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Quem são os pré-candidatos a governador em Santa Catarina? 

A corrida eleitoral começou mais cedo do que o esperado em Santa Catarina. Enquanto as convenções partidárias e a inscrição das chapas estão previstas para acontecer apenas entre o final de julho e o início de agosto segundo o calendário eleitora, os principais concorrentes no Estado se adiantaram, e deram passos significativos na construção de suas coligações. Resultado disso é um cenário já praticamente definido — pelo menos no quesito de candidatos ao governo. 

A pouco mais de quatro meses do início da campanha oficial, já podemos dar por certas cinco diferentes candidaturas ao Executivo estadual, cada uma com diferentes graus de definição. A chapa do governador Jorginho Mello (PL), por exemplo, se adiantou, e definiu já em março todas as suas vagas majoritárias, enquanto seu principal concorrente — o ex-prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD) — ainda articula a sua coligação com possíveis aliados.

Há ainda a Frente de Centro-Esquerda, liderada por Gelson Merísio (PSB), que tem trabalhado nos bastidores para consolidar um palanque para Lula em Santa Catarina, e o  projeto de extrema direita do recém-criado Partido Missão, encabeçado por Marcelo Brigadeiro. Por último, vem a pré-candidatura do empresário Ralf Zimmer (PRD), anunciada no início de abril, com o intuito de ser uma alternativa para a direita no Estado. 

Confira abaixo mais detalhes de cada pré-candidatura ao governo:

A chapa quase pura de Jorginho Mello (PL)

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Mais adiantado dos pré-candidatos, o governador Jorginho Mello (PL) briga pela reeleição, e tem apostado nos resultados favoráveis das pesquisas eleitorais para construir uma chapa mais ou menos pura, com figuras ligadas ao PL e ao Novo. Esse desenho começou a se consolidar em janeiro deste ano, quando Jorginho colocou de lado o MDB, ao qual havia sido prometido o cargo de vice em articulações passadas, e anunciou como seu companheiro de chapa o então prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo).

Até então, a chapa de Jorginho acomodava também a Federação União Progressista, com Esperidião Amin (PP) pré-candidato ao Senado ao lado de Carol De Toni (PL) ou Carlos Bolsonaro (PL) — a polêmica na época girava em torno de qual dos dois liberais seria confirmado. O resultado final? Amin acabou sendo removido do projeto no final de fevereiro, e Jorginho confirmou a deputada federal e o filho de Bolsonaro em seu projeto, disputando as duas vagas para a Câmara Alta.

Apesar de ter posto de lado dois dos maiores grupos partidários do Estado, Jorginho Mello ainda permanece na liderança na corrida eleitoral, com algumas pesquisas sugerindo a possibilidade de uma vitória em primeiro turno. Ao definir sua chapa tão cedo no calendário eleitoral, ele modificou a regras do jogo, e forçou seus oponentes a também correrem com suas próprias construções. Ainda há tempo até a campanha, no entanto, e muita coisa pode mudar até lá. 

A aliança ainda incerta de João Rodrigues (PSD)

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Principal candidato de oposição à direita de Jorginho Mello, João Rodrigues ensaia sua candidatura ao governo do Estado há anos, e hoje trabalha para definir seus companheiros de chapa. Sua renúncia à prefeitura de Chapecó aconteceu no final de março, após uma série de polêmicas internas no PSD, e hoje tudo indica que ele irá aglutinar os partidos deixados para trás por Jorginho Mello: o MDB e a Federação União Progressista, formada por PP e União Brasil.

A tríade foi anunciada oficialmente em uma coletiva de imprensa nas últimas semanas, que contou com a presença de João Rodrigues e os presidentes estaduais dos três grupos partidários: Carlos Chiodini (MDB), Eron Giordani (PSD) e Esperidião Amin (PP). Mas o anúncio foi mais uma sinalização de intenção do que uma decisão definitiva. Tanto MDB quanto os dois partidos da Federação ainda precisam convencer suas bases a apoiar a ideia, e resolver dissidências internas.

Mas o desenho apresentado por João Rodrigues tem tudo para ser sólido: MDB ficaria com a vaga de vice, e Amin, como candidato ao Senado, em uma chapa que lideraria no quesito tempo de rádio e televisão. Inicialmente, se pensava em candidatura única à Câmara Alta, mas novas conversas entre as lideranças da tríade indicam que pode ser necessário mais um candidato para capturar votos. Resta ver como se darão as negociações internas em cada partido. 

A Frente de Centro-Esquerda de Gelson Merísio (PSB)

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Após chegar ao segundo turno no pleito de 2022, o PT de Santa Catarina experimenta novas estratégias para ampliar o palanque de Lula no Estado — e quiçá eleger um senador catarinense pela primeira vez. A ideia é lançar uma candidatura mais “moderada”, que apele ao eleitorado de centro, deixando o PT para uma das vagas ao Senado. O candidato escolhido para esse desenho é o ex-deputado estadual Gelson Merísio. 

Figura com peso na política catarinense, Merísio já foi deputado estadual e presidiu a Alesc entre 2010 e 2012. Na última vez que foi candidato, em 2018, pelo PSD, venceu o primeiro turno com mais de 1,1 milhão de votos e era o favorito para o cargo de governador. Sua pré-candidatura foi gestada em Brasília, em uma construção que contou com a participação direta de Lula. A aposta é que o trânsito de Merísio nos bastidores catarinenses seja capaz de articular uma frente ampla de oposição a Jorginho Mello. 

O articulador da Frente Progressista em Santa Catarina ainda não fez aparições públicas, e trabalha para consolidar seu projeto nos bastidores. A chapa, no entanto, já está praticamente definida: sua candidata a vice será a ex-deputada Ângela Albino, que se filiou ao PDT recentemente. Décio Lima (PT), que inicialmente era cotado como candidato ao governo, concorrerá ao Senado — sua eleição é um dos principais objetivos da chapa neste ano. A outra vaga para a Câmara Alta será disputada pelo vereador de Florianópolis Afrânio Boppré (PSOL), cujo partido decidiu no início deste mês por participar da aliança. 

A primeira entrevista coletiva da Frente será realizada na próxima quinta-feira, às 10h, em Florianópolis. Na ocasião, Merísio apresentará a chapa de maneira oficial, e detalhará seus planos para o pleito de 2026. 

Marcelo Brigadeiro e sua Missão em Santa Catarina

O outsider no cenário político de Santa Catarina desta vez é Marcelo Brigadeiro,  Influenciador digital e ex-lutador de UFC que se aventura pela primeira vez como pré-candidato. À frente do projeto catarinense do recém-criado Partido Missão, ligado à organização de extrema-direita Movimento Brasil Livre (MBL), o pré-candidato defende bandeiras clássicas da extrema direita, com destaque para o discurso anticorrupção e a favor da truculência em operações policiais. 

Sua chapa ainda possui contornos incertos — o Missão não tem ainda pré-candidato a vice, e não definiu quem concorrerá às duas vagas para o Senado pela legenda. A certeza é que o partido deve correr de forma isolada: questionado pelo colunista Ânderson Silva, da NSC, em uma entrevista, Brigadeiro respondeu curto e grosso que “não há coligação com ninguém”.

A estratégia é apostar no crescimento do pré-candidato à presidência do partido, Renan Santos, entre a população jovem e nas redes sociais — ele figurou com cerca de 3% dos votos na última pesquisa DataFolha, divulgada em março. Para 2026, o Missão espera um resultado inesperado em Santa Catarina, tal qual Carlos Moisés em 2018. Resta ver se a aposta renderá frutos, e quem Marcelo Brigadeiro escolherá para acompanhá-lo na corrida neste ano. 

Ralf Zimmer (PRD) larga por último e promete renovação

O último a largar na corrida eleitoral deste ano foi Ralf Zimmer (PRD). O advogado anunciou  a sua pré-candidatura no início de abril, representando a Federação Renovação Solidária, composta pelos partidos PRD e Solidariedade. Seu projeto ainda não está bem definido, mas em entrevistas concedidas nas últimas semanas ele se posiciona como uma alternativa de “centro” no pleito estadual. 

Esta não é a primeira vez que Zimmer se aventura enquanto pré-candidato. Em 2022 ele se lançou candidato ao governo pelo PROS, partido que se fundiu ao Solidariedade após aquele pleito. Dessa vez, sua estratégia é fazer um aceno ao MDB em busca de uma aliança, oferecendo o cargo de vice e uma das vagas da chapa para o Senado. Ele também afirmou estar disposto a dialogar com o PSD, para quem poderia conceder a segunda vaga para o Senado. No entanto, é difícil acreditar que os dois partidos aceitem a proposta — uma vez que eles já praticamente confirmaram a aliança em torno de João Rodrigues. 

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Mateus Spiess

Jornalista graduado pela UFSC, tem experiência como repórter e assessor de comunicação em órgãos públicos, projetos culturais e empresas. Seus trabalhos são voltados para a cobertura de pautas ambientais, políticas e culturais em SC.

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