Florianópolis discute cercamento de praças e parques como alternativa para reduzir vandalismo
Indicação do vereador Ricardo Pastrana propõe controle de acesso aos espaços públicos com foco em segurança e preservação

Uma sugestão apresentada pelo vereador Ricardo Pastrana (PSD) reacendeu uma discussão antiga, porém delicada: como equilibrar segurança e acesso democrático aos espaços públicos? A proposta, encaminhada à Prefeitura de Florianópolis e aprovada como indicação pela Câmara Municipal no dia 4 de junho, sugere o cercamento de praças e parques da cidade como estratégia para combater o vandalismo, o consumo de drogas e outros comportamentos considerados inapropriados.
Com base em modelos adotados por cidades como São Paulo e Curitiba, a ideia inclui a instalação de portões, horários de funcionamento definidos e mecanismos de controle de entrada, especialmente durante a noite. Segundo o vereador, experiências como as do Parque da Aclimação e do Parque Tanguá demonstraram avanços na preservação do patrimônio e na diminuição de ocorrências de depredação.
“O objetivo é proteger aquilo que é de todos”, defende Pastrana em vídeo publicado nas redes sociais, onde cita episódios registrados em patrulhamentos noturnos – como uso de drogas, atos sexuais e vandalismo em locais como a Praça 15 e o Parque da Luz. O vídeo viralizou e já soma mais de 160 mil visualizações e milhares de comentários. A maior parte, no entanto, questiona se fechar o espaço público seria realmente a melhor solução.
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Críticas apontam para risco de exclusão
Apesar de a proposta estar apenas em fase de indicação – ou seja, ainda sem força de lei –, o impacto do debate foi imediato e polarizador. Parlamentares e parte da sociedade civil enxergam na medida uma possível resposta simplista a problemas sociais mais profundos.
A vereadora Carla Ayres (PT) foi uma das primeiras a se posicionar de forma contrária. “Restringir o acesso a espaços públicos representa uma lógica de exclusão que afasta os mais vulneráveis. Praças e parques são espaços de convivência, não apenas de lazer, mas também de sobrevivência para muitos”, argumentou.
Do ponto de vista urbanístico e social, especialistas têm alertado sobre os riscos de tornar o cercamento uma solução padrão para lidar com a degradação dos espaços públicos. Para muitos, fechar praças à noite não resolve os problemas estruturais de segurança, habitação e saúde pública – apenas os desloca.
Além disso, existe o receio de que medidas como essa reforcem uma lógica de cidade seletiva – onde apenas certos perfis de pessoas são bem-vindos em determinados espaços e horários. Isso contradiz o próprio princípio do espaço público como lugar de convivência plural.
Silêncio do Executivo e expectativa de avanço
O gabinete do prefeito Topázio Neto (PSD), até o momento, não se manifestou oficialmente sobre o tema. A proposta segue em análise técnica e política, podendo ou não ser transformada em projeto de lei, conforme indicou o próprio vereador Pastrana em declarações recentes.
Enquanto isso, nas redes sociais e rodas de conversa, o debate segue aceso. Entre argumentos por mais segurança e apelos por inclusão, a cidade se vê diante de um dilema: como proteger os espaços públicos sem restringir o direito das pessoas de vivê-los plenamente?
No fim das contas, talvez a pergunta mais importante não seja se devemos ou não fechar nossas praças, mas sim: que tipo de cidade estamos construindo quando escolhemos a grade como resposta?
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