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Florianópolis ocupa o topo do ranking nacional de acesso à cultura, revela pesquisa

Levantamento inédito mapeou 14 atividades culturais nas 27 capitais brasileiras e revelou que a capital catarinense lidera em cinco categorias e se mantém acima da média nacional em quase todas as demais

Florianópolis não é apenas sinônimo de praias paradisíacas e qualidade de vida. Agora, a capital catarinense também desponta como líder absoluta no acesso da população a uma ampla gama de atividades culturais. É o que aponta a pesquisa Cultura nas Capitais, o maior levantamento já realizado no Brasil sobre o tema, que coloca a cidade no topo de cinco categorias e entre as primeiras posições em quase todas as demais avaliadas.

UMA CAPITAL QUE RESPIRA CULTURA

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Foto: divulgação: Pedro Perez/PMF

Imagine viver em um lugar onde, além de cenários naturais deslumbrantes, é possível mergulhar em museus, participar de saraus, vibrar em shows de música e explorar festas populares e eventos o ano todo. Esse é o cotidiano de Florianópolis, que aparece em primeiro lugar no acesso a locais históricos (52%), shows de música (45%), festas populares (46%), museus (39%) e saraus (10%). Nenhuma outra capital brasileira lidera tantas modalidades.

A cidade também se destaca na leitura de livros (52%), na frequência a cinemas (54%), bibliotecas (33%), teatros (31%), espetáculos de dança (31%) e concertos (19%) — sempre acima da média nacional. Apenas em jogos eletrônicos o índice é igual ao das demais capitais.

Para o diretor da pesquisa, João Leiva, não é coincidência que os números sejam tão positivos:

“Florianópolis é uma das capitais de escolaridade mais alta. Na nossa amostra, metade da população está no ensino superior ou já concluiu. Como a escolaridade é o fator que mais influencia o acesso à cultura, certamente isso ajuda a explicar os ótimos resultados da cidade. Além disso, tem uma mistura muito rica de tradições culturais, o que colabora para que o acesso seja comparativamente alto não só em atividades feitas em locais fechados – como museus, cinema e teatro –, como naquelas feitas em locais abertos, como festas populares.”

PARTICIPAÇÃO ATIVA NA CRIAÇÃO CULTURAL

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Foto: Pedro Malamam

Não é apenas no consumo cultural que Florianópolis brilha — a produção e a prática artística também são destaque. Quase metade da população (48%) afirma participar de pelo menos uma atividade artística, o maior índice entre as capitais, contra média nacional de 34%. E apenas 15% dizem nunca ter se envolvido com nenhuma prática do tipo (média nacional: 25%).

As expressões mais populares incluem dança (52%), música (36%), audiovisual (31%), escrita (30%) e artes plásticas/desenho (29%). Ou seja: a cidade é, de fato, um celeiro criativo.

UMA PLAYLIST DIFERENTE DO RESTO DO BRASIL

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Foto: Toia Oliveira

Se a música é um termômetro cultural, Florianópolis tem um repertório que surpreende. É a capital mais roqueira do país — 32% dos moradores têm o rock como gênero favorito, superando até cidades tradicionalmente ligadas ao estilo, como Curitiba e Porto Alegre (30% cada).

O rap também encontra aqui um público apaixonado: 16% o colocam como preferência, quase o dobro da média nacional (9%). A diversidade continua com a MPB (32%), o pop (23%) e até a música erudita (11%).

E quando o assunto é como ouvir música, a cidade une tradição e modernidade: o YouTube ainda é o canal mais usado (66%), mas o Spotify já alcança 58% dos moradores — o maior índice do país.

STREAMING, CINEMA E TELAS DIGITAIS

O consumo audiovisual também revela uma Florianópolis conectada e exigente. A cidade lidera no uso de plataformas de streaming para assistir filmes e séries (66%), bem acima da média de 51%. Em contrapartida, é onde menos se recorre à TV aberta para esse fim: apenas 25% dos entrevistados, contra 39% no conjunto das capitais.

FESTAS POPULARES E AMOR PELO CENTRO HISTÓRICO

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Foto: Francine Canto

Festas juninas, blocos de Carnaval, apresentações de rua — em Florianópolis, celebrar é quase um patrimônio cultural. Um terço dos moradores (33%) foi a festas juninas no último período, e 22% participaram de blocos de Carnaval, ambos acima da média nacional.

Outro dado curioso é a relação da população com o centro histórico: 13% apontam essa área como o espaço cultural que mais frequentam — um índice muito acima da média de 2%, ficando atrás apenas de São Luís (21%). Entre os locais mais citados, estão o Centro Integrado de Cultura (CIC), praças e parques, o centro da cidade e, claro, a praia.

COMO A PESQUISA FOI FEITA

A edição 2024 da Cultura nas Capitais ouviu 19.500 pessoas em todas as capitais brasileiras, incluindo o Distrito Federal, entre 19 de fevereiro e 22 de maio de 2024. A amostra abrange moradores a partir de 16 anos, de todas as classes sociais, entrevistados presencialmente em pontos de grande circulação.

O trabalho de campo foi realizado pelo Datafolha, com metodologia que incluiu até 61 perguntas sobre hábitos culturais e dados socioeconômicos. O estudo adotou o Critério Brasil de Classificação Econômica, definido pela ABEP, que leva em conta escolaridade do chefe de família e bens de conforto no domicílio.

O levantamento foi conduzido pela JLeiva Cultura & Esporte, com patrocínio do Itaú e do Instituto Cultural Vale, via Lei Rouanet, e parceria da Fundação Itaú.


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Francine Canto Boico

Francine Canto Boico é jornalista multimídia com mais de 20 anos de experiência profissional na área de comunicação, educação e cultura. Pós-graduada em Jornalismo Digital e mestre em Educação, Comunicação e Tecnologia pela UDESC, é diretora e editora-chefe do Conecta SC.

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