Agosto Lilás 2025 reforça a luta pelo fim da violência contra as mulheres e celebra 19 anos da lei Maria da Penha

O mês de agosto ganha um significado especial em todo o Brasil. Conhecido como Agosto Lilás, este período é dedicado a uma causa urgente e necessária: o fim da violência contra a mulher. Em 2024, a campanha ganha ainda mais destaque ao celebrar os 19 anos da Lei Maria da Penha, marco histórico que transformou a luta contra a violência de gênero no país.
Nesta quinta-feira (31/7), a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, trouxe o tema à tona em entrevista ao programa Bom Dia, Ministra, exibido pelo Canal Gov, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Ela destacou a importância do Agosto Lilás para ampliar a visibilidade sobre os direitos das mulheres e fortalecer os serviços de acolhimento e denúncia.
Conteúdos
- UMA LUTA HISTÓRICA E CONTINUADA PELO FIM DA VIOLÊNCIA
- MEDIDAS PROTETIVAS SÃO ESSENCIAIS PARA SALVAR VIDAS
- CASA DA MULHER BRASILEIRA: ATENDIMENTO INTEGRAL E HUMANIZADO
- LIGUE 180: UMA LINHA DE APOIO SEMPRE ABERTA
- CONFERÊNCIA NACIONAL DE POLÍTICAS PARA AS MULHERES REÚNE FORÇAS PARA O FUTURO
- AUTONOMIA ECONÔMICA E IGUALDADE SALARIAL COMO CAMINHOS PARA A LIBERDADE
UMA LUTA HISTÓRICA E CONTINUADA PELO FIM DA VIOLÊNCIA
“Temos que erradicar a violência da vida das mulheres com a legislação, com todas as providências que são necessárias, mas principalmente colocar as mulheres no lugar onde elas querem estar e respeitar todas as diversidades”, afirmou a ministra Márcia Lopes, ressaltando o protagonismo feminino como chave para a transformação social.
O Agosto Lilás simboliza mais do que uma campanha: é um movimento permanente do Ministério das Mulheres, que reúne comunicação, políticas públicas e o engajamento de diversos atores para combater o feminicídio e todas as formas de violência contra as mulheres.
“Foi pela Maria da Penha, em 7 de agosto, há 19 anos, que o presidente Lula promulgou essa lei que hoje é conhecida mundialmente. É uma mobilização histórica, de resistência das mulheres contra o machismo e a violência. Queremos mobilizar, refletir, juntar as mulheres e, claro, dialogar com os homens, porque essa mudança depende de todos”, reforçou.
Ao lembrar casos chocantes, como a agressão brutal sofrida por uma mulher em Natal — mais de 60 socos dentro de um elevador —, a ministra reforçou que é possível transformar essa realidade. “Se cada prefeito disser todos os dias ‘nesta cidade não haverá violência contra a mulher’, isso já muda muita coisa.”
MEDIDAS PROTETIVAS SÃO ESSENCIAIS PARA SALVAR VIDAS
Apesar dos avanços, o Mapa da Segurança Pública de 2025 revela um aumento de 0,69% no número de feminicídios em 2024, com 1.459 vítimas. Para Márcia Lopes, as medidas protetivas são fundamentais para reverter essa estatística.
“O feminicídio é o resultado de um longo processo de violência que começa com assédio moral, xingamentos, até a tragédia final. Muitas mulheres sentem vergonha e culpa, o que dificulta a denúncia”, explicou a ministra.
Um exemplo positivo vem da Patrulha Maria da Penha em Foz do Iguaçu, onde nenhuma vítima em medida protetiva foi assassinada neste ano. “Integrar delegacia, Ministério Público, Cras e saúde é essencial para formar uma rede de proteção. Muitas mulheres têm medo de denunciar pela segurança dos filhos, que também são vítimas indiretas da violência”, completou.
CASA DA MULHER BRASILEIRA: ATENDIMENTO INTEGRAL E HUMANIZADO
Entre as ações do governo federal para amparar mulheres em situação de violência está a Casa da Mulher Brasileira, um espaço que oferece atendimento completo e acolhedor. Lá, as mulheres encontram triagem, apoio psicossocial, promoção da autonomia econômica, cuidados para as crianças e serviços judiciais.
Hoje, 11 casas já funcionam em todo o país, em cidades como Campo Grande, Curitiba, Fortaleza e São Paulo. Outras 31 unidades estão em fase de implantação, com investimento de R$ 389 milhões desde 2023. “Cada dia de atraso na inauguração é uma mulher que deixa de ser atendida. Esse serviço é vital, pois reúne Patrulha Maria da Penha, Defensoria, Ministério Público, delegacia e psicólogos, além de oferecer alojamento seguro”, afirmou a ministra.
LIGUE 180: UMA LINHA DE APOIO SEMPRE ABERTA
Para denúncias e orientações, o Ligue 180 funciona 24 horas por dia em todo o Brasil, com sigilo absoluto. A ligação pode ser feita de qualquer lugar, e há também atendimento via WhatsApp (61) 9610-0180. Em casos de emergência, o contato é com a Polícia Militar, pelo 190.
“Não se trata só de denunciar, mas de garantir que a mulher seja orientada e encaminhada a serviços de proteção”, ressaltou Márcia Lopes. Investimentos em tecnologia buscam ampliar a eficácia e o alcance desse canal.
CONFERÊNCIA NACIONAL DE POLÍTICAS PARA AS MULHERES REÚNE FORÇAS PARA O FUTURO
Após uma década, a 5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres será realizada em Brasília no dia 29 de setembro, com o tema Mais democracia, mais igualdade, mais conquistas para todas. O encontro pretende fortalecer o diálogo entre a sociedade civil e o poder público, construindo diretrizes para o novo Plano Nacional de Políticas para as Mulheres.
Mais de 1.400 conferências municipais e territoriais prepararam o terreno para a plenária que deve reunir cerca de 3,5 mil mulheres de todo o país. “Cada grupo de mulheres tem suas especificidades e prioridades. Estamos ouvindo, implementando e unindo forças”, comentou a ministra.
AUTONOMIA ECONÔMICA E IGUALDADE SALARIAL COMO CAMINHOS PARA A LIBERDADE
O governo federal também aposta na autonomia econômica como estratégia para fortalecer as mulheres. Programas como o Acredita, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, já impactaram mais de um milhão de mulheres, enquanto iniciativas como lavanderias comunitárias oferecem espaços para geração de renda e organização.
“A mulher ganha 20 a 30% a menos que o homem em funções equivalentes. Isso precisa mudar”, destacou Márcia Lopes, citando a Lei da Igualdade Salarial, que completa dois anos, como instrumento essencial para transparência e combate à discriminação.
Além disso, políticas para garantir que pelo menos 8% dos contratos terceirizados em órgãos públicos sejam destinados a mulheres vítimas de violência ampliam oportunidades. “O mundo do trabalho está fluido e precário, mas as mulheres podem e devem ocupar esses espaços, contribuindo para a economia local e sua própria emancipação”, afirmou.
Fonte: Agência Gov
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