Constelação Catarina é oficialmente adotada pela Agência Espacial Brasileira
A Constelação Catarina foi oficialmente adotada, por decisão unânime, pela Agência Espacial Brasileira (AEB), consolidando-se como uma missão estratégica e prioritária do Programa Espacial Brasileiro. A aprovação ocorreu durante a sétima reunião ordinária do Procedimento para Seleção e Adoção de Missões Espaciais (ProSAME) e reconhece a maturidade tecnológica, a relevância nacional e a viabilidade programática do projeto, que passa a integrar de forma definitiva as ações estruturantes do setor espacial no país.
A missão conta com a participação do Instituto SENAI de Inovação em Sistemas Embarcados, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e da Defesa Civil, além do apoio técnico do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Com a decisão, a Constelação Catarina avança para novas etapas de execução e reforça o papel do Brasil no desenvolvimento de soluções orbitais voltadas ao monitoramento ambiental, à agricultura e à proteção civil.
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CONSTELAÇÃO CATARINA É RECONHECIDA COMO MISSÃO NACIONAL
A adoção da Constelação Catarina pelo ProSAME representa mais do que uma aprovação administrativa. Trata-se de um compromisso formal do Estado brasileiro com a execução da missão e com os benefícios sociais, ambientais e estratégicos associados ao projeto. O procedimento é o instrumento oficial da AEB para avaliar missões candidatas ao Programa Nacional de Atividades Espaciais (PNAE) 2022–2031, considerando critérios científicos, orçamentários, operacionais e estratégicos.
Com aporte de R$ 6,4 milhões provenientes de emendas da bancada parlamentar de Santa Catarina, articuladas pelo deputado federal Daniel Freitas (PL-SC), a iniciativa segue alinhada às metas de médio e longo prazo do programa espacial brasileiro, com foco na ampliação da infraestrutura nacional de dados orbitais.
AVALIAÇÃO RIGOROSA E CRITÉRIOS DE EXCELÊNCIA
A deliberação do ProSAME é resultado de um processo técnico detalhado que analisa a consistência e a sustentabilidade das missões propostas. No caso da Constelação Catarina, a AEB reconheceu três aspectos centrais: a maturidade e o mérito científico-tecnológico do projeto, a sua plena viabilidade programática dentro do PNAE e a sustentabilidade financeira compatível com a política pública de investimentos no setor espacial.
Segundo o Diretor de Gestão de Portfólio da Agência Espacial Brasileira, Rodrigo Leonardi, “a Constelação é uma iniciativa estruturante e um programa setorial que, na recente reunião do ProSame, foi formalmente adotada pela AEB como uma entrega da atual edição do PNAE. Trata-se de um conjunto de sistemas espaciais que se baseiam no uso de nanossatélites para prover serviços de coleta de dados ambientais, atmosféricos e futuramente de observação na Terra. Adicionalmente, o desenvolvimento dos sistemas espaciais da Constelação Catarina permitirão fomentar a indústria espacial nacional e a academia, expandindo consequentemente a atuação de agentes e de novos integrantes no setor espacial brasileiro”.
CONTRIBUIÇÃO ESTRATÉGICA PARA O PAÍS
Desenvolvida pelo Laboratório de Pesquisa em Sistemas Espaciais da UFSC (SpaceLab) em parceria com o Instituto SENAI de Inovação em Sistemas Embarcados, a Constelação Catarina propõe um novo modelo de acesso a dados orbitais para aplicações ambientais, climáticas e de defesa civil. A missão está estruturada em três pilares principais: o estímulo ao desenvolvimento tecnológico nacional, o fortalecimento da indústria espacial em Santa Catarina e em outros estados e o suporte direto a políticas públicas em execução no Brasil.
A operação de uma constelação de pequenos satélites oferece vantagens como redução de custos, maior resiliência operacional, alta frequência de revisita, cobertura ampliada, ciclos de desenvolvimento mais curtos e possibilidade de expansão modular. Esses fatores contribuem para a democratização do acesso ao espaço e para o fortalecimento da soberania nacional sobre dados estratégicos.
Conforme o coordenador do SpaceLab, professor Eduardo Bezerra, a adoção da missão representa um marco para o setor. “É o reconhecimento de um trabalho de anos na universidade pública, unindo pesquisa avançada, formação de profissionais e desenvolvimento tecnológico nacional. A decisão mostra que, além do INPE, outras instituições brasileiras têm capacidade plena de criar e operar sistemas espaciais complexos. A meta sempre foi uma plataforma moderna, escalável e acessível, útil para monitoramento ambiental, agricultura, defesa civil e ações climáticas”, afirma.
PAPEL DO INPE E ARTICULAÇÃO DA AEB
A operação da Constelação Catarina atenderá prioritariamente às demandas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que será o principal usuário dos dados gerados pela missão. As informações orbitais deverão ser empregadas em atividades de monitoramento territorial, acompanhamento de eventos climáticos extremos, mitigação de riscos ambientais, apoio à agricultura e gestão de recursos naturais.
Paralelamente, a Agência Espacial Brasileira atua como articuladora estratégica e coordenadora do ecossistema espacial nacional. A instituição é responsável por garantir que os resultados da missão estejam alinhados aos interesses públicos e contribuam para a consolidação de capacidades tecnológicas e operacionais soberanas no país.
PRÓXIMOS PASSOS APÓS A ADOÇÃO
Com a adoção formal, a Constelação Catarina entra na fase de integração programática. A AEB deverá publicar a ata oficial da deliberação, formalizando o reconhecimento institucional da missão. O avanço reforça o compromisso do Brasil com o desenvolvimento tecnológico soberano e representa um passo relevante para a consolidação do Programa Espacial Brasileiro e da infraestrutura nacional de dados orbitais.
Com informações do Notícias da UFSC





