COP30 coloca o Brasil em destaque nas ações contra as mudanças climáticas
Nos próximos dias, a cidade de Belém, no Pará, torna-se o centro das atenções globais ao sediar a 30ª edição da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima — a COP30. O evento, que ocorre oficialmente de 10 a 21 de novembro, marca um momento histórico para o Brasil, que recebe, pela primeira vez, a conferência em meio à floresta amazônica.
A palavra-chave COP30 ganha relevância mundial ao representar um espaço de decisão estratégica sobre o enfrentamento das mudanças climáticas e a busca pela estabilização dos gases de efeito estufa, em conformidade com a Convenção-Quadro das Nações Unidas, assinada em 1992.
Conteúdos
O BRASIL NO CENTRO DAS NEGOCIAÇÕES CLIMÁTICAS
Desde 1995, as Conferências das Partes (COPs) são realizadas anualmente com o objetivo de consolidar medidas que limitem o aumento da temperatura global a 1,5ºC até o fim do século. Em 2025, o Brasil será o anfitrião dessa agenda internacional, reunindo líderes, cientistas e representantes da sociedade civil em um esforço conjunto para redefinir os compromissos ambientais.
O embaixador André Lago, secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores, preside esta edição e reforça a importância do evento.
“É um processo que vai exigindo constantes aperfeiçoamentos. Além do mais, no caso da mudança do clima, houve uma grande evolução da ciência, do pensamento econômico sobre o impacto da mudança do clima. Então, as COPs anualmente aperfeiçoam esse processo e criam uma legislação e orientam os países numa direção que, antes de mais nada, é baseada na ciência.”
EXPECTATIVA GLOBAL E PARTICIPAÇÃO RECORDISTA
Cerca de 50 mil pessoas são esperadas para a COP30, incluindo representantes de 143 delegações dos 198 países signatários dos tratados climáticos internacionais. O evento contará também com a presença de 15 mil integrantes de movimentos sociais e organizações civis que atuarão paralelamente na chamada Cúpula dos Povos.
Antes da abertura oficial, os chefes de Estado se reúnem nos dias 6 e 7 de novembro, em uma cúpula preparatória que definirá o tom político das negociações e reforçará o compromisso global com o combate à crise climática.
COMO FUNCIONA A COP30
A conferência será estruturada em dois espaços principais: a zona azul e a zona verde.
Na zona azul, o foco será o diálogo diplomático e as negociações formais entre delegações, líderes e observadores credenciados — é neste espaço que se delineiam as metas e políticas internacionais para conter o aquecimento global.
Já a zona verde será dedicada à participação da sociedade civil, de instituições públicas e privadas e de lideranças comunitárias, com o objetivo de ampliar o debate sobre soluções sustentáveis e estimular a inovação ambiental.
Segundo o presidente da COP30, André Lago, o formato mais recente das conferências, adotado desde 2021, incorporou uma “Agenda de Ação” que amplia a participação social e empresarial:
“Na agenda de ação, quem vem para a COP são os governos subnacionais, é o setor privado, é a sociedade civil, são os líderes na tecnologia, a academia e, com base nessas discussões, nós vamos mostrar que existem já imensas respostas e soluções para vários dos desafios que nós temos que enfrentar.”
SOCIEDADE CIVIL E O CHAMADO À AÇÃO
Enquanto os líderes negociam acordos multilaterais, movimentos sociais e organizações não governamentais se mobilizam para propor soluções e cobrar resultados concretos. O Observatório do Clima, uma das entidades participantes, defende a necessidade de acelerar a implementação de políticas ambientais eficazes.
A especialista em política climática da organização, Stela Herschmann, avalia que, apesar dos avanços, o ritmo das decisões não acompanha a urgência da crise:
“As COPs […] têm um processo de tomada de decisão que é muito lento e que a gente não tá correspondendo à velocidade da mudança que a gente tá vendo […] A ciência já mostrou o caminho, a gente tem diversos avanços que a gente pode citar como importantes para enfrentamento da crise climática, mas ainda não foram respostas de novo na velocidade que precisa com a rapidez e com o corte que a ciência indica que tem que ser feito.”
EXPECTATIVAS PARA OS RESULTADOS DA COP30
A COP30 será um marco decisivo para avaliar os compromissos firmados desde o Acordo de Paris, de 2015, e buscar novos mecanismos de cooperação internacional. Especialistas apontam que o evento em Belém representa uma oportunidade singular para o Brasil reforçar sua liderança ambiental, articulando desenvolvimento econômico com preservação da Amazônia e justiça climática.
Ao reunir governos, empresas, cientistas e cidadãos em torno de um mesmo propósito, a COP30 simboliza mais do que um evento — representa um chamado global para agir agora e garantir um futuro sustentável para as próximas gerações.
Com informações da Agência Brasil





