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Dono da Havan associa suspensão de detergente da Ypê à perseguição política, ministro da saúde nega que Anvisa tenha lado partidário

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O empresário Luciano Hang, dono da Havan, publicou um vídeo nas redes sociais em apoio à marca Ypê, após a suspensão de produtos pela Anvisa. Na gravação, ele afirmou que tanto a empresa quanto ele próprio seriam alvos de perseguição, e associou o caso ao cenário político e eleitoral.

Hang aparece lavando louça com detergente da marca e diz que “quem está do lado certo vai ser perseguido”, em mensagem divulgada nesta segunda-feira (11). A manifestação ocorre em meio à repercussão política da decisão da Anvisa sobre lotes de produtos da Ypê.

Contexto da polêmica

Em 7 de maio de 2026, a Anvisa publicou resolução determinando o recolhimento imediato, interrupção da fabricação, comercialização, distribuição e uso de detergentes, sabões líquidos e desinfetantes da marca Ypê (fabricados pela Química Amparo, em Amparo-SP) com lotes terminados em “1”, devido a falhas nos controles de qualidade identificadas em inspeção. A agência apontou risco de contaminação microbiológica, com possível presença de bactérias que ameaçam a saúde, especialmente de imunossuprimidos, e destacou que a avaliação foi conjunta com o estado de SP e o município.

No dia 8, a Ypê recorreu administrativamente, obtendo suspensão temporária dos efeitos da proibição até julgamento final, mas a Anvisa manteve o alerta de risco sanitário e recomendou não usar os lotes afetados. O caso polarizou rapidamente nas redes, com apoiadores bolsonaristas acusando “perseguição ideológica” à família Beira, donos da Ypê, que doou cerca de R$ 1 milhão à campanha de Jair Bolsonaro em 2022.

Resposta do ministro Padilha

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, rebateu as acusações de perseguição política e afirmou que a Anvisa atua com base técnica, sem lado partidário. Ele destacou que a análise envolveu vigilância sanitária de São Paulo (governado por Tarcísio de Freitas, aliado de Bolsonaro) e o diretor Daniel Meirelles, indicado no governo anterior. “A Anvisa não tem lado de governo, não tem lado A ou B. É desinformação transformar técnica em política”, declarou.