A economia criativa em Santa Catarina ampliou sua presença na estrutura produtiva e no mercado de trabalho do estado. Dados divulgados em julho de 2026 pela Secretaria de Estado do Planejamento de Santa Catarina (Seplan) mostram que o número de trabalhadores em atividades criativas passou de 297,5 mil, em 2012, para 484,2 mil em 2025, crescimento de 62,8%.
O avanço superou os 40% registrados no Brasil no mesmo período. A participação catarinense nas ocupações criativas do país também aumentou, passando de 3,75% para 4,35%.
No recorte econômico, o Mapeamento da Indústria Criativa 2025, da Firjan estimou que a indústria criativa representava 4,2% do Produto Interno Bruto (PIB) catarinense em 2023, acima da média brasileira de 3,59%.

Os indicadores ajudam a dimensionar um setor que reúne atividades da tecnologia e do design à publicidade, audiovisual, moda, gastronomia, música, artesanato e produção cultural.
Conteúdos
- ECONOMIA CRIATIVA REPRESENTA 4,2% DO PIB CATARINENSE
- EMPREGOS CRIATIVOS CRESCEM 62,8% EM SANTA CATARINA
- TECNOLOGIA, PUBLICIDADE E DESIGN IMPULSIONAM O SETOR
- JÁ EM 2024 SANTA CATARINA TINHA MAIS DE 30 MIL ESTABELECIMENTOS CRIATIVOS
- FLORIANÓPOLIS REÚNE TECNOLOGIA, GASTRONOMIA E CULTURA
- JOINVILLE E BLUMENAU CONECTAM CRIATIVIDADE E INDÚSTRIA
- TURISMO, GASTRONOMIA E CULTURA AMPLIAM A ECONOMIA CRIATIVA
- ECONOMIA CRIATIVA NÃO É SINÔNIMO APENAS DE CULTURA
- INFORMALIDADE AINDA É UM DESAFIO PARA MEDIR O SETOR
- POLÍTICAS PÚBLICAS SÃO ESSENCIAIS, MAS AINDA PRECISAM AVANÇAR
- ECONOMIA CRIATIVA MOSTRA A FORÇA DO TALENTO CATARINENSE
ECONOMIA CRIATIVA REPRESENTA 4,2% DO PIB CATARINENSE
A participação de 4,2% coloca Santa Catarina acima da média brasileira no recorte da indústria criativa elaborado pela Firjan.
O indicador, porém, exige cautela. A estimativa é construída a partir da metodologia própria do levantamento e não corresponde a uma conta regional específica da economia criativa publicada separadamente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Ainda assim, o percentual revela uma característica importante da economia catarinense. A criatividade não está restrita às atividades culturais tradicionais. Ela também aparece em setores intensivos em conhecimento e inovação, como tecnologia da informação, pesquisa e desenvolvimento, arquitetura, design, publicidade e comunicação.
Essa composição ajuda a explicar por que o desempenho de Santa Catarina supera a média nacional.
EMPREGOS CRIATIVOS CRESCEM 62,8% EM SANTA CATARINA
O mercado de trabalho apresenta uma das principais evidências da expansão recente do setor. Segundo a Secretaria de Estado do Planejamento de Santa Catarina, o número de trabalhadores em atividades criativas aumentou de 297,5 mil para 484,2 mil entre 2012 e 2025.
O crescimento acumulado de 62,8% ficou acima da expansão nacional de 40% no mesmo período. Com isso, a participação de Santa Catarina nas ocupações criativas brasileiras avançou de 3,75% para 4,35%.
Os dados mais recentes sobre o emprego formal também indicam continuidade do movimento. Entre janeiro de 2025 e março de 2026, a economia criativa catarinense acumulou saldo positivo de 12.221 empregos formais.
Publicidade e Tecnologia da Informação responderam, juntas, por mais de 80% das novas vagas criadas no período.
TECNOLOGIA, PUBLICIDADE E DESIGN IMPULSIONAM O SETOR

A expansão da economia criativa catarinense foi marcada pelo crescimento de atividades intensivas em conhecimento. Entre 2012 e 2025, Tecnologia da Informação e Comunicação registrou aumento de 245,4% no número de trabalhadores. Na sequência aparecem Publicidade, com crescimento de 128%; Design, com 86,3%; e Gastronomia, com 74,1%, segundo o levantamento da Seplan.
Os números mostram que a economia criativa catarinense não se restringe às atividades culturais tradicionais. Parte de sua força está na integração entre criatividade, tecnologia, indústria e empreendedorismo.
Essa característica ganha relevância em um estado com economia diversificada e forte presença industrial. Design de produto, desenvolvimento tecnológico, comunicação, moda e construção de marcas podem integrar as cadeias produtivas de setores tradicionais sem aparecer como atividades econômicas isoladas.
JÁ EM 2024 SANTA CATARINA TINHA MAIS DE 30 MIL ESTABELECIMENTOS CRIATIVOS

Em 2024, Santa Catarina possuía 31.777 estabelecimentos cuja atividade principal estava ligada à economia criativa, conforme dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) analisados pela Seplan.
O número correspondia a 5,8% dos estabelecimentos criativos do Brasil e colocava Santa Catarina na sexta posição nacional.
A distribuição dessas atividades também evidencia uma característica da economia catarinense: a existência de diferentes centros urbanos com especializações econômicas próprias.
Florianópolis, Joinville e Blumenau, por exemplo, combinam, em diferentes proporções, atividades relacionadas à tecnologia, cultura, design, indústria, turismo, eventos e serviços. Essa configuração contribui para a formação de diferentes ecossistemas criativos no território catarinense.
FLORIANÓPOLIS REÚNE TECNOLOGIA, GASTRONOMIA E CULTURA

Florianópolis possui uma das evidências institucionais mais claras da relação entre território e economia criativa em Santa Catarina.
Desde 2014, a cidade integra a Rede de Cidades Criativas da Unesco na categoria Gastronomia. O reconhecimento conecta a capital catarinense a uma rede internacional de cidades que utilizam criatividade e cultura como elementos de desenvolvimento urbano.
A gastronomia, entretanto, é apenas uma das dimensões do ecossistema local. A presença de empresas de tecnologia, universidades, startups e profissionais ligados à comunicação, audiovisual, design e produção cultural amplia a diversidade das atividades criativas na Grande Florianópolis.
JOINVILLE E BLUMENAU CONECTAM CRIATIVIDADE E INDÚSTRIA
Em Joinville e Blumenau, a economia criativa se relaciona diretamente com a forte base industrial das duas regiões.
Atividades como tecnologia, design, comunicação, desenvolvimento de produtos e inovação podem funcionar como insumos para setores tradicionais da economia.
Joinville também reúne um dos principais eventos culturais do país, o Festival de Dança de Joinville. Blumenau, por sua vez, possui cadeias econômicas associadas à indústria têxtil, moda, tecnologia, turismo e grandes eventos.
Esses exemplos mostram por que a identificação de polos criativos depende do critério utilizado. Uma cidade pode se destacar pela tecnologia, outra pela produção cultural e uma terceira pela integração entre indústria, design, turismo e entretenimento.
TURISMO, GASTRONOMIA E CULTURA AMPLIAM A ECONOMIA CRIATIVA
A diversidade territorial, cultural e econômica de Santa Catarina cria condições para que a economia criativa se conecte diretamente à identidade das cidades e regiões. Gastronomia, festas tradicionais, festivais, música, artesanato, patrimônio histórico e produção cultural transformam conhecimentos, costumes e características locais em produtos, serviços e experiências.
Essa relação é especialmente relevante para o turismo em Santa Catarina, uma vez que manifestações culturais, eventos, patrimônio e gastronomia também ajudam a compor a oferta turística dos destinos. Festas típicas, festivais de música e dança, feiras, circuitos gastronômicos e outras atividades atraem público e movimentam diferentes segmentos da economia.
A realização de eventos exemplifica esse efeito em cadeia. Além de artistas, produtores e espaços culturais, a programação reunida na agenda de eventos de Santa Catarina do Conecta SC pode mobilizar hotéis, bares, restaurantes, transportes, comércio, empresas de comunicação, profissionais de audiovisual, designers, técnicos, fornecedores e trabalhadores temporários.
Dessa forma, o impacto econômico da criatividade ultrapassa o faturamento direto da atividade cultural, turística ou de entretenimento que originou a experiência. Ao conectar identidade local, produção cultural, serviços e circulação de visitantes, a economia criativa pode gerar efeitos em diferentes cadeias produtivas e ampliar a movimentação econômica dos territórios.
ECONOMIA CRIATIVA NÃO É SINÔNIMO APENAS DE CULTURA

Uma das dificuldades para medir o setor está na própria definição. A Firjan utiliza o conceito de indústria criativa e organiza as atividades em diferentes áreas. Outros levantamentos adotam conceitos como economia da cultura, setor cultural ou economia criativa, com universos estatísticos distintos.
O Observatório da Fundação Itaú desenvolve estudos sobre a Economia da Cultura e das Indústrias Criativas com recortes que podem incluir dimensões diferentes das utilizadas em bases voltadas exclusivamente ao emprego formal.
Por isso, números provenientes de levantamentos distintos não devem ser somados ou comparados automaticamente.
Essa diferença metodológica também explica por que ainda é difícil estabelecer um único número capaz de representar toda a economia criativa catarinense.
INFORMALIDADE AINDA É UM DESAFIO PARA MEDIR O SETOR
Parte do trabalho criativo ocorre fora dos vínculos tradicionais de emprego. Artistas, músicos, artesãos, fotógrafos, designers, produtores culturais e profissionais do audiovisual podem atuar como autônomos, microempreendedores individuais ou prestadores de serviços.
Consequentemente, bases administrativas de emprego e estabelecimentos formalizados capturam apenas parte desse universo.
A limitação é especialmente relevante nas análises regionais. Trabalhos realizados por projeto, atividades sazonais e ocupações informais são mais difíceis de mensurar, o que impede uma fotografia completa de determinados segmentos.
POLÍTICAS PÚBLICAS SÃO ESSENCIAIS, MAS AINDA PRECISAM AVANÇAR
A expansão da economia criativa não depende apenas da capacidade de artistas, produtores e empreendedores de transformar conhecimento e criatividade em atividade econômica. Políticas públicas de financiamento, formação, infraestrutura, circulação e acesso ao mercado também são fundamentais para sustentar cadeias que frequentemente operam com trabalho por projeto, sazonalidade e dificuldade de acesso ao crédito.
No âmbito federal, dois dos principais instrumentos de financiamento da cultura são a Lei Federal de Incentivo à Cultura, conhecida como Lei Rouanet, que permite a captação de recursos para projetos aprovados por meio de incentivo fiscal, e a Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), criada para estabelecer repasses federais a estados, Distrito Federal e municípios e fortalecer políticas culturais de forma continuada.
Os mecanismos cumprem funções diferentes. A Lei Rouanet depende da aprovação do projeto e da posterior captação de patrocínio ou doação incentivada, o que pode favorecer proponentes com maior capacidade de acessar empresas e patrocinadores. A PNAB trabalha com recursos públicos descentralizados e permite que estados e municípios executem editais, premiações, bolsas, aquisição de bens e outras ações de fomento. Essa descentralização, porém, também torna a capacidade administrativa dos governos locais decisiva para que os recursos cheguem aos trabalhadores e organizações culturais.
Em Santa Catarina, existem instrumentos estaduais de fomento, como o Programa de Incentivo à Cultura (PIC), baseado em incentivo fiscal, além de editais e premiações executados pela Fundação Catarinense de Cultura e dos recursos descentralizados por políticas federais. Municípios catarinenses também podem manter fundos, editais e leis próprias de incentivo, mas a existência e a capacidade dessas estruturas variam significativamente entre as cidades.
É justamente nesse nível que ainda há espaço para avançar. A economia criativa catarinense cresce em diferentes regiões, mas as políticas públicas estaduais e municipais nem sempre acompanham essa diversidade com planejamento permanente, orçamento previsível, dados atualizados e estratégias que articulem cultura, tecnologia, turismo, design, inovação e desenvolvimento econômico. Municípios com estruturas administrativas menores também podem enfrentar mais dificuldades para elaborar editais, executar recursos e manter políticas continuadas.
Santa Catarina possui universidades, instituições de pesquisa, incubadoras, parques tecnológicos, entidades empresariais e uma produção cultural distribuída pelo território. O avanço necessário está em conectar melhor essas estruturas e transformar iniciativas pontuais em políticas de longo prazo. Sem essa articulação, o crescimento econômico do setor pode continuar ocorrendo de forma desigual, com oportunidades concentradas nos municípios que já dispõem de maior infraestrutura, capacidade institucional e acesso a financiamento.
ECONOMIA CRIATIVA MOSTRA A FORÇA DO TALENTO CATARINENSE
Os números confirmam algo que Santa Catarina já demonstra na prática: criatividade também é economia. Entre 2012 e 2025, o número de trabalhadores em atividades criativas cresceu 62,8%, acima dos 40% registrados no país. A participação catarinense nas ocupações criativas nacionais avançou de 3,75% para 4,35%.
O estado reunia 31.777 estabelecimentos ligados ao setor em 2024 e criou um saldo de 12.221 empregos formais entre janeiro de 2025 e março de 2026. No recorte da Firjan, a indústria criativa já representava 4,2% do PIB catarinense em 2023, também acima da média brasileira.
Mais do que estatísticas, esses resultados revelam uma das maiores qualidades da economia catarinense: sua capacidade de transformar talento, conhecimento, identidade e boas ideias em trabalho e desenvolvimento. A economia criativa prospera justamente onde existe espaço para imaginar, experimentar, inovar e criar novas formas de produzir valor.
E Santa Catarina tem matéria-prima de sobra para isso. Tem tecnologia, design e uma indústria que incorpora inovação. Tem gastronomia, turismo, festas e eventos capazes de mobilizar cidades inteiras. Tem artistas, músicos, produtores, artesãos, comunicadores, arquitetos, desenvolvedores e empreendedores que ajudam a construir uma economia tão diversa quanto o próprio território catarinense.
A economia criativa talvez seja uma das expressões mais interessantes do potencial de Santa Catarina porque não cabe em um único setor. Ela conecta cultura e tecnologia, tradição e inovação, identidade e mercado. Ao fazer isso, fortalece negócios já existentes e abre espaço para atividades que dependem, acima de tudo, daquilo que nenhuma máquina ou recurso natural produz sozinho: a capacidade humana de criar.
Ainda há muito a avançar em financiamento, políticas públicas, formalização e reconhecimento. Mas os dados mostram que esse não é um setor periférico ou uma promessa distante. A economia criativa já é uma força concreta de Santa Catarina — e valorizá-la significa apostar em um desenvolvimento que gera empregos e renda sem abrir mão da cultura, da diversidade, da inovação e da identidade que tornam o estado singular.
