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Projeto de hidrelétrica em terra indígena de SC avança no Senado e pode atingir 550 famílias

A proposta de construção de uma hidrelétrica em terra indígena de Santa Catarina avançou no Senado Federal nesta quarta-feira (28), com aprovação na Comissão de Infraestrutura (CI). O projeto, relatado pelo senador Jorge Seif (PL-SC) e de autoria do atual governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL-SC), prevê a instalação de usinas no Rio Irani e pode impactar diretamente cerca de 550 indígenas das etnias Kaingang e Guarani Mbya/Ñandeva, que vivem nas terras Toldo Chimbangue I e II, no Oeste catarinense.

Com a aprovação no colegiado, o texto segue para análise do Plenário do Senado.

O que prevê o projeto

O Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 723/2019 autoriza o aproveitamento hidrelétrico do Rio Irani em áreas indígenas, desde que sejam cumpridas exigências técnicas e legais.

Entre as condicionantes previstas estão:

  • Realização de Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA).
  • Elaboração de relatórios sobre impactos ao ecossistema.
  • Produção de estudo antropológico sobre as comunidades afetadas.

O relator, senador Jorge Seif, apresentou parecer favorável à proposta, argumentando que o projeto contribui para a segurança energética da região Sul. A matéria já havia sido aprovada anteriormente pela Comissão de Direitos Humanos (CDH), em dezembro de 2025.

Impactos em terras indígenas

A área diretamente afetada pela possível hidrelétrica em terra indígena inclui as terras Toldo Chimbangue I e II, onde vivem aproximadamente 550 pessoas.

O Rio Irani é apontado como elemento central para a subsistência das comunidades locais, sendo utilizado para pesca, abastecimento e atividades culturais. A eventual implantação das usinas levanta pontos técnicos relacionados questões de alterações no ciclo de reprodução de peixes; mudanças na qualidade da água; e interferências na dinâmica social das comunidades.

Aspectos legais

A tramitação do projeto ocorre em um cenário sem regulamentação específica para empreendimentos em terras indígenas no Brasil. A Constituição prevê esse tipo de exploração, mas depende de lei complementar ainda não aprovada.

Como referência jurídica, o parecer cita a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que estabelece a obrigatoriedade de consulta prévia, livre e informada às comunidades afetadas. Após a aprovação na Comissão de Infraestrutura, o projeto sobre a hidrelétrica em terra indígena segue para votação no Plenário do Senado. A decisão final pode estabelecer precedente para outros projetos de infraestrutura em territórios indígenas no país. 

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Adriana Dias

Jornalista apaixonada por contar histórias e dar voz a diferentes realidades, com interesse em cultura e temas sociais. Acredita no jornalismo como ferramenta de transformação e sonha com um mundo mais justo e empático.

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