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Com denúncia de sucateamento na saúde e educação, servidores de Florianópolis decretam greve

Servidores contestam proposta da prefeitura

Os servidores municipais de Florianópolis iniciaram uma greve por tempo indeterminado nesta quinta-feira (23) após decisão tomada em assembleia da categoria organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Florianópolis (Sintrasem). O movimento atinge setores fundamentais como saúde, educação e assistência social e ocorre em meio a um impasse nas negociações da data-base deste ano.

O Sintrasem  afirma que, mesmo com margem na Lei de Responsabilidade Fiscal e “dinheiro em caixa”, a gestão negou a maior parte da pauta e deixou itens sem prazos ou garantias, classificando a proposta como “rebaixada” e um passo no “desmonte do serviço público”, em referência ao teor das notas divulgadas pela entidade.

Segundo o sindicato, não há proposta concreta para recompor salários de técnicos de enfermagem, garantir o piso dos agentes comunitários de saúde (ACS) e agentes de combate às endemias (ACE), nem para medidas estruturantes como realização de concursos, chamamento de aprovados, redução de jornada sem corte salarial, fim de terceirizações e defesa da previdência pública.

Prefeitura alega diálogo e cumprimento de acordos

A Prefeitura de Florianópolis diz lamentar a decisão de greve e afirma que trabalha para que os serviços essenciais não sejam interrompidos. Em nota, a administração sustenta que mantém “diálogo permanente” com as categorias e que tem cumprido integralmente os acordos firmados nos últimos anos, citando como exemplo o anúncio de reajuste salarial com base no INPC e a manutenção dos compromissos do Plano de Cargos, Carreiras e Salários.

O município também destaca investimentos na valorização do serviço público, informando que convocou mais de 1,9 mil novos servidores no último ano para reforçar o atendimento à população, entre profissionais da educação, saúde e outras áreas. A gestão afirma ainda que há um novo concurso em andamento, com mais de 40 cargos previstos.

Condições de trabalho nas unidades

No contraponto à narrativa da prefeitura, o Sintrasem descreve um cenário de sucateamento e sobrecarga nas unidades. A entidade relata falta de estrutura física, número insuficiente de trabalhadores, exaustão e adoecimento de equipes, além de casos recentes de agressões a profissionais da saúde em centros de atendimento, que o sindicato atribui à combinação de demanda alta e quadro reduzido.

Na educação, o sindicato afirma que há escolas com banheiros sem funcionamento e situações em que professores compram material didático com recursos próprios. Para a entidade, a deterioração das condições de trabalho impacta diretamente a qualidade do serviço prestado à população, reforçando o argumento de que a greve busca defender o serviço público, e não apenas reajustes remuneratórios.

Disputa sobre cumprimento de leis e carreira

Outro ponto de atrito envolve o cumprimento de legislações federais e decisões recentes sobre carreira. O Sintrasem diz que não recebeu proposta da prefeitura para efetivar a lei federal que reconhece auxiliares de sala no magistério, nem sinalização para revogar portarias consideradas pela categoria como ataques à educação.

O sindicato também aponta a ausência de um cronograma claro para concursos públicos e chamamento de aprovados, o que, segundo a entidade, mantém a dependência de terceirizações e contratos precários. A prefeitura, por sua vez, cita o concurso em andamento e as contratações recentes como evidência de que há reforço de pessoal na máquina pública.

Pressão por negociação

A greve ocorre no decorrer do segundo mandato do prefeito Topázio Neto (Podemos), reeleito em 2024 e empossado para seguir à frente da capital catarinense até 2028. A nova paralisação dos servidores testa a capacidade de negociação do governo em meio a uma pauta que combina reivindicações salariais, disputa sobre o modelo de gestão do serviço público e questionamentos sobre prioridades orçamentária.

O movimento prossegue com mobilizações nas unidades de trabalho, enquanto a categoria aguarda uma nova rodada de negociações que apresente avanços sobre a valorização das carreiras e a melhoria da infraestrutura de atendimento na capital.

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Adriana Dias

Jornalista apaixonada por contar histórias e dar voz a diferentes realidades, com interesse em cultura e temas sociais. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação e sonha com um mundo mais justo e empático.

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