, nos dias 20 e 21 de outubro, o 1º Workshop de Economia Azul de Santa Catarina, encontro que reúne especialistas, representantes do poder público e integrantes de setores estratégicos da economia costeira.

Organizado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e da Economia Verde (Semae), por meio da Diretoria de Recursos Hídricos, Economia Verde e Qualidade Ambiental, o evento será realizado no Hotel Jurerê Beach Village, com o tema “Diálogos estratégicos para a política estadual”.

A proposta é estabelecer as bases para uma política pública que integre desenvolvimento econômico, preservação ambiental e planejamento do litoral. Entre os principais objetivos estão a definição do conceito de Economia Azul, a construção de critérios de sustentabilidade e a identificação de caminhos para fortalecer a competitividade catarinense.

O QUE É A ECONOMIA AZUL E POR QUE SANTA CATARINA QUER AVANÇAR

A Economia Azul busca conciliar o aproveitamento dos recursos marinhos com a conservação dos ecossistemas e a geração de oportunidades econômicas. O conceito envolve atividades como pesca, maricultura, operações portuárias, indústria náutica e turismo, além de áreas relacionadas à inovação, à logística e à tecnologia.

Em Santa Catarina, esses segmentos já possuem forte presença na economia. O desafio é integrar as diferentes atividades por meio de critérios que permitam avaliar seus impactos ambientais e identificar práticas compatíveis com o desenvolvimento sustentável.

“Atualmente existem cinco setores motores da Economia do Mar em Santa Catarina. O estado é destaque na pesca industrial, na maricultura, nos portos, na indústria náutica e no turismo. No entanto, todas essas atividades são caracterizadas como Economia do Mar. Então, a partir deste evento, a ideia é criar um grupo que trabalhe alguns conceitos e critérios para que toda essa Economia do Mar de Santa Catarina se transforme em Economia Azul”, contextualiza o secretário do Meio Ambiente e da Economia Verde, Guilherme Dallacosta.

A iniciativa é coordenada, dentro da Semae, pela Gerência de Integração e Planejamento Ambiental (Geipa). O trabalho pretende promover o diálogo entre os setores produtivos e as áreas responsáveis pelo planejamento, pela gestão ambiental e pelo acompanhamento das condições costeiras.

WORKSHOP VAI DISCUTIR CRITÉRIOS DE SUSTENTABILIDADE

Durante os dois dias de programação, os participantes vão debater questões que precisam ser consideradas na formulação da política estadual. Entre elas estão as lacunas regulatórias, os limites do conceito de Economia Azul e os parâmetros necessários para avaliar se as atividades relacionadas ao mar seguem princípios sustentáveis.

O encontro também pretende reconhecer iniciativas que já apresentam resultados positivos, identificar dificuldades enfrentadas pelos setores e discutir medidas para melhorar a gestão dos espaços costeiros.

A participação de representantes de diferentes áreas é considerada importante para conciliar interesses econômicos, sociais e ambientais. Afinal, a mesma faixa litorânea concentra portos, comunidades pesqueiras, empreendimentos turísticos, atividades de aquicultura, áreas urbanas e ecossistemas que precisam ser preservados.

A diretora de Recursos Hídricos, Economia Verde e Qualidade Ambiental da Semae, Gabriela Brasil, destaca a relação entre a conservação dos ambientes marinhos e a continuidade das atividades econômicas.

“A discussão ganha relevância no contexto da Década do Oceano, que amplia a atenção internacional para a importância dos ecossistemas marinhos. Além de sua dimensão econômica, o oceano desempenha um papel importante para a sustentabilidade ambiental, incluindo a captura de carbono pelos ecossistemas marinhos. A conservação ambiental também está diretamente relacionada à continuidade das atividades econômicas. No turismo costeiro, por exemplo, a qualidade das praias e a preservação dos ecossistemas são fatores fundamentais. Nesse contexto, o desenvolvimento da Economia Azul depende de práticas sustentáveis que contribuam para manter o ambiente marinho saudável”, afirma.

SANTA CATARINA TEM DESTAQUE NACIONAL NA ECONOMIA DO MAR

A dimensão da economia costeira catarinense ajuda a explicar o interesse em desenvolver uma política específica para o setor. O estado reúne pelo menos cinco segmentos estratégicos, com atividades que movimentam empregos, investimentos, produção industrial e serviços.

De acordo com os dados apresentados na iniciativa, a Economia do Mar em Santa Catarina reúne cerca de 240 mil trabalhadores formais, mais de 23,5 mil estabelecimentos e uma massa salarial mensal de R$ 1,158 bilhão. Além disso, aproximadamente 75,4% da população estadual vive a até 150 quilômetros do litoral.

Na maricultura, Santa Catarina responde por 97% da produção brasileira de moluscos, incluindo ostras, vieiras e mexilhões. O estado também se destaca na pesca e no processamento de pescado, concentrando 45% dos empregos formais brasileiros do setor.

A região de Itajaí abriga o principal polo de processamento de pescado do país e responde por aproximadamente 80% do peixe enlatado consumido no mercado interno. O segmento industrial catarinense também representa mais de 50% do faturamento nacional do setor de pescado.

O setor portuário é outro componente relevante. Em 2025, os terminais catarinenses movimentaram 2,93 milhões de TEUs, unidade utilizada para contabilizar contêineres de 20 pés, o equivalente a 19,1% da movimentação nacional. No mesmo período, foram registradas 65,7 milhões de toneladas de cargas.

Na indústria náutica, o estado concentra aproximadamente mil empresas e 74% da produção brasileira de embarcações de esporte e lazer destinadas à exportação, segundo os números apresentados.

TURISMO COSTEIRO TAMBÉM MOVIMENTA A ECONOMIA AZUL

O turismo marítimo e costeiro completa o conjunto de atividades estratégicas para Santa Catarina. Na temporada de verão 2024/2025, a expectativa apresentada era receber 3,1 milhões de turistas no estado.

O segmento de cruzeiros também aparece entre as frentes econômicas relacionadas ao mar. O levantamento citado contabilizou 121 escalas e 30 navios, com oferta de 427 mil leitos.

Esses números mostram como as condições ambientais do litoral estão diretamente relacionadas à capacidade de atrair visitantes e movimentar negócios. A conservação das praias, a proteção dos ecossistemas e o planejamento da ocupação costeira são fatores que podem influenciar tanto a experiência turística quanto a continuidade das atividades produtivas.

Nesse cenário, a Economia Azul é apresentada como uma oportunidade de combinar geração de renda, inovação e preservação ambiental, reduzindo conflitos entre os diferentes usos do litoral.

VEJA A PROGRAMAÇÃO DO WORKSHOP DE ECONOMIA AZUL

O encontro será dividido em dois dias de atividades, com palestras, painéis, grupos de trabalho e debates sobre os desafios da transição da Economia do Mar para a Economia Azul.

TERÇA-FEIRA, 20 DE OUTUBRO

  • 8h30 às 9h: credenciamento e café de boas-vindas.
  • 9h às 9h20: mesa de abertura da Semae.
  • 9h20 às 9h50: palestra “O que o mundo debate e como SC pode se posicionar agora”, com Marinez Eymael Garcia Scherer, enviada especial de Oceanos para a COP30 e professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
  • 10h às 11h30: Painel Direto ao Ponto I, sobre instrumentos para iniciar a transição azul em Santa Catarina. Participam representantes da Secretaria de Estado do Planejamento (SEPLAN/SC), do Sebrae, da Univali e do Instituto Ambientes em Rede.
  • 11h30 às 12h: debate.
  • 12h às 13h30: almoço.
  • 13h30 às 14h: palestra “Da Economia do Mar à Economia Azul – critérios, limites e zonas cinzentas”, com Thauan Santos, professor do Programa de Pós-Graduação em Estudos do Mar da Escola de Guerra Naval e líder do Grupo Economia do Mar (GEM).
  • 14h às 16h: grupos de trabalho sobre critérios de Economia Azul.
  • 16h às 16h30: intervalo para café e integração.
  • 16h30 às 18h: síntese do dia, com discussão sobre critérios, tensões e zonas cinzentas.

QUARTA-FEIRA, 21 DE OUTUBRO

  • 8h30 às 9h: café de boas-vindas.
  • 9h às 9h30: palestra “A Economia Azul – do PIB do Mar ao planejamento”, com Andréa Carvalho, do Instituto de Ciências Econômicas, Administrativas e Contábeis da Universidade Federal do Rio Grande (FURG).
  • 9h30 às 11h: Painel Direto ao Ponto II, sobre a visão dos setores motores da economia marítima catarinense. Estão previstos representantes da pesca industrial, pesca artesanal, portos, maricultura, indústria náutica e turismo.
  • 11h às 12h: instituição do Grupo de Trabalho Multissetorial de Incentivo à Economia Azul.
  • 12h às 12h30: encerramento e apresentação dos próximos passos.

POLÍTICA ESTADUAL BUSCA INTEGRAR DESENVOLVIMENTO E PRESERVAÇÃO

A realização do workshop representa uma etapa inicial para organizar as discussões sobre o futuro das atividades econômicas ligadas ao mar em Santa Catarina. A expectativa é que os debates contribuam para estabelecer critérios compartilhados e orientar a elaboração de uma política estadual.

A criação de um grupo multissetorial também deve favorecer a continuidade das discussões após o evento, reunindo diferentes segmentos para avaliar prioridades, desafios e oportunidades.

Com uma economia costeira diversificada e presença expressiva em setores como pesca, maricultura, portos, indústria náutica e turismo, Santa Catarina busca fortalecer sua posição nacional sem deixar de lado a conservação dos recursos naturais.

O avanço da Economia Azul dependerá, portanto, da capacidade de conciliar competitividade, planejamento territorial e proteção ambiental, garantindo que o desenvolvimento associado ao oceano possa se manter no longo prazo.


Com informações de Governo de Santa Catarina

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