A entrada em vigor da vertente comercial do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia projeta mudanças estruturais na economia de Santa Catarina. O tratado estabelece a redução gradual ou eliminação de tarifas de importação para mais de 90% dos produtos em um cronograma de até 15 anos. Enquanto setores como o agronegócio e a apicultura preveem expansão nas vendas externas, segmentos industriais e produtores de itens sensíveis, como vinhos e laticínios, enfrentarão maior competição no mercado interno.
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Desempenho do agronegócio e indústria catarinense
Em 2025, as exportações do agronegócio catarinense para o bloco europeu somaram US$ 765 milhões, uma alta de 15,4% em comparação ao período anterior. A carne de frango lidera as vendas, com faturamento de US$ 335,7 milhões. Atualmente, a União Europeia é o segundo principal destino das exportações do estado, registrando um crescimento global de 10,7% no último ano, com destaque também para os setores de madeira, fumo e móveis.
Para os pequenos negócios, o levantamento do Observatório de Negócios do Sebrae/SC aponta oportunidades claras na apicultura. A tarifa para o mel, hoje em 17,3%, será zerada dentro de uma cota de 7,5 mil toneladas anuais sob as novas regras do acordo entre Mercosul e União Europeia. Na indústria, os setores metalmecânico e automotivo terão a eliminação de tarifas para máquinas e autopeças em um prazo de quatro anos, facilitando a modernização do parque fabril catarinense.
Logística e a implementação do acordo Mercosul e União Europeia
A Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) aponta que a infraestrutura portuária do estado — com destaque para os portos de Itajaí, Navegantes e São Francisco do Sul — posiciona a região como um centro logístico estratégico para o cumprimento do tratado.
De acordo com entidade, o acordo oferece maior segurança jurídica e previsibilidade para o comércio internacional.
Desafios setoriais e balança comercial
Apesar da abertura de mercado, Santa Catarina mantém uma balança comercial deficitária com a União Europeia. Em 2025, o estado importou US$ 4,64 bilhões em produtos de alto valor agregado, como tecnologia, medicamentos e máquinas, enquanto exportou US$ 1,35 bilhão, resultando em um déficit de US$ 3,29 bilhões.
A redução das barreiras tarifárias brasileiras deve intensificar a entrada de produtos europeus, pressionando a indústria nacional. O setor de vitivinicultura é um dos mais sensíveis devido à diferença de subsídios e carga tributária em relação aos vinhos europeus. Além disso, novas regras de Indicação Geográfica (IG) restringirão o uso de nomes como “parmesão” e “gorgonzola” apenas a empresas que já utilizavam as nomenclaturas antes da assinatura do acordo.
Perspectivas para o futuro e inovação
Segundo o Sebrae/SC, a sobrevivência e o crescimento das empresas catarinenses diante deste novo cenário globalizado dependerão da adequação rigorosa às normas sanitárias e ambientais europeias. O estado, que já possui um forte ecossistema de tecnologia, precisa integrar essas soluções ao campo e à fábrica.