NotíciasEleições 2026PolíticaPolítica Catarinense

Gelson Merisio lidera união inédita da centro-esquerda catarinense para o pleito de 2026

A chapa da Frente Democrática nasceu completa. Em sua primeira coletiva de imprensa desde o anúncio de que Gelson Merisio (PSB) seria pré-candidato ao governo do Estado, a coalizão de partidos da esquerda catarinense apresentou todos os seus representantes para o pleito de 2026. Ao lado de Ângela Albino (PDT), que é pré-candidata a vice-governadora, e os pré candidatos ao Senado Décio Lima (PT) e Afrânio Boppré, ele rompeu o silêncio que manteve nos últimos meses, e apresentou à imprensa o resultado de suas articulações. 

É um feito que pode ser classificado como histórico: pela primeira vez, toda a esquerda catarinense estará reunida em uma única chapa, que abrigará tanto o PDT e o PT quanto o PSB e o PSOL, com o objetivo de construir um palanque sólido para o presidente Lula no Estado. Nem mesmo em 2022 algo semelhante aconteceu. Naquela ocasião, uma aliança ampla foi esboçada, mas no fim, o PDT optou por um projeto próprio, e o PSOL se recusou a entrar na aliança, apoiando a candidatura de Décio Lima de maneira informal por conta de discordâncias quanto à candidatura para o Senado. 

Se dessa vez o cenário é diferente, isso se deve a uma boa dose de diálogo e articulação, como o próprio Merísio afirmou durante a coletiva. A chapa encabeçada por Merísio é a materialização catarinense de uma estratégia adotada pelo grupo político de Lula a nível nacional. A ideia é simples: investir em candidatos de centro, ligados a partidos aliados, para atrair o voto de eleitores que não se consideram de esquerda e que, normalmente, se recusariam a apoiar candidatos desse campo político. 

Esse desenho já vem sendo adotado pelo partido em outros estados do Brasil, como Minas Gerais, onde Lula apoiará o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB) contra o sucessor de Romeu Zema (Novo). Mais perto de Santa Catarina, também, o PT aposta na eleição de Juliana Brizola (PDT) ao invés de lançar candidato próprio. Veremos se essa estratégia renderá frutos no final do ano. 

“Nem de direita, nem de esquerda”

A única figura que não pode ser descrita como de esquerda na chapa é o próprio Merísio. Na verdade, chefiar a chapa de Lula no Estado representa uma guinada considerável em sua trajetória política, que surpreenderia muitos analistas em 2018. 

Gelson Merísio construiu sua carreira política em partidos historicamente ligados à direita. Ele foi eleito deputado estadual em 2006 pelo PFL, e presidiu a Assembleia Legislativa por quase cinco anos, entre 2010 e 2014. Já em 2018, então filiado ao PSD, ele encarou seu último pleito, como candidato ao governo do Estado, e venceu o primeiro turno com mais de 1,1 milhão de votos. No segundo turno, em uma tentativa de embarcar na onda bolsonarista que varria o país, ele declarou apoio ao então candidato à presidência Jair Bolsonaro. Não deu certo, e seu adversário, Carlos Moisés, acabou eleito. 

Oito anos após seu último pleito, Merísio adotou pautas caras à esquerda, apesar de evitar classificar seu posicionamento político – Foto: Mateus Spiess/Conecta SC

Oito anos após aquela campanha, sua opinião a respeito do ex-presidente é outra. Segundo ele, ele mudou de ideia ao longo do mandato de Bolsonaro, por não concordar com a gestão da pandemia, a condução econômica do país e com a falta de investimentos federais em Santa Catarina. Em 2022, ele já se posicionava de forma contrária a Bolsonaro, e apoiou a candidatura de Lula — construindo, inclusive, a campanha de Décio Lima em Santa Catarina.

Mas apesar de seu histórico e de suas alianças atuais, Gelson Merísio abraçou pautas caras à esquerda durante a coletiva, como o projeto que propõe o fim da escala 6×1 e a tarifa zero no transporte público, posicionando-se como o articulador de um projeto de longo prazo para Santa Catarina. Além disso, ele se colocou de maneira firme contra a privatização da Celesc e de outras empresas públicas. 

Durante o evento, além da organização política, a chapa destacou duas frentes essenciais que são detalhadas em colunas específicas deste portal: a prioridade nacional na eleição de Décio Lima ao Senado e a aposta estratégica na representatividade feminina, que domina a maioria das vagas da chapa majoritária.

APOIE FINANCEIRAMENTE O CONECTA SC

Mateus Spiess

Jornalista graduado pela UFSC, tem experiência como repórter e assessor de comunicação em órgãos públicos, projetos culturais e empresas. Seus trabalhos são voltados para a cobertura de pautas ambientais, políticas e culturais em SC.

Artigos Relacionados

Botão Voltar ao Topo