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De governador a enigma eleitoral, Moisés vive isolamento que embaralha seus planos

Uma figura que tem andado longe dos holofotes é o ex-governador Carlos Moisés. Ele protagonizou um governo turbulento, marcado por dois processos de impeachment, e após uma série de escolhas infelizes, não conseguiu chegar ao segundo turno no pleito que poderia garantir sua reeleição.

A derrota abalou sua força política, e Moisés se refugiou em Tubarão — onde até chegou a ensaiar uma candidatura ao governo municipal, mas desistiu antes do início da campanha. Ele se afastou um pouco da política desde então, e tem dedicado seu tempo à esposa Késia, que foi diagnosticada com câncer de mama no início do ano, a um hobbie: a fabricação de cerveja artesanal.  

Com a aproximação do ano eleitoral, no entanto, ele ensaia seu retorno ao tabuleiro — desta vez alçando voos mais baixos. O que os bastidores afirmam é que ele tentará sua sorte nas eleições proporcionais, embora ainda não tenha decidido para qual casa legislativa: a Alesc ou a Câmara de Deputados. Os desafios à sua frente, no entanto, são numerosos.

Sem base política estabelecida e sem partido para chamar de seu, ele precisa agora encontrar uma legenda que apoie seu próximo projeto. A opção mais provável é o Podemos, da deputada estadual Paulinha — que planeja se lançar candidata a deputada federal. Isso limitaria Moisés ao pleito pela Assembleia Legislativa, mas ofereceria a ele a chance de fazer uma dobradinha com a política, que já possui proximidade com o ex-governador desde seu tempo à frente do Executivo Estadual. 

Para complicar essa saída que parece simples à primeira vista, há apenas um problema, não tão pequeno: tudo indica que o Podemos deve apoiar o projeto de reeleição de Jorginho Mello. Dificilmente Moisés aceitaria colocar seu nome ao lado do atual governador, principalmente após a derrota em 2022 e um episódio mais recente, que causou sua saída do Republicanos. 

Defenestrado

Carlos Moisés era, até o ano passado, o presidente estadual do Republicanos. Ele foi defenestrado da posição após um acordo entre Jorginho Mello e o deputado federal Marcos Pereira, presidente nacional do partido, que viu a transferência do deputado Jorge Goetten do PL para o Republicanos. O deputado catarinense foi alçado à presidência da legenda, ao lado do irmão de Jorginho, Juca Mello, que se tornou vice. Moisés caiu sem cerimônias, e hoje a sigla se tornou praticamente um puxadinho dos liberais no Estado. 

A rasteira colocou em xeque o futuro político do ex-governador. Ele acabou não prosseguindo com a candidatura à prefeitura de Tubarão, e preferiu apoiar Carlos Stüpp (PSDB). No fim, também acabou colocando suas fichas no cavalo errado. Quem levou a melhor, de novo, foi Jorginho, com a vitória de Estêner Soratto (PL). 

Governo conturbado

Não é de hoje que Moisés enfrenta dificuldades em sua carreira política. Após aterrisar de paraquedas na Casa d’Agronômica, carregado pela onda que elegeu Bolsonaro em 2018, ele teve um mandato marcado por turbulências. Ele enfrentou dois processos de impeachment nos quatro anos em que esteve à frente do Executivo catarinense, e foi o único governador desde a redemocratização a ser duas vezes afastado do cargo. Apesar de inocentado em ambos os casos, sua aprovação levou um baque: ao final de seu mandato, apenas 35% dos catarinenses aprovavam sua gestão, segundo o Ipec.

A baixa aprovação e as crises de seu governo cobraram um preço elevado. Nas eleições de 2022 ele protagonizou uma derrota histórica, quando competiu com outros quatro oponentes de seu campo político e não conseguiu chegar ao segundo turno. Ele ficou  atrás de Décio Lima por cerca de 17 mil votos, e viu o petista enfrentar seu rival, Jorginho Mello. O resto da história já sabemos.

O futuro

Após essa série de reveses, que levaram Carlos Moisés da Casa d’Agronômica ao quase anonimato político, o que vemos do ex-governador é uma tentativa de se recolocar na disputa. Diferente de outros candidatos, ele não tem um currículo longo, pois nunca teve mandato parlamentar ou exerceu outros cargos públicos além do governo do Estado.

Se para sua campanha em 2018 a aparência de outsider lhe ajudou, hoje ela mais o atrapalha. Isolado e sem partido, neste momento, suas chances mais claras envolvem uma dobradinha com Paulinha — cuja proximidade parece ser a única certeza em torno do ex-governador neste momento. Para seguir com essa aliança, no entanto, ele provavelmente precisará se contentar com a Alesc, e engolir o orgulho quando lhe perguntarem a quem o Podemos estará apoiando para o governo. 

 

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Mateus Spiess

Jornalista graduado pela UFSC, tem experiência como repórter e assessor de comunicação em órgãos públicos, projetos culturais e empresas. Seus trabalhos são voltados para a cobertura de pautas ambientais, políticas e culturais em SC.

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