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Animação catarinense «O Boitatá Incandescente» tem estreia mundial na Seminci, na Espanha

Curta da diretora estreante Valentina de Andrade Paiva resgata a lenda do Boitatá guarani e açoriano nos cenários noturnos de Florianópolis e dá vida à escultura no campus da UFSC
A animação 2D O Boitatá Incandescente teve sua estreia mundial no sábado, dia 24 de outubro, na 71ª Seminci — Semana Internacional de Cinema de Valladolid, um dos festivais de cinema mais importantes da Europa. O curta-metragem de aproximadamente seis minutos, narrado em guarani, é o primeiro trabalho de direção da animadora Valentina de Andrade Paiva, que iniciou os estudos em Animação na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e foi financiado pela Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes e Prêmio Catarinense de Cinema — Edição Especial Lei Paulo Gustavo 2023.
O filme traz à vida a escultura “O Boitatá Incandescente”, do artista plástico florianopolitano Laércio Luiz, instalada no campus da UFSC e faz uma fusão das lendas guaranis e açorianas sobre o boitatá. Sob a lua cheia, o personagem de ferro e fogo ganha asas e sobrevoa Florianópolis: observa o avanço imobiliário, incendeia-se e reacende as luzes da Ponte Hercílio Luz. A narrativa alterna entre o ano 1400 — quando um ancião narra a lenda em guarani às crianças da aldeia — e o tempo presente, conectando ancestralidade e cidade contemporânea num ciclo que se fecha com a mesma lua cheia.
O curta participou da programação da 71ª edição do festival como parte das sessões Miniminc, que trazem filmes para crianças, jovens e a comunidade educativa.
Slogan
Um ser de fogo da cosmologia indígena Guarani ganha vida em uma escultura contemporânea e sobrevoa a cidade à noite, encontrando a expansão urbana.
Sinopse
No ano de 1400, ao redor de uma fogueira no coração da floresta tropical sul-americana, um ancião narra, em guarani, algumas lembranças de Boitatá, protetor das florestas. Hoje, uma escultura inspirada na mesma figura, instalada na cidade de Florianópolis, ganha vida sob a lua cheia. A criatura voa pelo céu noturno, confrontando a poluição e a expansão urbana. Nessa narrativa, arte e fogo conectam passado e presente para questionar o futuro.
Sobre o filme
O Boitatá Incandescente é uma experiência audiovisual que levanta questões sobre a preservação do patrimônio material e imaterial por meio de um diálogo entre o ancestral e o contemporâneo. A figura do Boitatá está presente nas narrativas de diversos povos indígenas sul-americanos e é constantemente reinterpretada por culturas no Brasil.
Neste filme, essa figura ancestral associada à proteção das florestas desperta em uma escultura no coração de uma cidade contemporânea: Florianópolis, onde sobrevoa o céu noturno observando a expansão urbana.
Um ancião introduz a história narrando memórias em guarani. O curta-metragem adota então um tom contemplativo, utilizando a perspectiva aérea do Boitatá para retratar a cidade. O fogo é um elemento poderoso na narrativa, adquirindo diferentes significados ao longo da história: ancestralidade, fúria, destruição, transformação, luz e esperança. A obra tem uma filosofia central: o futuro possível é ancestral.
O filme busca retratar a crise ambiental em imagens que podem ser sentidas, tornando-se uma narrativa sobre nossa própria alienação. Uma criatura ancestral que precisa despertar porque talvez tenhamos esquecido algo essencial: nós somos a própria natureza.
Numa cadeia criativa que demonstra o poder da arte como veículo de preservação do património imaterial, esta obra audiovisual animada adota como protagonista uma escultura real do artista local Laércio Luiz, que por sua vez baseou o seu trabalho nos desenhos e histórias do folclorista Franklin Cascaes. Cascaes inspirou-se nas narrativas populares do litoral de Santa Catarina, que se entrelaçam com elementos das culturas indígena, africana e portuguesa.
O filme também destaca o patrimônio tangível da cidade. Seu título homenageia a escultura homônima, com aproximadamente 15 metros de altura, localizada no campus da Universidade Federal de Santa Catarina. Construída com estruturas metálicas reaproveitadas da reforma da Ponte Hercílio Luz, um marco da cidade, o espírito ancestral do Boitatá ganha vida neste fragmento de patrimônio urbano, um símbolo de preservação da paisagem. O protagonista se reconecta com suas origens ao visitar a ponte.
A trilha sonora é composta por Anélita Núñez, cantora e instrumentista indígena Guarani, e integra sons tradicionais a uma abordagem contemporânea.
Sobre a diretora
Valentina de Andrade Paiva iniciou seus estudos de animação na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2020. O Boitatá Incandescente é o seu primeiro trabalho como diretora. “Eu queria que o espectador, ao assistir ao filme, sentisse que essa história também lhe pertence. Boitatá luta com fúria para preservar seu lar, e nós também somos Boitatá.”
O filme foi produzido pela Arrebol Produções e Laércio Luiz Arte da Terra e foi financiado pela Fundação Cultural de Florianópolis Franklin Cascaes e pelo Prêmio Catarinense de Cinema — Edição Especial Lei Paulo Gustavo 2023.
Ficha técnica
Título: O Boitatá Incandescente
Direção: Valentina de Andrade Paiva
Roteiro: Valentina de Andrade Paiva e Carolina Borges de Andrade
Produção: Carolina Borges de Andrade e Laércio Luiz da Silva
Direção de produção: Barbara Pettres
Animação: Carlos Vinícius Vieira; Fê Rediske e Hebert Freitas
Direção musical/Som: Anélita Núñez e Jeff Nefferkturu
Montagem: Alan Stone Langdon
Gênero: Animação/Ficção Fantástica
Som: Alan Stone Langdon
Duração: 6 minutos
Formato: Cor, HD 4k, 24 fps
País: Brasil
Ano: 2026
Idioma: Guarani
Voz em guarani: Teófilo Gonçalves