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Brasil rebate investigação dos EUA sobre o Pix com ironia, diplomacia e defesa do sistema

Publicações nas redes e articulações políticas mostram que o país não está disposto a recuar.

O sistema de pagamentos instantâneos mais popular do Brasil, o Pix, está no centro de uma controvérsia internacional. Nos últimos dias, o governo dos Estados Unidos anunciou a abertura de uma investigação comercial que inclui críticas indiretas ao Pix, apontando possíveis vantagens desleais promovidas pelo sistema desenvolvido pelo Banco Central. A resposta brasileira? Criativa, afiada e com pitadas de humor.

Nas redes sociais, o governo federal publicou uma mensagem que viralizou: “O Pix é nosso, my friend”, dizia a imagem compartilhada com trilha sonora de eletroforró. Em tom de provocação bem-humorada, o texto da postagem ironizou a reação dos norte-americanos. “Parece que nosso Pix vem causando um ciúme danado lá fora, viu? Tem até carta reclamando da existência do nosso sistema seguro, sigiloso e sem taxas.”

A publicação fez sucesso entre os internautas, gerando milhares de curtidas e comentários em poucas horas. “Mexeu com o Pix, mexeu com o povo [brasileiro]”, comentou uma usuária. Outro brincou: “Já, já, Trump vai querer tirar as festas juninas, o carnaval e o Réveillon do Brasil”.

Mas a resposta não ficou apenas no campo das redes sociais. O Congresso Nacional e o Poder Executivo também se posicionaram com firmeza diante do que classificaram como uma ofensiva infundada por parte dos EUA.

“Neste momento de agressão ao Brasil e aos brasileiros, que não é correta, temos que ter firmeza, resiliência e tratar com serenidade esta relação”, afirmou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil–AP).

“Estamos prontos para estar na retaguarda do Poder Executivo”, acrescentou Hugo Motta (Republicanos–PB), presidente da Câmara dos Deputados.

ENTENDA A INVESTIGAÇÃO DOS EUA CONTRA O PIX

Suposta concorrência desleal e o incômodo com a popularização internacional do sistema de pagamentos brasileiro

A investigação norte-americana foi formalizada em um documento chamado “Seção 301 sobre Práticas Comerciais Desleais no Brasil”, assinado pelo representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. Embora o Pix não seja citado nominalmente, o texto menciona “serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo”, sugerindo que o Brasil estaria favorecendo seu próprio sistema frente a concorrentes internacionais, como o WhatsApp Pay e bandeiras de cartão de crédito dos EUA.

Segundo especialistas, o descontentamento dos Estados Unidos pode estar ligado ao episódio de 2020, quando o Banco Central suspendeu a operação do WhatsApp Pay uma semana após o lançamento da funcionalidade no Brasil, alegando riscos para o sistema financeiro nacional.

A economista Cristina Helena Mello, da PUC-SP, considera a decisão brasileira legítima:

“O WhatsApp estava operando fora do sistema financeiro legal e escapava da regulação do Banco Central, o que fere regras brasileiras de acompanhamento de transações monetárias”, afirma.

Outro fator que incomoda os EUA? O avanço do Pix como alternativa ao dólar em transações internacionais. Em países como Paraguai e Panamá, por exemplo, comerciantes já aceitam pagamentos via Pix, o que reduz a demanda pela moeda norte-americana.

“Isso é prejudicial ao interesse de controle norte-americano. Quanto menor a demanda por uma moeda, menos ela vale”, explica a economista da PUC-SP.

Além disso, a futura implementação do Pix Parcelado, prevista para setembro de 2025, pode ampliar ainda mais a competição com cartões de crédito tradicionais, afetando diretamente operadoras estrangeiras.

Apesar das críticas internacionais, os números do Banco Central falam por si: o Pix movimentou R$ 26,4 trilhões apenas em 2024, com mais de 175 milhões de usuários.

GOVERNO BRASILEIRO REAGE E COBRA NEGOCIAÇÃO SOBRE TARIFAS

Vice-presidente Alckmin defende o Pix como modelo de inovação e critica postura norte-americana

Em reunião com representantes da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) e da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, reforçou que o foco da discussão deveria ser outro:

“O Pix é um modelo, um sucesso. O que nós precisamos resolver é a questão tarifária [com os Estados Unidos], porque ela não se justifica nesse patamar. É um perde-perde.”

Segundo Alckmin, o Brasil já havia enviado aos EUA, ainda em maio, uma proposta confidencial de acordo comercial para rever as tarifas, mas até agora não houve retorno. Um novo pedido de resposta foi encaminhado recentemente, assinado também pelo chanceler Mauro Vieira.

“Queremos negociação. É urgente. O bom seria resolver nos próximos dias”, declarou o vice-presidente.

Durante a reunião, representantes de grandes empresas norte-americanas que operam no Brasil — como Coca-Cola, Amazon, General Motors, John Deere e Johnson & Johnson — manifestaram interesse em preservar o bom relacionamento comercial entre os dois países. O presidente da Amcham, Abrão Neto, reforçou esse posicionamento:

“O nosso desejo unânime é de buscar uma solução negociada de maneira a impedir o aumento tarifário. Esperamos que essa seja a via que aconteça.”

Enquanto o impasse segue no campo diplomático e comercial, uma coisa parece certa: o Pix caiu no gosto dos brasileiros — e, por aqui, ele não vai a lugar nenhum.

Fonte: Agência Brasil

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Francine Canto Boico

Francine Canto Boico é jornalista multimídia com mais de 20 anos de experiência profissional na área de comunicação, educação e cultura. Pós-graduada em Jornalismo Digital e mestre em Educação, Comunicação e Tecnologia pela UDESC, é diretora e editora-chefe do Conecta SC.

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