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Lula ligou para Trump questionando motivos dos EUA para tarifaço contra o Brasil; veja o que foi discutido

Presidentes conversaram por 1h20 sobre comércio, combate ao crime organizado e guerras; Trump defendeu preservar os vínculos comerciais entre Brasil e Estados Unidos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com Donald Trump e contestou as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos para o tarifaço contra o Brasil. Durante o diálogo, os dois presidentes também defenderam a continuidade das relações comerciais e trataram de segurança pública e dos conflitos internacionais.

A ligação ocorreu na manhã da última sexta-feira (21) e durou cerca de 1 hora e 20 minutos. Segundo o Palácio do Planalto, a conversa teve tom cordial e abriu caminho para uma nova rodada de contatos entre representantes dos dois governos.

LULA CONTESTA JUSTIFICATIVAS PARA TARIFAÇO CONTRA O BRASIL

Um dos principais pontos da conversa foi a imposição de novas tarifas norte-americanas a produtos brasileiros. Lula afirmou a Trump que considera infundadas as alegações usadas pelos Estados Unidos para justificar as medidas.

Entre os argumentos apresentados pelo governo norte-americano estão questões relacionadas a desmatamento, acordos comerciais preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos associados a trabalho forçado.

Lula argumentou que as tarifas trazem consequências negativas tanto para o Brasil quanto para os Estados Unidos e defendeu a negociação como caminho para solucionar as divergências.

Trump concordou com a importância de preservar os vínculos comerciais entre os dois países e propôs que as equipes diplomáticas voltem a se reunir em breve.

COMBATE AO CRIME ORGANIZADO ENTRA NA CONVERSA

A cooperação bilateral na área de segurança também esteve na pauta. Lula reiterou o interesse brasileiro em ampliar a atuação conjunta com os Estados Unidos contra o crime organizado.

O presidente brasileiro argumentou que organizações criminosas provocam situações de terror no cotidiano, especialmente entre as populações mais vulneráveis, mas ponderou que esses grupos não devem ser confundidos com organizações terroristas.

Lula apresentou iniciativas adotadas pelo Brasil para combater essas estruturas, com destaque para estratégias de asfixia financeira. Segundo as informações apresentadas durante a conversa, essas ações já resultaram na apreensão de aproximadamente R$ 17 bilhões.

Também foram mencionadas a Lei Antifacção e a criação do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, instalado em Manaus.

Trump manifestou disposição para reforçar a cooperação entre os dois países e informou que deverá indicar integrantes de alto escalão do governo norte-americano para dar continuidade às negociações sobre o tema.

LULA E TRUMP DISCUTEM GUERRAS NA UCRÂNIA E NO ORIENTE MÉDIO

A ligação também avançou para questões de política internacional. Lula e Trump conversaram sobre conflitos em andamento, especialmente a guerra entre Rússia e Ucrânia e as tensões no Oriente Médio.

Os dois presidentes concordaram sobre a necessidade de buscar uma solução negociada para a guerra na Ucrânia. Trump também apresentou a Lula considerações sobre a posição dos Estados Unidos diante do conflito envolvendo o Irã.

Lula voltou a criticar a capacidade de resposta do Conselho de Segurança das Nações Unidas diante das guerras e sugeriu a convocação de uma reunião extraordinária do órgão para discutir alternativas diplomáticas.

“Os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos”, declarou Lula.

CONVERSA SINALIZA NOVA RODADA ENTRE BRASIL E ESTADOS UNIDOS

A disposição de retomar as conversas entre as equipes diplomáticas pode representar um novo movimento na tentativa de reduzir as divergências comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, a ligação mostrou que a agenda bilateral vai além do tarifaço e inclui temas estratégicos como segurança, combate ao crime organizado e articulação diplomática diante das guerras em curso.

Com Trump sinalizando interesse em preservar as relações comerciais e Lula defendendo a negociação para rever as medidas tarifárias, a expectativa passa a se concentrar nos próximos encontros entre representantes dos dois governos.