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Xiloteca pública em Florianópolis reúne mais de 200 amostras de madeira no Jardim Botânico

Florianópolis passa a contar, a partir deste sábado (22), com sua primeira xiloteca pública. Instalada no Jardim Botânico, no Itacorubi, a exposição permanente reúne mais de 200 amostras de madeira de mais de 100 espécies nativas e exóticas, ampliando o acesso gratuito a um acervo científico ligado à pesquisa, ao ensino e à educação ambiental.

A inauguração está marcada para as 10h, e a mostra poderá ser visitada gratuitamente de terça-feira a domingo, das 7h às 19h. A nova xiloteca pública em Florianópolis também permitirá que moradores e visitantes conheçam de perto características das árvores registradas em suas madeiras e aspectos da diversidade vegetal catarinense.

XILOTECA PÚBLICA EM FLORIANÓPOLIS TRANSFORMA ACERVO CIENTÍFICO EM EXPOSIÇÃO ABERTA

O termo xiloteca é utilizado para identificar uma coleção científica de madeiras. A palavra tem origem nos termos gregos xýlon, relacionado à madeira, e théke, associado à guarda ou coleção.

Assim como uma biblioteca reúne livros, esse tipo de acervo concentra amostras catalogadas de diferentes espécies. Cada peça pode reunir informações sobre características da árvore, sua origem e as condições ambientais em que se desenvolveu.

O material instalado no Jardim Botânico reúne espécies nativas e exóticas e foi formado para contribuir com estudos científicos e documentar a diversidade das madeiras encontradas em Santa Catarina.

“O acervo foi disponibilizado ao Jardim Botânico de Florianópolis e a transferência assegura a preservação do material, além de ampliar seu papel na pesquisa, na conservação e na divulgação do conhecimento científico”, explica o presidente da Associação do Jardim Botânico de Florianópolis (AJBF), o pesquisador Dr. Zenório Piana.

MADEIRAS REVELAM MARCAS DO AMBIENTE E DA HISTÓRIA DAS ÁRVORES

A exposição propõe ao visitante observar a madeira não apenas como matéria-prima, mas como registro das condições enfrentadas pelas árvores ao longo de sua existência.

Fatores como a incidência de luz, os ventos, os períodos de seca, a inclinação do terreno e a perda de galhos durante tempestades podem deixar marcas permanentes na estrutura do tronco.

Curvas, nós e deformações presentes nas peças ajudam a contar parte da história de cada árvore.

Um dos espaços da mostra é dedicado aos anéis de crescimento. Essas estruturas são formadas a cada ciclo anual e podem indicar como foram as condições enfrentadas pela árvore.

Anéis mais largos podem apontar períodos de crescimento intenso, enquanto anéis estreitos podem estar associados a condições mais adversas, como frio ou seca. Dessa forma, um disco de madeira pode funcionar como um registro natural de mudanças ambientais ao longo do tempo.

EXPOSIÇÃO REÚNE ESPÉCIES DE DIFERENTES CONTINENTES

A mostra também apresenta uma instalação dedicada à densidade das madeiras. Amostras de espécies exóticas são suspensas em diferentes alturas de acordo com o peso.

As peças mais leves ficam nas posições superiores, enquanto as mais densas aparecem próximas ao solo. A disposição permite visualizar uma característica que normalmente não é percebida apenas pela aparência da madeira.

As espécies expostas têm origem na América do Norte, América Central, Europa, África, Ásia e Oceania.

O percurso inclui ainda fragmentos de madeira petrificada, processo em que a matéria orgânica é substituída gradualmente por minerais ao longo de milhões de anos, mantendo a estrutura original.

Outro núcleo explica a nomenclatura científica e mostra por que uma mesma espécie pode receber nomes populares diferentes conforme a região do país.

A presença da madeira nas expressões artísticas também integra a exposição, com referências a esculturas, máscaras, instrumentos musicais, xilogravura e arte sacra.

ARAUCÁRIA DE 44 METROS DEVE SE TORNAR DESTAQUE DO ACERVO

Até o fim do ano, a coleção deve receber uma nova peça: um disco retirado do tronco da quarta maior araucária do Brasil, conhecida como Pinheirão.

A árvore ficava na Estação Experimental da Embrapa, em Caçador, no Meio-Oeste de Santa Catarina, e caiu em maio deste ano.

Com 44 metros de altura e 2,45 metros de diâmetro à altura do peito, o exemplar era acompanhado por pesquisadores havia décadas.

“Ainda vamos receber uma ‘bolacha’ da quarta maior araucária do Brasil. É o disco de uma árvore que foi acompanhada por pesquisadores durante décadas. A peça ainda está em processo de secagem, que precisa ser completa para que a madeira não rache. Assim que estiver estabilizada, ela vem para o Jardim Botânico. Vai ser a estrela da nossa exposição”, afirma o gerente do Jardim Botânico de Florianópolis, Roberto Amaro.

A instalação da peça dependerá da conclusão do processo de secagem e estabilização da madeira, etapa necessária antes de sua transferência para o acervo.

CIÊNCIA E EDUCAÇÃO AMBIENTAL PASSAM A INTEGRAR A VISITA AO JARDIM BOTÂNICO

A abertura do acervo ao público amplia as opções de visitação no Jardim Botânico e aproxima a coleção científica de estudantes, pesquisadores e visitantes.

“Uma xiloteca não conserva apenas madeira. Ela conserva conhecimento sobre as florestas, sobre o clima do passado e sobre a relação entre as pessoas e as árvores. Trazer esse acervo para um espaço público e gratuito significa colocar ciência ao alcance de quem visita o Jardim Botânico”, afirma o Secretário Adjunto de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, William Nunes.

Com a inauguração, a visitação à xiloteca passa a fazer parte da programação permanente do Jardim Botânico, enquanto o acervo deverá ser ampliado com a chegada do disco da araucária até o fim de 2026.