Com CLT em alta, desemprego atinge menor taxa desde o início da série histórica no Brasil
Imagine um Brasil com mais gente empregada, carteira assinada em alta, salários subindo e a economia ganhando fôlego. Esse cenário, que há pouco tempo parecia distante, agora é realidade. De acordo com os dados mais recentes divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira (31), o país atingiu um marco histórico: a menor taxa de desemprego já registrada desde o início da série da Pnad Contínua, em 2012.
A taxa de desocupação no segundo trimestre de 2025 ficou em 5,8%, uma queda de 1,2 ponto percentual em relação ao trimestre anterior (7,0%) e 1,1 ponto abaixo do mesmo período do ano passado (6,9%). Esse resultado foi impulsionado, sobretudo, pela alta expressiva no número de ocupados, que alcançou a marca de 102,3 milhões de pessoas com alguma forma de trabalho no país. Um avanço de 1,8% frente aos três primeiros meses do ano.
Conteúdos
MAIS TRABALHADORES E MENOS GENTE PROCURANDO EMPREGO
O número de pessoas em busca de uma vaga caiu para 6,3 milhões, representando um recuo de 17,4% em relação ao trimestre anterior. É uma redução de mais de 1,3 milhão de brasileiros que deixaram a fila do desemprego. Para se ter uma ideia, em novembro de 2024, a menor taxa até então era de 6,1%.
Essa melhora geral no cenário do emprego foi descrita por Adriana Beringuy, coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE:
“O crescimento acentuado da população ocupada no trimestre influenciou vários recordes da série histórica, dentre eles a menor taxa de desocupação”.
EMPREGO FORMAL DISPARA E CHEGA A RECORDE HISTÓRICO
Se tem algo que chama atenção nesse levantamento, é o crescimento do emprego formal. Nada menos que 39 milhões de trabalhadores têm hoje carteira assinada no setor privado, um número nunca antes registrado pela pesquisa do IBGE. O dado representa um aumento de 0,9% em comparação com o primeiro trimestre e 3,7% em relação ao mesmo período de 2024.
E mesmo com o avanço do emprego sem carteira (que cresceu 2,6% e atingiu 13,5 milhões), a taxa de informalidade caiu para 37,8%, a segunda menor desde 2020.
SETOR PÚBLICO E EDUCAÇÃO TAMBÉM PUXAM CRESCIMENTO
Entre os setores da economia, apenas um apresentou crescimento relevante no trimestre: Administração pública, educação, saúde e serviços sociais, puxado especialmente pela área de educação. O número de empregados no setor público chegou a 12,8 milhões, crescendo 5% em três meses e batendo mais um recorde histórico.
Na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, também cresceram os setores da indústria (+4,9%), comércio (+3,0%), transportes (+5,9%) e serviços profissionais e administrativos (+3,8%).
DESEMPREGO DE LONGO PRAZO DESPENCA
Outro dado bastante animador é a queda do número de desalentados — aquelas pessoas que desistiram de procurar trabalho. Esse grupo chegou a 2,8 milhões, o menor contingente desde 2016. Em um ano, foram menos 400 mil pessoas nessa situação. A taxa composta de subutilização da força de trabalho também recuou para 14,4%, a menor desde o início da pandemia.
RENDA MÉDIA SOBE E MASSA DE RENDIMENTO ATINGE PATAMAR HISTÓRICO
A melhora no mercado de trabalho já começa a se refletir no bolso dos brasileiros. O rendimento médio mensal dos trabalhadores chegou a R$ 3.477, um novo recorde da série histórica, com alta de 1,1% em relação ao trimestre anterior e 3,3% acima do mesmo período de 2024.
E com mais gente trabalhando e ganhando melhor, a massa de rendimentos (soma de tudo o que os trabalhadores recebem) bateu R$ 351,2 bilhões. Esse valor supera em 5,9% (ou R$ 19,7 bilhões) o total apurado no segundo trimestre do ano passado.
“O resultado recorde da massa de rendimento é consequência da significativa expansão da ocupação no trimestre, acompanhada de crescimento do rendimento médio real dos trabalhadores”, completa Adriana Beringuy.
PESQUISA REFORMULADA E COM NOVA BASE DO CENSO
Vale destacar que esta é a primeira edição da Pnad Contínua com ponderação atualizada a partir dos dados do Censo Demográfico de 2022. A mudança, que segue padrões internacionais, aprimora a representatividade dos resultados.
A pesquisa do IBGE é a mais abrangente do Brasil sobre o mercado de trabalho e visita trimestralmente 211 mil domicílios em todos os estados e no Distrito Federal. Com base nessas entrevistas, é possível traçar um panorama detalhado da força de trabalho do país, levando em conta todas as formas de ocupação — com ou sem carteira, temporária ou por conta própria.
Quer saber mais? Acesse a Nota Técnica 02/2025 neste link e consulte os dados completos no SIDRA.
Fonte: Agência Brasil e Agência Gov
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