Cidadania e sociedadeBrasilNotícias

Projeto aprovado na Câmara aumenta penas para crimes cometidos com inteligência artificial

Uso de IA para calúnia, difamação ou enganar consumidores pode levar à prisão por até oito anos.

A tecnologia tem transformado o modo como nos comunicamos, consumimos e interagimos com o mundo — mas também tem trazido novos desafios ao sistema jurídico. Pensando nisso, a Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados aprovou, nesta semana, um projeto de lei que aumenta as penas para crimes cometidos com o uso de inteligência artificial (IA), especialmente aqueles que afetam a honra de pessoas ou induzem consumidores ao erro.

O texto aprovado é uma versão substitutiva apresentada pela relatora deputada Gisela Simona (União Brasil-MT) ao Projeto de Lei 6119/23, de autoria do deputado Kim Kataguiri (União Brasil-SP). A proposta agora segue para análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) antes de ir ao Plenário.

O QUE MUDA COM A NOVA PROPOSTA

O projeto altera o Código Penal e o Código de Defesa do Consumidor (CDC) para considerar o uso da inteligência artificial como agravante em crimes contra a honra — como calúnia, difamação e injúria — e também para criar uma nova infração penal específica relacionada à manipulação de consumidores por meio de IA.

Quer entender como isso impacta você, cidadão digital? Acompanhe:

CRIMES CONTRA A HONRA COMETIDOS POR MEIO DE IA TERÃO PENAS MAIS DURAS

Hoje, os crimes de calúnia, difamação e injúria já estão previstos no Código Penal. O que a nova proposta faz é aumentar significativamente suas penas quando forem praticados com o auxílio de tecnologias como a inteligência artificial. Confira como ficam os novos limites:

Além disso, todas essas penas podem ser acompanhadas de multa.

USO DE IA PARA ENGANAR CONSUMIDORES TAMBÉM SERÁ CRIMINALIZADO

Outra novidade importante está no fortalecimento da proteção ao consumidor. A proposta estabelece pena de reclusão de quatro a oito anos para quem usar IA com o objetivo de manipular, enganar ou induzir consumidores ao erro — um salto expressivo em comparação à penalidade atual de três meses a um ano para publicidade enganosa prevista no CDC.

Segundo a relatora Gisela Simona:

“Estipular uma pena maior nas hipóteses de uso de inteligência artificial para ludibriar os consumidores é uma estratégia necessária para desestimular o crescente uso da tecnologia de forma contrária ao bem-estar do brasileiro”.

A parlamentar destacou ainda que a decisão de tratar o uso da IA como agravante de crimes já existentes é uma forma de adaptar o ordenamento jurídico ao avanço da tecnologia sem criar novos tipos penais de forma desnecessária.

PRÓXIMOS PASSOS: TRAMITAÇÃO DO PROJETO

A proposta será analisada agora pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Caso aprovada, segue para votação no Plenário da Câmara e, posteriormente, para o Senado Federal.

Se também for aprovada pelos senadores e sancionada pela Presidência da República, as novas regras passarão a integrar a legislação brasileira, ampliando a responsabilização sobre o uso indevido da inteligência artificial.

Em tempos de avanços tecnológicos acelerados, a pergunta que fica é: como equilibrar inovação e responsabilidade? O Congresso começa a traçar caminhos para garantir que o futuro digital respeite os direitos e a dignidade de todos.

Fonte: Congresso em Foco/Câmara dos Deputados

CONECTE-SE COM O CONECTA SC

Quer acompanhar as principais notícias, eventos e curiosidades sobre Santa Catarina? Siga o Conecta SC nas redes sociais:
👉 Facebook | LinkedIn | Instagram
💌 Receba nossos destaques semanais: Assine a newsletter
📱 Entre no nosso grupo do WhatsApp: Clique aqui

APOIE FINANCEIRAMENTE O CONECTA SC

Francine Canto Boico

Francine Canto Boico é jornalista multimídia com mais de 20 anos de experiência profissional na área de comunicação, educação e cultura. Pós-graduada em Jornalismo Digital e mestre em Educação, Comunicação e Tecnologia pela UDESC, é diretora e editora-chefe do Conecta SC.

Artigos Relacionados

Botão Voltar ao Topo