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Pesquisas para o Senado são perigosas – Artigo por Frutuoso Oliveira

Sou fã de pesquisas eleitorais. Acredito que todas elas são verdadeiras — no sentido de refletirem um momento específico da corrida pelo voto. E, como trabalho com pesquisas há bastante tempo, aprendi que o eleitor gosta de responder como se entendesse profundamente de política. Por isso, tende a citar nomes mais conhecidos ou os que estão no centro do debate naquele instante.

Com base nisso, posso garantir: pesquisas quantitativas divulgadas quase um ano antes da eleição até oferecem um indicativo, mas estão longe de prever o resultado final.

Nesta semana circulou na imprensa uma pesquisa do Instituto Neokamp que coloca Jorginho Mello (PL) liderando a corrida pela reeleição, seguido por João Rodrigues (PSD) e Décio Lima (PT). Até aí, tudo faz sentido, considerando o tabuleiro atual.

O problema aparece na pesquisa para o Senado. Somando o primeiro e o segundo voto, a deputada Caroline de Toni (PL) aparece com mais de 53% das intenções, e o vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL) com mais de 38%.

Fui buscar dados desde 1986 e, em todas as eleições com dois votos para o Senado, a maior votação individual foi a de Luiz Henrique (MDB) em 2010: 28,4%. Ele ainda puxou Paulo Bauer (PSDB), que fez 25,3%. Quem viveu aquela eleição lembra o esforço de LHS para levar o tucano junto.

E convenhamos: quem era Luiz Henrique naquele momento — encerrando o segundo mandato de governador, com cerca de 80% de aprovação — para o eleitor catarinense, comparado aos nomes que hoje estão na vitrine?

Outro exemplo: Vilson Kleinubing, em 1994, logo após um mandato muito bem avaliado como governador, fez 26,3%. Naquela eleição, CasildoMaldaner ficou em segundo, com 19,6%.

Ou seja: nenhum eleito chegou perto dos 53% atribuídos a Caroline de Toni, nem dos 38% estimados para Carlos Bolsonaro. Para que isso se confirmasse, ambos precisariam se tornar os maiores fenômenos eleitorais da história política de Santa Catarina.

Mas este é um texto sobre pesquisas. Com exceção de 2010, quando Luiz Henrique e Paulo Bauer lideravam as sondagens e foram efetivamente eleitos, em todas as demais eleições de 2002 para cá — considerando apenas essas que têm registro — os levantamentos não previram o resultado final.

Em julho de 2002, segundo o Ibope, Paulinho Bornhausen (PFL) liderava com 28%, seguido por Casildo Maldaner (MDB), com 22%. Leonel Pavan (PSDB) tinha 13% e aparecia em terceiro; Ideli Salvatti (PT) surgia num distante sexto lugar, com apenas 4%.

Quando as urnas abriram três meses depois, Ideli foi eleita com 18,8% e Pavan com 17,3%. Paulinho terminou em quarto e Maldaner em sexto. As pesquisas estavam erradas? Não. Apenas refletiam aquele momento — e o cenário mudou.

Em setembro de 2018, Esperidião Amin (PP) aparecia com 30% nas pesquisas do Ibope. O segundo era Raimundo Colombo (PSD), com 27%; Paulo Bauer (PSDB), com 25%; e Jorginho Mello (PL), com 13%.
Amin acabou eleito, mas com apenas 18,7%, bem distante dos 30% projetados. O segundo colocado foi Jorginho, com 18,1%. E em terceiro apareceu o até então desconhecido Lucas Esmeraldino (PSL), beneficiado pela onda Bolsonaro, com 17,8%.

Portanto, é muito cedo para apostar em duplas vencedoras ao Senado com base nas pesquisas atuais. Elas mostram apenas um retrato da corrida eleitoral. A decisão do eleitor — que é soberana — acontecerá lá na frente, quando a campanha esquentar. Até lá, o jogo segue totalmente aberto.

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