Festival internacional de cultura pan-africana, FELABRATION Floripa chega à 5ª edição com 8 dias de programação

Inspirado no movimento criado em Lagos para celebrar o legado de Fela Kuti, o festival terá programação entre 23 de outubro e 1º de novembro, com música, arte, formação, ancestralidade e ocupação de diferentes territórios da cidade
Da Nigéria para diferentes partes do mundo, uma celebração criada em torno da música e do pensamento de Fela-Anikulapo Kuti encontrou em Florianópolis um território para construir sua própria história. Em 2026, o FELABRATION Floripa chega à quinta edição na capital catarinense com uma programação dedicada à arte e à cultura pan-africana que reúne música, artes visuais, formação, dança, poesia, moda, infância, memória, ancestralidade e território.
As atividades acontecem entre 23 de outubro e 1º de novembro e estão organizadas em três grandes momentos. O Felapretas, no dia 23 de outubro, abre a programação; o Feladucação, de 26 a 30 de outubro, concentra as ações formativas; e o FELABRATION Floripa, nos dias 31 de outubro e 1º de novembro, encerra a edição com dois dias de ocupação cultural da Mariquinha, com da colaboração a comunidade local.
É a versão manezinha de um movimento que nasceu do outro lado do Atlântico. O FELABRATION surgiu em Lagos, na Nigéria, em 1998, criado por Yeni Kuti, filha mais velha de Fela-Anikulapo Kuti, como uma celebração da vida, da música e das ideias anticolonialistas e pan-africanistas do artista. Realizado tradicionalmente no mês de nascimento de Fela, em outubro, o festival cresceu, ganhou dimensão internacional e inspirou celebrações em diferentes partes do mundo.
O Felabration Floripa é oficialmente licenciado pelo Felabration Nigeria, organização ligada aos herdeiros de Fela Kuti e responsável pela celebração original, e é o único festival oficialmente licenciado no Brasil. Essa conexão direta com a Nigéria insere Florianópolis na rede internacional de celebrações que mantêm vivo o legado artístico, cultural e político de Fela.
Na capital catarinense, o movimento chega ao quinto ano construindo uma experiência própria, que tem no Morro da Mariquinha o seu berço e um território fundamental dessa história. Foi a partir dessa relação com a comunidade que o FELABRATION Floripa criou raízes na cidade e passou a estabelecer seus próprios diálogos entre a referência nigeriana e as expressões culturais, os artistas, as comunidades e as questões de um território brasileiro.
A Mariquinha, portanto, não é apenas um dos espaços que recebem a programação: é o território onde o FELABRATION Floripa nasceu e a partir do qual construiu sua identidade. É nesse encontro que o festival aproxima África e diáspora, estabelece pontes entre Lagos e Florianópolis e propõe conexões entre memória, território, passado e presente.
Um festival que começa na música e atravessa outras linguagens
Fela Anikulapo Kuti nasceu em 15 de outubro de 1938, em Abeokuta, na Nigéria, e se tornou uma das figuras mais influentes da música africana do século 20. A partir do encontro entre highlife, jazz, funk, ritmos e tradições musicais africanas, desenvolveu, ao lado de outros músicos, a linguagem que ficaria mundialmente conhecida como Afrobeat.
Segundo o produtor cultural Selecta Desha, Fela-Anikulapo Kuti transformou a música em espaço de reflexão e enfrentamento político. “Suas composições abordaram autoritarismo, violência policial, corrupção, colonialismo e desigualdade social em um período marcado por sucessivos governos militares na Nigéria. Uma postura que resultou em prisões, perseguições e episódios de violência, entre eles a invasão da Kalakuta Republic, comunidade criada pelo artista em Lagos,” conta.
Essa relação entre criação artística e realidade social permanece como uma das bases do FELABRATION Floripa. Por isso, a celebração não se limita ao afrobeat ou à trajetória de um músico. Música, educação, artes visuais, palavra, corpo, memória e território passam a fazer parte de uma mesma construção.
Herança de luta
A dimensão política e ancestral que atravessa o festival também passa por uma mulher fundamental na história da Nigéria: Funmilayo Ransome-Kuti, mãe de Fela. Professora, ativista, anticolonialista e uma das grandes lideranças dos movimentos de mulheres nigerianas e africanas, no século 20, Funmilayo participou das lutas pela independência do país e liderou mobilizações pela participação política e pelos direitos das mulheres. O que significa que Fela cresceu em um ambiente em que educação, cultura e participação política estavam profundamente conectadas. E neste contexto, sua mãe aparece não apenas como referência ao passado, mas como memória, transmissão de conhecimento e continuidade entre gerações.
De Lagos a Florianópolis
Na quinta edição em Florianópolis, essas conexões aparecem em uma programação que percorre diferentes espaços e linguagens. A abertura, no dia 23 de outubro, será com Felapretas, uma noite que coloca em evidência a presença e o protagonismo de mulheres negras na música, na dança e em outras manifestações artísticas. De 26 até 30 de outubro, o Feladucação amplia o festival para o campo da formação e da troca de conhecimentos, aproximando arte, educação, cultura pan-africana e afro-futurismo, acessibilidade e reflexão. E nos dias 31 de outubro e 1º de novembro, o FELABRATION Floripa chega à comunidade da Mariquinha para dois dias de ocupação cultural. Música, DJs, shows, percussão, poesia, grafite, artes visuais, atividades para crianças, feira, experiências de afro-espiritualidade e ações ligadas à própria comunidade estão entre as linguagens que atravessam a programação.
“A escolha da Mariquinha reforça uma relação construída pelo festival com o território. A comunidade possui uma história marcada pela presença da arte urbana, sendo a maior galeria de arte a céu aberto do sul do país, e conta com um mural de Fela Kuti no ponto mais visível do setor como símbolo de resistência e identidade. Fazer o felabration ali é turbinar a autoestima da população preta e periferica”, conta Nenuco, idealizador e produtor do festival.
Por isso, a Mariquinha não aparece apenas como endereço do evento. O território e as pessoas que constroem sua vida cultural integram a própria proposta do FELABRATION Floripa. Durante 8 dias, a capital catarinense se conecta a essa história por meio de música, arte, formação, território e ancestralidade.
O projeto é uma proposta executada pelo Governo do Estado de Santa Catarina, por meio da Fundação Catarinense de Cultura (FCC), com recursos do Governo Federal e da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura.
FELABRATION FLORIPA 2026
Felapretas: 23 de outubro
Feladucação: 26 a 30 de outubro
FELABRATION Floripa: 31 de outubro e 1º de novembro
Florianópolis (SC)
Instagram: @felabration.floripa
Site: felabration.floripa.br
Linktree: https://linktr.ee/
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