Enquanto o relógio corre rumo ao dia 1º de agosto, o governo brasileiro acelera nos bastidores a preparação de um plano emergencial para proteger os setores mais prejudicados pela nova tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos. O anúncio foi feito pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, nesta quarta-feira (23), sinalizando que o plano deve ser apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos próximos dias.
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MEDIDAS EM FASE FINAL: “VAMOS LEVAR AO PRESIDENTE”
Segundo Haddad, o esboço do plano já foi concluído pelas áreas técnicas dos ministérios da Fazenda, Indústria e Relações Exteriores. O ministro revelou que os detalhes serão apresentados a ele nesta quinta-feira (24), e que a expectativa é encaminhar a proposta à Presidência na semana que vem.
“A área técnica dos três ministérios envolvidos [Fazenda, Indústria e Relações Exteriores] vão me apresentar amanhã os detalhes. Provavelmente semana que vem nós devemos levar para o presidente [Lula]”, afirmou Haddad.
O desenho do plano foi construído com base em orientações dele e do vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin. Antes de seguir para o Palácio do Planalto, a proposta ainda será submetida ao crivo dos ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Rui Costa (Casa Civil).
NEGOCIAÇÃO CONTINUA, MAS A CASA BRANCA RESISTE
Apesar dos esforços brasileiros, o canal de diálogo com Washington tem encontrado barreiras. Haddad revelou que, até o momento, não houve abertura significativa por parte do governo norte-americano.
“Nós [do Ministério da Fazenda] estamos falando com a equipe técnica da Secretaria do Tesouro [estadunidense], mas não com o secretário Scott Bessent”, relatou.
Enquanto Alckmin tem mantido contato com alguns secretários, as tratativas parecem não avançar. A principal resistência vem da assessoria da Casa Branca, que centraliza o debate e dificulta o acesso a decisões mais estratégicas.
“A informação que chega é que o Brasil tem um ponto, o Brasil tem razão em querer sentar à mesa, mas que o tema está muito concentrado na assessoria da Casa Branca, daí a dificuldade de entender melhor qual vai ser o movimento [dos Estados Unidos]”, completou Haddad.
LIÇÕES INTERNACIONAIS E ESPERANÇA DE UM ACORDO
Ainda que o cenário atual pareça desfavorável, Haddad mantém viva a esperança de um desfecho diplomático. O Brasil se inspira em experiências recentes com países asiáticos como Vietnã, Japão, Indonésia e Filipinas — onde negociações semelhantes foram bem-sucedidas. Há também otimismo quanto aos avanços entre os EUA e a União Europeia, que podem servir de catalisador para um diálogo mais construtivo com o Brasil.
“Podemos chegar à data de 1º de agosto com algum aceno e alguma possibilidade de acordo, mas para haver acordo precisa haver duas partes sentadas à mesa para chegar a uma conclusão”, ponderou.
APOIO DOS GOVERNADORES: GESTO POSITIVO, MAS INSUFICIENTE
Enquanto o governo federal articula ações macro, os estados também se movem. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, anunciou uma linha de crédito de R$ 200 milhões para empresas atingidas pelas tarifas — um alívio local, ainda que limitado frente à dimensão do impacto.
“Toda ajuda é bem-vinda, mas são movimentos um pouco restritos… uma linha de R$ 200 milhões representa US$ 40 milhões, enquanto estamos falando de US$ 40 bilhões de exportação”, comparou o ministro.
Mesmo assim, Haddad reconheceu o valor simbólico da mobilização dos governadores.
“É bom saber que os governadores estão mobilizados e percebendo, finalmente, que é um problema do Estado brasileiro”, destacou. “É importante: caírem na real e abandonarem o movimento inicial que fizeram de apoio ao tarifaço contra o Brasil.”
O plano de contingência está pronto para sair do papel. A negociação com os EUA segue no radar, mesmo diante da resistência da Casa Branca. E os estados começam a se alinhar com o governo federal, reforçando o coro de apoio aos setores produtivos.
Fica a pergunta: será que os Estados Unidos vão se sentar à mesa antes que o estrago seja irreversível?
A resposta pode vir nos próximos dias.
Fonte: Wellton Máximo – Agência Brasil
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