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Países do Brics se unem para enfrentar o uso da inteligência artificial por terroristas

Reunião coordenada pela Abin destaca papel da inteligência artificial e das redes sociais na propagação do extremismo violento e reforça urgência de atuação conjunta

Você já parou para pensar em como ferramentas que usamos diariamente — como redes sociais, inteligência artificial e até jogos online — podem ser convertidas em armas por grupos extremistas? Pois esse é justamente o alerta que mobilizou os países do BRICS durante mais uma reunião do seu Grupo de Trabalho de Contraterrorismo, realizada nesta quinta-feira (6/6), em Brasília.

Coordenado pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o encontro reforçou uma preocupação crescente: a sofisticação do uso de tecnologias digitais por organizações terroristas ao redor do mundo. O uso estratégico da deep web, de algoritmos de IA, de redes sociais e de ambientes virtuais de jogos para disseminar discursos de ódio, desinformação e propaganda violenta exige dos países uma resposta coordenada, adaptável e, acima de tudo, preventiva.


TECNOLOGIA COMO ARMA: UM NOVO CENÁRIO PARA O CONTRATERRORISMO

Vivemos uma era em que o extremismo violento rompe fronteiras com um clique. Plataformas digitais se tornam terreno fértil para discursos radicais, recrutamento de seguidores e organização de ações criminosas. E isso, claro, preocupa — e muito — os países que compõem o BRICS.

Durante a reunião do grupo, especialistas destacaram que a resposta ao terrorismo digital não pode ser meramente reativa. É preciso investir na construção de capacidades conjuntas, com foco em educação, formação técnica e cooperação internacional. O Brasil, ao lado da Etiópia, lidera o subgrupo voltado justamente para essa missão: criar oportunidades de formação e troca de conhecimentos sobre contraterrorismo.

A diretora da Escola de Inteligência da Abin, Anna Cruz, destacou o papel da capacitação como ferramenta essencial para antecipar ameaças:

“Esperamos que esta edição do Brics promova novas ferramentas de construção de capacidades para estreitar nossa cooperação e aprofundar nosso conhecimento sobre essa ameaça. Nos próximos anos podemos desenvolver uma resiliência ainda maior contra o terrorismo e o extremismo violento.”


PROTOCOLO BRASILEIRO DE PREVENÇÃO: UMA RESPOSTA ANTECIPADA

Na esteira das preocupações apresentadas, a Abin lançou e compartilhou com os demais países o novo “Protocolo de Prevenção de Ameaças do Extremismo Violento” — um documento que funciona como guia estratégico para mitigar o risco de ataques com motivação ideológica.

O protocolo detalha medidas concretas de prevenção, além de oferecer ferramentas para elevar o nível de alerta institucional e padronizar ações em caso de ameaças. A diretora substituta do Departamento de Inteligência Externa da Abin, Bárbara Requião, explicou que o foco principal é agir antes que a violência aconteça.

Ela também alertou para um problema que tem preocupado o Brasil nos últimos anos: os ataques em escolas, que muitas vezes se inspiram em subculturas digitais violentas com raízes transnacionais.

“O protocolo permite que instituições brasileiras elevem o nível de alerta e padronizem processos para otimizar esforços. Além disso, o documento diferencia ameaças extremistas de outras formas de violência”, afirmou.

Internacionalmente, Bárbara também destacou que, apesar das diferenças culturais e sociais entre os países, os padrões do extremismo violento digital apresentam semelhanças notáveis — o que reforça a importância de uma cooperação global.


BRICS 2025: UMA AGENDA PARA O FUTURO DA SEGURANÇA GLOBAL

A 10ª Reunião do Grupo de Trabalho de Contraterrorismo do BRICS, que segue até o dia 6 de junho, marca um momento estratégico dentro da presidência brasileira do bloco em 2025. O encontro ocorre em um contexto de grandes transformações tecnológicas e políticas, o que exige posicionamentos cada vez mais firmes dos países-membros.

O BRICS, hoje com 11 integrantes — Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã — funciona como um dos mais relevantes fóruns de articulação política e diplomática do Sul Global. E, como tal, também se torna peça-chave no enfrentamento às novas ameaças globais.

O desafio? Transformar essa articulação em ação coordenada, eficiente e adaptável às novas realidades — especialmente quando essas ameaças se camuflam em códigos de software, hashtags ou salas de bate-papo em jogos online.


E AGORA?

O que o BRICS discute hoje pode muito bem moldar a forma como o mundo lidará com o terrorismo amanhã. Com os algoritmos aprendendo mais rápido do que nunca e os grupos extremistas se adaptando com igual velocidade, não basta apenas reagir: é preciso prever, prevenir e cooperar.

Você já pensou no impacto que um simples protocolo pode ter na proteção de comunidades inteiras? Ou no poder transformador da educação como arma contra o extremismo? São essas perguntas — e as ações que nascem delas — que movem os países do BRICS nesta nova etapa de colaboração internacional.


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Francine Canto Boico

Francine Canto Boico é jornalista multimídia com mais de 20 anos de experiência profissional na área de comunicação, educação e cultura. Pós-graduada em Jornalismo Digital e mestre em Educação, Comunicação e Tecnologia pela UDESC, é diretora e editora-chefe do Conecta SC.

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