Cesta básica fica mais cara em Florianópolis, apesar de queda em outras capitais
Com alta de 0,09% em maio, capital catarinense tem a segunda cesta básica mais cara do país e compromete mais de 60% do salário mínimo líquido dos trabalhadores.
Enquanto 15 capitais brasileiras registraram queda no custo da cesta básica em maio, Florianópolis seguiu na contramão. A capital catarinense teve alta de 0,09% no mês, sendo a segunda mais cara entre as cidades analisadas. O valor da cesta chegou a R$ 858,93, segundo levantamento divulgado nesta sexta-feira (6) pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
O estudo, realizado mensalmente em 17 capitais, aponta que o custo elevado impacta diretamente a população de baixa renda. Em Florianópolis, o valor da cesta corresponde a 61,17% do salário mínimo líquido. A variação acumulada no primeiro semestre de 2025 foi de 6,11%, e, no comparativo dos últimos 12 meses, o aumento chega a 7,23%.
Apesar de aparentemente modesto, o aumento de 0,09% em maio mantém Florianópolis entre as cidades com o custo mais alto para itens essenciais de alimentação. O valor médio da cesta na capital catarinense fica acima de grandes centros como São Paulo (R$ 850,98) e Brasília (R$ 829,41), o que evidencia a pressão sobre o orçamento doméstico local.
Entre os itens que mais pressionaram os preços, o óleo de soja teve alta em todas as capitais pesquisadas, com avanço expressivo de 34,92% em Florianópolis. O aumento pode ser atribuído à menor oferta da matéria-prima no mercado interno e à elevação da demanda internacional. A carne bovina de primeira também encareceu, subindo 2,68% na capital entre abril e maio.
Outros produtos que apresentaram variação de preços significativa na cidade foram o leite integral, o pão francês e o arroz agulhinha. O comportamento desses itens reforça a tendência de encarecimento da alimentação fora e dentro de casa, impactando especialmente famílias que vivem com até dois salários mínimos.
A situação tem gerado preocupação entre entidades sindicais e organizações de defesa do consumidor em Santa Catarina. Para elas, o custo elevado da cesta em Florianópolis reflete não apenas a inflação dos alimentos, mas também o alto custo de vida na capital, incluindo moradia, transporte e serviços.
O Dieese alerta que o monitoramento contínuo desses indicadores é fundamental para subsidiar políticas públicas de combate à insegurança alimentar. A expectativa é que medidas de contenção da inflação e incentivo à produção agrícola local possam contribuir para estabilizar os preços nos próximos meses.
Fonte: Dieese
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