Santa Catarina mira Top 5 global e pode movimentar R$ 14 trilhões com tecnologia até 2066
Santa Catarina projeta um salto ambicioso: tornar-se um dos cinco maiores polos de inovação do planeta nas próximas quatro décadas. A meta, apresentada no estudo Efeito ACATE 2066 – Do improvável ao inevitável, não apenas reforça o protagonismo crescente do setor tecnológico, como também detalha um cenário de transformação econômica profunda, com impacto direto sobre empregos, renda e competitividade global.
O levantamento mostra que o estado parte de uma base já consolidada. Hoje, o setor tecnológico catarinense fatura R$ 42,5 bilhões por ano, emprega mais de 100 mil pessoas e responde por 7,75% do PIB estadual — números que sustentam a viabilidade de crescimento projetado.
Conteúdos
- SANTA CATARINA ENTRE OS MAIORES POLOS DE INOVAÇÃO DO PLANETA
- CRESCIMENTO PROJETADO MULTIPLICA RECEITA E PARTICIPAÇÃO NO PIB
- IMPACTO DIRETO NA RENDA E NA ARRECADAÇÃO
- ESCASSEZ DE TALENTOS PODE LIMITAR AVANÇO
- META INCLUI 163 UNICÓRNIOS E EMPRESAS GLOBAIS
- OITO ONDAS TECNOLÓGICAS GUIAM O FUTURO
- METODOLOGIA COMBINA DADOS HISTÓRICOS E ESTUDOS DE FUTURO
SANTA CATARINA ENTRE OS MAIORES POLOS DE INOVAÇÃO DO PLANETA
A ambição de posicionar Santa Catarina como um dos cinco maiores polos de inovação do planeta não surge apenas como projeção estatística, mas como um compromisso coletivo do ecossistema.
O estudo aponta que, se mantido o ritmo de evolução e cooperação entre os diferentes atores — setor público, empresas, universidades e investidores —, o impacto acumulado pode alcançar R$ 14 trilhões até 2066. Esse volume representa uma mudança estrutural na economia estadual, elevando a tecnologia ao status de principal motor de desenvolvimento.
“Quando olhamos para trás, vemos que o que parecia improvável se tornou realidade porque fomos capazes de construir juntos. O Efeito ACATE nasce desse mesmo espírito. Não é uma promessa de uma entidade, é um compromisso de um ecossistema inteiro. Santa Catarina tem as condições, a história e a cultura para ser uma referência mundial em inovação”, afirma Diego Brites Ramos, presidente da ACATE.
CRESCIMENTO PROJETADO MULTIPLICA RECEITA E PARTICIPAÇÃO NO PIB
As projeções indicam uma expansão consistente ao longo das próximas décadas. O faturamento do setor deve saltar de R$ 49,5 bilhões em 2026 para R$ 238,9 bilhões em 2066 — crescimento de quase cinco vezes.
A participação da tecnologia no PIB estadual também tende a mais que dobrar, passando de 7,75% para 17,9%. Na prática, isso significa uma reconfiguração da matriz econômica, com maior dependência de atividades intensivas em conhecimento.
Outro indicador relevante é o efeito multiplicador. O estudo aponta que cada R$ 1 gerado pela tecnologia pode impulsionar R$ 2,40 na economia total, ampliando os impactos para além do setor.
IMPACTO DIRETO NA RENDA E NA ARRECADAÇÃO
O avanço tecnológico projetado não se limita ao crescimento empresarial. Os dados indicam efeitos amplos na sociedade catarinense:
- R$ 1,1 trilhão em arrecadação fiscal direta ao longo do período
- R$ 11,1 trilhões em renda acumulada para famílias
- Sustentação de até 1,4 milhão de empregos na cadeia produtiva
O número de empregos diretos no setor deve triplicar, passando de cerca de 100 mil para 304 mil até 2066.
Esse movimento tende a elevar a renda média, aumentar o consumo e fortalecer setores complementares, como serviços, comércio e indústria.
ESCASSEZ DE TALENTOS PODE LIMITAR AVANÇO
Apesar do cenário otimista, o estudo aponta um risco central: a falta de profissionais qualificados.
A expansão acelerada da tecnologia exige formação contínua, atração de mão de obra especializada e retenção de talentos — fatores considerados críticos para sustentar o crescimento.
“O crescimento do setor de tecnologia em Santa Catarina só será sustentável se conseguirmos formar, atrair e reter talentos na mesma velocidade em que as empresas crescem. Não existe transformação digital sem pessoas preparadas para conduzi-la”, afirma Moacir Marafon, vice-presidente de talentos da ACATE.
A pressão por qualificação deve impactar diretamente políticas educacionais, programas de capacitação e estratégias de atração de profissionais de outras regiões e países.
META INCLUI 163 UNICÓRNIOS E EMPRESAS GLOBAIS
Outro dado que chama atenção é a projeção de 163 unicórnios — startups avaliadas acima de US$ 1 bilhão.
Mais do que um número absoluto, a meta funciona como direcionamento estratégico: estimular empresas a nascerem com foco global, desde as fases iniciais.
Isso implica maior acesso a capital, internacionalização acelerada e fortalecimento de hubs de inovação em cidades catarinenses.
OITO ONDAS TECNOLÓGICAS GUIAM O FUTURO
O planejamento do ecossistema foi estruturado em oito ciclos de cinco anos, cada um baseado em tendências globais emergentes.
A primeira fase (2026–2031) foca na expansão da inteligência artificial generativa, criando a base de dados, talentos e capital. Em seguida, o estado mira liderança em computação quântica na América Latina.
Na sequência, surgem movimentos como a convergência bio-digital, integração entre tecnologia e agroindústria, e avanços em neurotecnologia, que podem redefinir a relação entre humanos e máquinas.
O plano também inclui a entrada na economia espacial, com uso de microssatélites, além da transição para modelos de economia circular.
As etapas finais abordam temas de fronteira, como longevidade humana — com projeção de aumento de 15 anos na vida saudável — e inteligência planetária, baseada em redes globais de dados e sensores.
É nesse último ciclo, entre 2061 e 2066, que Santa Catarina projeta consolidar sua posição entre os cinco maiores polos de inovação do planeta.
METODOLOGIA COMBINA DADOS HISTÓRICOS E ESTUDOS DE FUTURO
O estudo foi construído a partir da análise da evolução do ecossistema desde 1986, combinada com modelos estatísticos e metodologias internacionais de foresight.
Entre as abordagens utilizadas estão backcasting, análise de cenários e modelos integrados de futuro, adaptados ao horizonte de longo prazo.
Apesar da robustez metodológica, o relatório ressalta que os números não devem ser interpretados como previsões exatas. Fatores como políticas públicas, ambiente macroeconômico e capacidade de execução podem influenciar diretamente os resultados.
Ainda assim, o material se posiciona como um guia estratégico para orientar decisões e alinhar os diferentes atores do ecossistema tecnológico catarinense em direção a um objetivo comum: transformar o estado em referência global em inovação.
