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Agronegócio catarinense bate recorde histórico e movimenta R$ 75,1 bilhões em Santa Catarina

O agronegócio catarinense alcançou em 2025 o maior Valor da Produção Agropecuária (VPA) já registrado em Santa Catarina. O setor movimentou R$ 75,1 bilhões, resultado que representa um crescimento nominal de 15,8% em comparação aos R$ 64,8 bilhões registrados no ano anterior.

Descontada a inflação, o avanço real foi de 12,5%, consolidando uma trajetória de expansão média de 4,3% ao ano na última década.

Os dados fazem parte da 46ª edição da Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina, elaborada pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa), que reúne informações sobre 64 cadeias produtivas e apresenta um panorama completo do desempenho do setor em 2025.

A publicação está disponível para consulta e download gratuito no Observatório Agro Catarinense.

AGRONEGÓCIO CATARINENSE REGISTRA MAIOR RESULTADO DA HISTÓRIA

O crescimento foi impulsionado principalmente pelo desempenho dos grãos e pela força da produção animal.

Entre os segmentos que mais contribuíram para a expansão do VPA estão:

  • Milho: +50,5%;
  • Milho para silagem: +46%;
  • Maçã: +34,3%;
  • Tabaco: +33%;
  • Bovinos de corte: +32,6%;
  • Soja: +24,3%;
  • Suínos: +20,1%.

A pecuária respondeu por aproximadamente 60% do valor total gerado pelo setor, enquanto os grãos representaram 21%.

Os produtos com maior participação econômica foram:

  • Suínos: 21,9%;
  • Frangos: 15,4%;
  • Leite: 11,5%;
  • Soja: 9%;
  • Tabaco: 6,1%;
  • Bovinos: 5,3%.

GOVERNO DESTACA COMPETITIVIDADE DO AGRO

Para o governador Jorginho Mello, os números refletem a importância estratégica do setor para a economia catarinense.

“É um valor expressivo que demonstra a força e a competitividade do nosso agro. Não se trata apenas de produzir mais, mas de produzir com qualidade, atendendo aos padrões dos mercados mais exigentes do mundo. O setor é um dos principais pilares da nossa economia e o Governo do Estado tem feito a sua parte, com programas de incentivo e apoio aos produtores que enfrentaram perdas. Seguiremos trabalhando para fortalecer ainda mais o campo e garantir oportunidades para quem produz em Santa Catarina”, disse.

O secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Dalla Cort, ressaltou que os dados ajudam na formulação de políticas públicas e no fortalecimento das cadeias produtivas.

“A Síntese Anual da Agricultura traz um retrato da força e da evolução do agronegócio catarinense, evidenciando resultados históricos, como o maior Valor da Produção Agropecuária já registrado no estado e o crescimento das exportações. Esses dados são fundamentais para orientar a tomada de decisões, aprimorar políticas públicas e fortalecer ainda mais o desenvolvimento do setor”, destaca.

Já o presidente da Epagri, Dirceu Leite, atribuiu os resultados à combinação entre tecnologia, pesquisa e extensão rural.

“Eles são fruto de um trabalho silencioso, contínuo e integrado que une a pesquisa científica de ponta e a extensão rural da Epagri ao campo. Nossa empresa se orgulha de ser um dos braços técnicos que transformam conhecimento em rentabilidade, garantindo que Santa Catarina siga alimentando o Brasil e o planeta com sustentabilidade, alta produtividade e qualidade incomparável”, comemora o presidente.

EXPORTAÇÕES DE SANTA CATARINA GANHAM FORÇA

O desempenho do setor também foi impulsionado pelo mercado externo.

As exportações do agronegócio catarinense alcançaram US$ 7,9 bilhões. Em janeiro de 2026, Santa Catarina respondeu por 49,4% do volume e 51,7% da receita nacional das exportações de carne suína.

No segmento de carne de frango, o estado representou 23,1% do volume exportado e 26,4% da receita brasileira.

Um dos destaques foi a ampliação dos embarques de carne suína para o Japão, que cresceram 58,1% em quantidade, favorecidos pela abertura de novos mercados.

DESAFIOS AINDA AFETAM O SETOR

Apesar dos resultados históricos, algumas atividades enfrentaram dificuldades.

A queda nos preços reduziu o valor da produção de arroz e feijão. A cebola registrou retração de 26% no preço pago ao produtor em janeiro de 2026.

O leite também sofreu pressão, com redução de 12% no valor recebido pelos produtores do Alto Vale do Rio do Peixe no início deste ano.

Outro impacto veio das novas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos às exportações de madeira a partir de agosto de 2025, o que contribuiu para a redução dos embarques do setor florestal.

Na aquicultura, a diminuição dos preços das tilápias também afetou os resultados.

RECUPERAÇÃO DOS GRÃOS E DA MAÇÃ ABRE NOVAS PERSPECTIVAS

Em contrapartida, o cenário para algumas cadeias produtivas apresentou sinais positivos.

A soja e o milho lideraram a recuperação dos grãos, enquanto a pecuária registrou crescimento de 14,2% em valor, impulsionada pelos preços favoráveis de suínos, aves e bovinos.

A produção de maçã teve recuperação de 27,9% na safra 2025/2026, sendo que 83,2% da colheita catarinense está concentrada em Lages.

No setor leiteiro, houve reação do mercado, com o preço do leite UHT subindo de R$ 3,30 para R$ 3,42 por litro entre janeiro e fevereiro de 2026.

INFORMAÇÃO QUALIFICADA É APONTADA COMO ESSENCIAL

Segundo o analista da Epagri/Cepa, Luis Augusto Araujo, o cenário internacional e as mudanças climáticas tornam ainda mais importante o acesso a informações técnicas confiáveis.

“O produtor, o investidor e o gestor público precisam de uma leitura clara do presente para planejar o futuro. A Síntese reúne dados oficiais, validados tecnicamente, que mostram não apenas o que aconteceu em 2025, mas também apontam tendências para os próximos ciclos”, destacou.

Além dos dados econômicos, a publicação também reúne análises sobre crédito rural, geopolítica, comércio internacional e perspectivas para as principais cadeias produtivas catarinenses.

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