Estudo da UFSC analisa como a ayahuasca pode extinguir memórias aversivas
A ayahuasca é o foco de um novo estudo científico que trouxe evidências inéditas sobre como a substância atua no cérebro na redução de memórias aversivas associadas a experiências traumáticas. A pesquisa foi conduzida por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), e teve seus resultados publicados no periódico internacional European Neuropsychopharmacology.
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ESTUDO INVESTIGA AÇÃO DA AYAHUASCA NO CÉREBRO
O trabalho foi liderado por Isabel Werle e Leandro J. Bertoglio, da UFSC, com a colaboração de Francisco S. Guimarães, Rafael G. dos Santos e Jaime E. C. Hallak, da USP. A investigação buscou compreender os mecanismos neurobiológicos envolvidos na ação da ayahuasca, bebida tradicional amazônica que contém o composto psicodélico N,N-dimetiltriptamina (DMT), especialmente em processos relacionados ao medo.
EXPERIMENTOS INDICAM REDUÇÃO DO MEDO E DA GENERALIZAÇÃO AVERSIVA
A partir de experimentos com ratos e ratas, os pesquisadores observaram que a administração oral de ayahuasca favoreceu a extinção do medo condicionado e reduziu a generalização de respostas aversivas. Esse fenômeno ocorre quando reações defensivas se estendem a contextos ou estímulos que não representam ameaça real, sendo comum em transtornos psiquiátricos associados ao trauma.
Os efeitos foram identificados mesmo em situações de estresse prévio ou sob condicionamento aversivo mais intenso, indicando a robustez da resposta observada nos modelos experimentais.
PAPEL DO BDNF E DO CÓRTEX INFRALÍMBICO
Os resultados apontam que os efeitos da ayahuasca dependem da ativação de vias de sinalização envolvendo o fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF) e seu receptor, o TrkB, no córtex infralímbico. Essa região cerebral é considerada essencial para o processo de extinção da memória de medo.
O estudo também identificou diferenças entre os sexos tanto na resposta à ayahuasca quanto na dependência do BDNF para a generalização do medo, evidenciando a complexidade dos mecanismos neurobiológicos envolvidos.
POTENCIAL TERAPÊUTICO EM TRANSTORNOS RESISTENTES
De acordo com os autores, os achados sugerem que a ayahuasca pode modular memórias de medo consideradas mal adaptativas por meio de mecanismos corticais específicos. Esses resultados reforçam o interesse científico no potencial terapêutico de substâncias psicodélicas, como a DMT, no auxílio ao tratamento de condições resistentes às abordagens convencionais, incluindo o transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).
O artigo completo está disponível aqui.





