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Lula alerta que o gasto com armas ameaça os avanços contra a crise climática

O gasto com armas foi um dos principais temas abordados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a segunda sessão temática da Cúpula do Clima, realizada nesta sexta-feira (7) em Belém (PA). Em seu discurso, Lula alertou que os conflitos armados, como a guerra na Ucrânia, têm provocado retrocessos nos esforços globais de combate às mudanças climáticas, colocando o planeta em risco de colapso ambiental.

CONFLITOS ARMADOS E IMPACTO AMBIENTAL

Durante a abertura da sessão, o presidente afirmou que os confrontos bélicos interromperam um período de redução nas emissões de gases poluentes e reacenderam o uso de fontes de energia altamente poluentes.

“O conflito na Ucrânia reverteu anos de esforços para a redução da emissão de gases do efeito estufa e levou à reabertura de minas de carvão. Gastar com armas o dobro do que destinamos à ação climática é pavimentar o caminho para o apocalipse climático. Não haverá segurança energética em um mundo conflagrado”, declarou.

O evento, que antecede a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), reúne líderes internacionais com o objetivo de reforçar compromissos multilaterais frente à urgência da crise climática. Participam da Cúpula o secretário-geral da ONU, António Guterres, o presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

DESAFIOS DA TRANSIÇÃO ENERGÉTICA

Lula destacou que, apesar dos avanços na mudança da matriz energética global, milhões de pessoas em países pobres ainda enfrentam dificuldades para ter acesso a energia de qualidade e sustentável.

“É fundamental combater todas as formas de pobreza energética: 2 bilhões de pessoas não têm acesso a combustíveis adequados para cozinhar, 660 milhões de pessoas dependem de lamparinas e geradores a diesel nas periferias das grandes cidades e nas comunidades rurais da América Latina e da África. E 200 milhões de crianças frequentam escolas sem acesso à luz elétrica”, pontuou.

O presidente ressaltou que a exclusão energética também impede o desenvolvimento de áreas essenciais como educação, saúde e agricultura, reforçando a importância de uma transição energética justa e inclusiva.

FINANCIAMENTO E DEPENDÊNCIA DOS COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS

Em tom crítico, Lula mencionou o papel do sistema financeiro internacional no fortalecimento do setor de petróleo e gás, citando que, em 2023, os 65 maiores bancos do mundo destinaram cerca de US$ 869 bilhões ao financiamento dessas indústrias.

Ele observou que, desde a assinatura do Acordo de Paris, a participação dos combustíveis fósseis na matriz energética mundial caiu de 83% para apenas 80%, evidenciando um avanço tímido diante da urgência climática.

FUNDO PARA ENERGIA RENOVÁVEL

Lula também anunciou a criação de um fundo nacional para direcionar parte dos lucros do setor de óleo e gás ao investimento em energias renováveis. A medida busca equilibrar as desigualdades históricas entre nações desenvolvidas e países do Sul Global.

“Um processo justo, ordenado e equitativo de afastamento dos combustíveis fósseis demanda o acesso a tecnologia e financiamento a países do Sul Global. Há espaço para explorar mecanismos inovadores de troca de dívidas por financiamento de iniciativa de mitigação climática e transição energética”, afirmou.

O presidente reforçou que o Brasil será exemplo ao vincular parte das receitas do petróleo à transição energética e à justiça climática, demonstrando compromisso com metas de sustentabilidade de longo prazo.

CHAMADO À AÇÃO GLOBAL

Encerrando seu discurso, Lula defendeu a implementação do acordo firmado na COP28, que propõe triplicar a capacidade de energia renovável e dobrar a eficiência energética até 2030. Ele reforçou a necessidade de eliminar a pobreza energética e incluir o tema como prioridade nas estratégias climáticas nacionais.

“Os cientistas já cumpriram seu papel. Nesta COP, os negociadores devem buscar o entendimento. E nós, os líderes, devemos decidir se o Século 21 será lembrado como o século da catástrofe climática ou como o momento da reconstrução inteligente”, concluiu.

Com informações da Agência Brasil

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Raul Frutuoso

Raul Lorenzo Frutuoso é um profissional da comunicação com cinco anos de experiência em jornalismo e marketing digital. Já atuou como redator e editor de vídeo no portal ND+. Também integrou a equipe de assessoria de imprensa do Colégio Catarinense, contribuindo com a gestão de mídias sociais, campanhas institucionais e produções audiovisuais.

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