Levantamento do Instituto do Meio Ambiente aponta que 78,1% dos pontos monitorados no litoral catarinense estavam próprios para banho na última semana de outubro. Saiba como consultar a qualidade da água antes de aproveitar a praia.
Vai aproveitar as praias de Santa Catarina em novembro? Antes de estender a canga na areia e entrar no mar, vale conferir uma informação importante: a água está própria para banho?
Com a aproximação do verão e o aumento da movimentação turística no litoral, o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) intensificou o acompanhamento da qualidade da água nas praias do estado.
O relatório oficial divulgado em 29 de outubro de 2026 apresenta um cenário predominantemente positivo: dos 260 pontos de monitoramento distribuídos pelo litoral catarinense, 203 estavam próprios para banho e 57 foram classificados como impróprios.
Isso significa que, no levantamento que antecede novembro, aproximadamente oito em cada dez pontos analisados apresentavam condições adequadas para banho. Mas atenção: a situação pode mudar de uma semana para outra, e até diferentes trechos de uma mesma praia podem apresentar resultados distintos.
Quase 80% dos pontos analisados estavam próprios para banho
De acordo com o levantamento do IMA, referente às coletas realizadas entre 26 e 28 de outubro de 2026, a situação das praias catarinenses era a seguinte:
- 260 pontos monitorados ao longo do litoral.
- 203 pontos próprios para banho, equivalentes a 78,1% do total.
- 57 pontos impróprios para banho, correspondentes a 21,9%.
- 28 municípios contemplados pelo monitoramento.
Em Florianópolis, 66 dos 88 pontos analisados estavam próprios para banho, o equivalente a 75%. Outros 22 apresentaram condições inadequadas.
Nos demais municípios monitorados, 137 pontos estavam próprios e 35 impróprios, correspondendo a 79,7% de aprovação.
Os números mostram que há muitas opções para aproveitar o litoral, mas reforçam a importância de consultar o local exato onde se pretende entrar na água.
Quais praias estavam próprias para banho em Santa Catarina?
Entre os destinos turísticos mais conhecidos, o levantamento do IMA apresenta situações diferentes, inclusive dentro de um mesmo município.
Em Balneário Camboriú, todos os dez pontos analisados na Praia Central estavam próprios para banho. As praias de Laranjeiras, Estaleiro, Estaleirinho e Taquaras também receberam classificação positiva nos locais monitorados. A exceção foi o ponto localizado na Lagoa de Taquaras, considerado impróprio.
Em Bombinhas, praias como Mariscal, Quatro Ilhas, Retiro dos Padres e Conceição apresentaram condições próprias nos pontos avaliados. Entretanto, o relatório identificou locais impróprios nas praias de Bombinhas, Zimbros e Morrinhos.
Em Palhoça, todos os sete pontos monitorados estavam próprios, incluindo locais nas praias do Sonho, Pinheira, Praia de Fora e na região da Guarda do Embaú.
Já em Itapema, a maioria dos pontos analisados apresentou condições adequadas, mas houve classificação imprópria no ponto em frente à Rua 113 e na Praia da Ilhota, em frente à Rua 1100.
No Litoral Norte, São Francisco do Sul registrou condições próprias em pontos das praias da Enseada, Ubatuba, Itaguaçu e Capri. Um ponto da Praia dos Ingleses, porém, foi considerado impróprio.
Os resultados são referentes às coletas realizadas entre 26 e 28 de outubro e não devem ser interpretados como garantia das condições da água durante todo o mês de novembro.
Florianópolis: praias famosas apresentam boas condições, mas há pontos de atenção
Na capital catarinense, o relatório aponta condições próprias em diversos destinos conhecidos, como Joaquina, Campeche, Jurerê, Santinho, Praia Mole, Barra da Lagoa e Moçambique, nos pontos analisados.
Por outro lado, foram identificados locais impróprios em trechos de Canasvieiras, Ingleses, Lagoa da Conceição e outras regiões da cidade.
O caso de Canasvieiras ilustra bem a importância de consultar os pontos individualmente. Enquanto algumas áreas estavam próprias, outras apresentaram resultados inadequados, incluindo locais próximos às ruas das Flores, Acary Margarida e José Daux.
Nos Ingleses, a maior parte dos pontos monitorados estava própria, mas houve resultados impróprios em frente à Rua Recanto do Sol e na foz do Rio Capivari.
O levantamento também apontou condições impróprias em pontos da Beira-Mar Norte, região central da capital.
Uma praia pode ter trechos próprios e impróprios ao mesmo tempo?
Sim. E esse é um dos pontos mais importantes para quem consulta os relatórios de balneabilidade.
A classificação não é necessariamente atribuída à praia inteira, mas ao local específico onde a amostra de água foi coletada.
Uma praia extensa pode apresentar boas condições em vários trechos e problemas de qualidade da água em outro. Isso acontece porque fatores como a presença de rios, canais, galerias de drenagem e fontes de poluição podem influenciar a qualidade da água de maneira diferente ao longo da orla.
Por isso, não basta saber se determinada praia aparece na lista de locais próprios. É importante verificar qual ponto foi analisado e onde ele fica, especialmente nas praias que possuem vários locais de monitoramento.
O que significa uma praia estar imprópria para banho?
Uma praia pode ter águas aparentemente limpas, transparentes e convidativas e, ainda assim, apresentar contaminação por microrganismos que representam riscos à saúde.
Para avaliar a qualidade da água, o IMA utiliza análises laboratoriais que verificam a presença da bactéria Escherichia coli, conhecida como E. coli.
Essa bactéria é utilizada como indicador de contaminação fecal. Sua presença em concentrações elevadas pode indicar que a água recebeu resíduos de esgoto ou outras fontes de contaminação.
A classificação segue os critérios da Resolução nº 274/2000 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).
De maneira simplificada:
- Própria para banho: quando pelo menos 80% das amostras consideradas nas últimas cinco semanas apresentam até 800 bactérias E. coli por 100 mililitros de água.
- Imprópria para banho: quando mais de 20% das amostras ultrapassam esse limite ou quando a coleta mais recente apresenta mais de 2 mil bactérias E. coli por 100 mililitros.
O contato com água contaminada pode aumentar o risco de problemas de saúde, especialmente gastrointestinais, como diarreia e vômitos, além de irritações na pele e nos olhos.
A classificação própria indica que a água atende aos critérios microbiológicos de balneabilidade no período avaliado, mas não significa ausência absoluta de riscos.
Choveu muito? Melhor esperar antes de entrar no mar
Mesmo quando o relatório indica que uma praia está própria, há uma recomendação importante: evitar o banho de mar nas primeiras 24 a 48 horas depois de chuvas intensas.
Isso acontece porque a água da chuva pode arrastar sujeira, resíduos e microrganismos de ruas, terrenos, rios e sistemas de drenagem até o mar.
A atenção deve ser redobrada perto de desembocaduras de rios, córregos, canais e saídas de galerias pluviais.
Nesses locais, a qualidade da água pode se deteriorar rapidamente, mesmo que o resultado da última análise tenha sido positivo.
Portanto, se choveu bastante na região, a orientação é aguardar e verificar as condições antes de entrar na água.
Como consultar se a praia está própria para banho?
A boa notícia é que não é necessário esperar por uma nova reportagem para descobrir se determinada praia está adequada para banho.
O Instituto do Meio Ambiente disponibiliza um mapa interativo com os resultados do monitoramento das praias catarinenses.
Acesse aqui o mapa oficial de balneabilidade do IMA.
A consulta é gratuita e pode ser feita pelo celular ou computador. Basta seguir estes passos:
- Acesse o site oficial de balneabilidade do IMA.
- Selecione o município e a praia desejada ou navegue pelo mapa.
- Clique na bandeira correspondente ao ponto de monitoramento.
- Confira se o local está próprio ou impróprio e observe a data da última coleta.
O sistema também disponibiliza o histórico dos resultados, permitindo acompanhar como a qualidade da água mudou ao longo do tempo.
Outra possibilidade é utilizar o aplicativo CBMSC Cidadão, do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, disponível para Android e iOS.
Monitoramento passa a ser semanal durante a temporada
De outubro a março, período que inclui a primavera, o verão e o maior movimento turístico nas praias catarinenses, o IMA realiza o monitoramento semanal da balneabilidade.
Entre abril e setembro, as análises são mensais.
As coletas são realizadas pelo Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina e as amostras são encaminhadas para análise laboratorial. Conforme os resultados ficam disponíveis, as informações são atualizadas no sistema oficial.
Os boletins com o balanço semanal são divulgados normalmente às sextas-feiras, podendo ser antecipados em caso de feriado ou ponto facultativo.
Para moradores e turistas, isso significa que a situação das praias pode ser acompanhada durante todo o mês de novembro e ao longo da temporada de verão.
Antes de aproveitar a praia, vale conferir a qualidade da água
Santa Catarina reúne destinos procurados por turistas de diferentes regiões do Brasil e do exterior. Mas, além de escolher a praia pela beleza da paisagem, pela infraestrutura ou pela proximidade da hospedagem, é importante considerar a qualidade da água.
O levantamento divulgado no fim de outubro mostra que a maioria dos pontos monitorados apresentava condições próprias para banho. Ao mesmo tempo, os 57 pontos classificados como impróprios reforçam que a atenção continua necessária.
A melhor orientação para quem pretende aproveitar o litoral catarinense em novembro é simples: consulte o mapa atualizado do IMA antes de sair de casa, observe as condições do tempo e evite entrar na água em locais sinalizados como impróprios.
Assim, moradores e visitantes podem aproveitar as praias com mais informação e segurança.
Fontes:
Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) – Relatório de Balneabilidade de 29 de outubro de 2026.
Agência de Notícias do Governo de Santa Catarina – IMA divulga relatório de balneabilidade referente à semana de 26 a 30 de outubro.
Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) – Resolução nº 274/2000.