Lula convoca líderes globais para atuação que vá além dos discursos da COP30
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu uma atuação para além dos discursos ao publicar, nesta quinta-feira (6), um artigo em jornais nacionais e internacionais em que convoca líderes globais a transformar a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), em Belém, no ponto de virada para uma ação efetiva contra a crise climática. O chefe do Executivo ressaltou que o encontro deve ser “a hora da ação”, pedindo um compromisso multilateral urgente e concreto frente aos desafios ambientais que o planeta enfrenta.
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A HORA DA AÇÃO
Lula destacou que o sucesso da COP30 depende da mobilização dos países e da superação de meros discursos políticos. “Se não atuarmos de maneira efetiva, para além dos discursos, nossas sociedades perderão a crença nas COPs, no multilateralismo e na política internacional de maneira mais ampla”, afirmou o presidente. Ele defendeu que a conferência em Belém seja “a COP da verdade”, simbolizando um novo ciclo de engajamento real dos governos.
O presidente também relembrou conquistas históricas do Brasil na agenda ambiental, como a realização da ECO-92 e a criação de convenções internacionais sobre clima, biodiversidade e desertificação. Para ele, sediar a COP30 “no coração da floresta amazônica” reforça o protagonismo brasileiro e convida o mundo a conhecer de perto os desafios e as potencialidades da região.
COMPROMISSO COM A CIÊNCIA E A COOPERAÇÃO
Lula ressaltou que a união e o embasamento científico são fundamentais para enfrentar os efeitos do aquecimento global. Ele citou exemplos de ações coletivas que já provaram sua eficácia, como o combate à destruição da camada de ozônio e as medidas globais durante a pandemia da covid-19.
Segundo o presidente, a COP30 deve servir como um espaço de convergência entre governos, cientistas, ativistas e jornalistas para buscar soluções práticas e sustentáveis. “As COPs não podem ser apenas uma feira de boas ideias, nem uma viagem anual dos negociadores. Elas devem ser o momento de contato com a realidade e de ação efetiva no enfrentamento à mudança do clima”, defendeu.
JUSTIÇA CLIMÁTICA E FINANCIAMENTO PARA O SUL GLOBAL
O presidente cobrou que os países ricos assumam responsabilidades financeiras compatíveis com seus históricos de emissões. Para ele, ampliar os recursos destinados ao Sul Global é uma questão de justiça climática. “Precisam, portanto, estar à altura de suas responsabilidades. Não apenas assumir compromissos, mas honrar suas dívidas”, afirmou.
Lula ressaltou que o Brasil vem fazendo sua parte, apontando que, em dois anos, o país reduziu pela metade a área desmatada na Amazônia, um resultado que reforça a credibilidade brasileira nas negociações ambientais.
FUNDO FLORESTAS TROPICAIS PARA SEMPRE
Durante o artigo, o presidente também destacou o lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), apresentado na Cúpula do Clima. Ele descreveu a iniciativa como inovadora, por se tratar de um fundo de investimento, e não de doação.
O Brasil anunciou aporte inicial de US$ 1 bilhão e espera contribuições de outros países. O TFFF terá como objetivo remunerar quem preserva as florestas e incentivar investimentos sustentáveis. Lula classificou o projeto como um modelo “ganha-ganha” na luta climática global.
METAS AMBICIOSAS DE REDUÇÃO DE EMISSÕES
O artigo também abordou a Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do Brasil, que prevê reduzir entre 59% e 67% das emissões até 2035. O compromisso abrange todos os gases de efeito estufa e setores da economia. Lula instou os demais países a apresentarem metas igualmente ambiciosas e a colocá-las em prática com transparência.
TRANSIÇÃO ENERGÉTICA E RESPONSABILIDADE SOCIAL
Lula reforçou a importância de usar parte dos recursos da exploração do petróleo para financiar uma transição energética justa, ordenada e equitativa. Ele observou que empresas como a Petrobras devem se transformar gradualmente em companhias de energia limpa.
“O modelo baseado em combustíveis fósseis é insustentável. As petroleiras do mundo, com o tempo, se transformarão em empresas de energia”, declarou.
O presidente também destacou a necessidade de inclusão social na transição verde, lembrando que bilhões de pessoas ainda vivem em condições precárias. “Não podemos esquecer que 2 bilhões de pessoas não têm acesso à tecnologia e combustíveis limpos para cozinhar; 673 milhões de pessoas ainda vivem com fome no mundo”, afirmou. Em resposta, o governo lançará em Belém a Declaração sobre Fome, Pobreza e Clima, buscando unir as agendas ambiental e social.
REFORMA DO MULTILATERALISMO
No encerramento, Lula defendeu uma reforma ampla da governança global, argumentando que o Conselho de Segurança da ONU “sofre com a paralisia” e não tem conseguido evitar guerras. Propôs a criação de um Conselho de Mudança do Clima da ONU, vinculado à Assembleia Geral, para garantir o cumprimento efetivo dos compromissos assumidos pelos países.
“A cada Conferência do Clima, ouvimos muitas promessas, mas poucos compromissos efetivos. A época das cartas de boas intenções se esgotou: é chegada a hora dos planos de ação. Por isso, começamos hoje a ‘COP da verdade’”, concluiu o presidente.
Com informações da Agência Brasil





