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Economia brasileira alcança um novo recorde com 14 trimestres seguidos de crescimento

Setores de agro e serviços lideram alta do PIB, mas indústria continua estagnada

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil continua sua trajetória de crescimento robusto, marcando o 14º trimestre consecutivo de alta. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o avanço de 1,4% no primeiro trimestre de 2025, em comparação com o último trimestre de 2024, levou a economia nacional a atingir um novo patamar histórico.

Desde o final de 2021, o Brasil vem quebrando recordes de desempenho econômico, o que sinaliza uma recuperação consistente — mas não sem contrastes. Enquanto alguns setores despontam com força total, outros ainda enfrentam dificuldades para voltar ao ápice.

AGROPECUÁRIA E SERVIÇOS DITAM O RITMO DO CRESCIMENTO

Se há dois motores puxando essa locomotiva econômica, são eles a agropecuária e o setor de serviços. E você pode se perguntar: o que está por trás desse protagonismo?

A resposta vem do campo. A agropecuária teve uma impressionante alta de 12,2% no primeiro trimestre, impulsionada principalmente por uma combinação poderosa: condições climáticas favoráveis e colheitas volumosas de produtos como soja, milho, arroz e fumo.

“A agro tem dois efeitos principais este ano: um é a questão climática que está favorável e a outra é que as colheitas que estão crescendo muito, como a soja, que é a nossa principal lavoura, estão concentradas no primeiro semestre”, explica Rebeca Palis, pesquisadora do IBGE.

Já os serviços, que representam cerca de 70% do PIB nacional, mantêm uma trajetória estável e ascendente: 15 trimestres seguidos de crescimento, com destaque para o setor de informação e comunicação, que subiu 3% neste início de ano.

O OUTRO LADO DA MOEDA: INDÚSTRIA E INVESTIMENTOS AINDA ABAIXO DO TOPO

Nem tudo, no entanto, é motivo para celebração. A indústria brasileira, um dos pilares históricos da economia nacional, ainda não conseguiu recuperar seu desempenho de mais de uma década atrás. O setor segue 4,7% abaixo do pico registrado no terceiro trimestre de 2013, enquanto os investimentos (formação bruta de capital fixo) estão 6,7% abaixo do nível alcançado no segundo trimestre daquele mesmo ano.

“A indústria é a única das grandes três atividades econômicas que ainda está no patamar abaixo do pico”, destaca Rebeca Palis.

E por que isso acontece? Um dos fatores é a alta taxa básica de juros (Selic), que impõe obstáculos tanto para o crédito quanto para os investimentos. Segmentos como construção civil (com retração de 0,8%) e indústria de transformação (queda de 1%) foram os mais afetados no período.

DEMANDA INTERNA: FAMÍLIAS E GOVERNO IMPULSIONAM CONSUMO

Se olharmos pela ótica da demanda, o cenário também é promissor. Todos os componentes mostraram crescimento no primeiro trimestre:

  • Consumo das famílias: +1%

  • Formação bruta de capital fixo (investimentos): +3,1%

  • Exportações: +2,9%

  • Consumo do governo: +0,1%

“O consumo das famílias poderia ser mais alto se a gente não tivesse uma política monetária restritiva”, afirma Rebeca. Ainda assim, ela destaca pontos positivos que vêm sustentando esse avanço: programas de transferência de renda, melhora do mercado de trabalho e expansão do crédito, mesmo com o custo mais elevado.

BRASIL EM NÚMEROS: CRESCIMENTO CONSISTENTE, MAS COM DESAFIOS ESTRUTURAIS

Você já parou para pensar no que significa o PIB crescer trimestre após trimestre? Para o cidadão comum, isso pode se traduzir em mais empregos, mais consumo e mais oportunidades. Mas os dados também servem como alerta: nem todos os setores estão acompanhando o ritmo.

Enquanto o agro e os serviços surfam uma onda de prosperidade, a indústria ainda precisa de políticas que favoreçam o investimento e a modernização. O país avança, mas para que o crescimento seja sustentável e equilibrado, é preciso que todos os setores caminhem juntos.

Fonte: Agência Brasil

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Francine Canto Boico

Francine Canto Boico é jornalista multimídia com mais de 20 anos de experiência profissional na área de comunicação, educação e cultura. Pós-graduada em Jornalismo Digital e mestre em Educação, Comunicação e Tecnologia pela UDESC, é diretora e editora-chefe do Conecta SC.

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